"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a uma nova estrela." Nietzsche
Clicadas
sábado, 22 de outubro de 2011
Pronto,
fim de semestre, fim da paz. Surtar pensando no monte de páginas pra ler, nas próximas provas, nas próximas notas, e nos trabalhos. Fim de semestre.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
"Rebobine, Por Favor", idéia de passado e poder da arte
"Be Kind, Rewind" é um filme dirigido por Michael Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças), de 2009. É sobre dois amigos que após um deles conseguir apagar o conteúdo de todas as VHS da locadora onde o outro trabalha, vão refazer os filmes eles mesmos. A gente vê então dois caras vestidos de alumínio, usando coisas natalinas e uma biblioteca pública para refilmar Ghostbusters. O filme já valeria a pena só por isso, por ressuscitar o tema do filme clássico. Mas aí a gente ainda vê Robocop, Conduzindo Miss Daisy, 2001: Uma Odisséia no Espaço... é louco e divertido. E não que precisasse de confirmação (por causa do trabalho incrível em Eternal Sunshine), mas fica mais claro ainda o talento de Michael Gondry e sua criatividade com cenários.
Porém, o que me levou a escrever não foi exatamente a qualidade do filme. Duas cenas do filme me fizeram pensar: em 1h e 20min de filme, uma personagem (a Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary...) diz "Nosso passado nos pertence. Podemos mudá-lo se quisermos." e mais para o final do filme quando ao exibir o resultado final, a história do Fats Waller, a felicidade das pessoas.
Nós, historiadores, decidimos o que vai ser tratado como história. No século XIX só era relevante o que fosse documentação oficial, proveniente do governo, exército, etc. No século XIX, após o pensamento romântico alemão que valorizava cultura popular e as particularidades de cada povo, vêm os Annales, a idéia de fonte se torna muito mais abrangente. Hoje em dia se me der na telha eu posso usar como fonte aquelas corações marcados nas árvores do Jardim Botânico. Não sei porque escrevi isso. Só achei curioso essa fala porque na minha aula de Geohistória de hoje (com o Rogério Haesbaert, é legal dizer que sou aluna dele porque o cara é fodão e conhecido mundialmente na área de geografia humana, sinto orgulho) o professor estava discutindo conceitos de lugar, e uma das características na visão mais conservadora de lugar era a memória espacial. Enfim, falei demais. Vou direto ao ponto: como muitas vezes, esse texto foi escrito em parte porque meu objetivo na vida é dar ao meu namorado um argumento irrefutável da importância da História (pode parecer fútil*, mas eu sinto que se eu conseguir isso, conseguirei convencer todos os alunos que eu tiver na vida e a minha faculdade terá mais sentido), e nos últimos dias tenho conversado com ele que História é algo que todo ser humano gosta, ama. História é vida, vida é História. Todo mundo, sempre, gosta/gostou/gostará de História/histórias/estórias. Cada civilização, pessoa, tempo, ao seu modo. Se se parar pra pensar, cada tipo de arte é um modo de contar uma história; o que me leva à segunda coisa que me interessou no filme.
Quando as pessoas que frequentavam a locadora e participavam do filme o assistiram, todas estavam emocionadas, com lágrimas nos olhos. Era uma história da qual eles haviam participado (aqui o modo de se contar algo é pelo cinema) da produção e da filmagem. É lindo. Eles mudam sua história, usam-na ao seu bel prazer (isso aqui só entende bem quem viu o filme), e se põem como parte dela (o que de fato são mesmo). Eles são os historiadores. Todo mundo é um historiador. O que eu pensei: no poder da arte. No fim do filme aparentemente a cidade inteira está tocada pelo filme, rindo, unida em volta dele. Eu sou preconceituosa e quando falo em literatura, por exemplo, há livros que eu não aceito sob esse título; mas, pensando bem, até uma borboleta voando perto dos olhos, é arte, a partir do momento que isso me toca de qualquer modo, seja pela beleza do movimento, pelo seu vazio, seja por qualquer sentimento que me cause. E o mais interessante, que causa em todos, em grande ou pequena escala, mas que causa.
*Um pouco fútil, sim, mas vários colegas de faculdade passam por isso; então, está mais pra algo normal.
Porém, o que me levou a escrever não foi exatamente a qualidade do filme. Duas cenas do filme me fizeram pensar: em 1h e 20min de filme, uma personagem (a Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary...) diz "Nosso passado nos pertence. Podemos mudá-lo se quisermos." e mais para o final do filme quando ao exibir o resultado final, a história do Fats Waller, a felicidade das pessoas.
Nós, historiadores, decidimos o que vai ser tratado como história. No século XIX só era relevante o que fosse documentação oficial, proveniente do governo, exército, etc. No século XIX, após o pensamento romântico alemão que valorizava cultura popular e as particularidades de cada povo, vêm os Annales, a idéia de fonte se torna muito mais abrangente. Hoje em dia se me der na telha eu posso usar como fonte aquelas corações marcados nas árvores do Jardim Botânico. Não sei porque escrevi isso. Só achei curioso essa fala porque na minha aula de Geohistória de hoje (com o Rogério Haesbaert, é legal dizer que sou aluna dele porque o cara é fodão e conhecido mundialmente na área de geografia humana, sinto orgulho) o professor estava discutindo conceitos de lugar, e uma das características na visão mais conservadora de lugar era a memória espacial. Enfim, falei demais. Vou direto ao ponto: como muitas vezes, esse texto foi escrito em parte porque meu objetivo na vida é dar ao meu namorado um argumento irrefutável da importância da História (pode parecer fútil*, mas eu sinto que se eu conseguir isso, conseguirei convencer todos os alunos que eu tiver na vida e a minha faculdade terá mais sentido), e nos últimos dias tenho conversado com ele que História é algo que todo ser humano gosta, ama. História é vida, vida é História. Todo mundo, sempre, gosta/gostou/gostará de História/histórias/estórias. Cada civilização, pessoa, tempo, ao seu modo. Se se parar pra pensar, cada tipo de arte é um modo de contar uma história; o que me leva à segunda coisa que me interessou no filme.
Quando as pessoas que frequentavam a locadora e participavam do filme o assistiram, todas estavam emocionadas, com lágrimas nos olhos. Era uma história da qual eles haviam participado (aqui o modo de se contar algo é pelo cinema) da produção e da filmagem. É lindo. Eles mudam sua história, usam-na ao seu bel prazer (isso aqui só entende bem quem viu o filme), e se põem como parte dela (o que de fato são mesmo). Eles são os historiadores. Todo mundo é um historiador. O que eu pensei: no poder da arte. No fim do filme aparentemente a cidade inteira está tocada pelo filme, rindo, unida em volta dele. Eu sou preconceituosa e quando falo em literatura, por exemplo, há livros que eu não aceito sob esse título; mas, pensando bem, até uma borboleta voando perto dos olhos, é arte, a partir do momento que isso me toca de qualquer modo, seja pela beleza do movimento, pelo seu vazio, seja por qualquer sentimento que me cause. E o mais interessante, que causa em todos, em grande ou pequena escala, mas que causa.
*Um pouco fútil, sim, mas vários colegas de faculdade passam por isso; então, está mais pra algo normal.
sábado, 17 de setembro de 2011
Aprovada
As coisas mudaram de verdade agora. Eu não me sinto mais como antigamente. Não sinto como se nada me afligisse, pelo menos não as coisas de antigamente. Não me sinto mais como se estivesse à beira de explodir. Eu sei um pouco mais sobre como eu sou e aprendi um pouco mais sobre como lidar comigo mesma. Sinto-me capaz de acertar agora. Eu me sinto mal sobre tudo que aconteceu, sobre o que eu fiz e sobre o que eu não fiz, mas não estou me torturando agora; eu tive as minhas lições, e agora acho que o que aconteceu iria acontecer de qualquer jeito, era algo fora da minha alçada. Parece que tudo vai começar de novo, estou no zero. Eu me sinto maior, me sinto mais capaz. Sinto como se tivesse cometido todos os erros que poderia, então não tenho mais pesos nos ombros. As coisas ainda estão um pouco nebulosas, parece que "meu território" ainda está delimitando suas fronteiras, mas vai melhorar. Eu tenho fé agora. Depois de afastar tanto, e pensar em tanta coisa, em sentir tanta coisa, eu sinto falta de muita coisa que não volta mais; mas aprendi a cuidar de uma coisa que eu quero pra sempre, e dessa vez eu não tenho dúvidas. É por isso que eu gosto tanto de One and Only da Adele: "God only knows why it's taken me so long to let my doubts go,
you're the only one that I want". E é tão bom ter certeza de algo sem ficar imaginando se isso é alguma mania de conforto ou coisa do tipo. Neste exato momento eu me sinto como se tivesse feito a prova final de algo que eu estava penando pra aprender. E guess what, eu passei!
you're the only one that I want". E é tão bom ter certeza de algo sem ficar imaginando se isso é alguma mania de conforto ou coisa do tipo. Neste exato momento eu me sinto como se tivesse feito a prova final de algo que eu estava penando pra aprender. E guess what, eu passei!
domingo, 1 de maio de 2011
Inconstante
Ninguém pode me conhecer. Ninguém pode saber quem eu sou. Acredito que não exista nada em mim que seja para sempre. E isso me assusta. Parece que ninguém pode confiar em mim, nem eu mesma.
Esses dias tenho pensado em quando eu começar a ficar muito amiga de alguém, fazer uma espécie de aviso antes. Vou dizer que iniciarei a nossa amizade dizendo que odeio festas, e algum tempo depois estarei procurando chances de ir numa boate. Acho que isso talvez fosse justo. Seria pelo menos uma tentativa de avisar o que viria pela frente.
Ignorando a corrente de pensa'mentos que jorram a cada palavra que eu escrevo, ignorando o jorro de aflições e angústias que as minhas próprias frases me causam, tentarei voltar ao início do texto: ninguém É algo. Quer dizer, eu acho. Sei (acho que sei) que eu não sou. Agora eu gosto de vermelho, mas quando eu acordar vou procurar uma blusa verde. O que me fez escrever esse texto foi a seguinte frase que li na bio do twitter de um amigo: "Procure a verdade do meu coração em meu olhar, não em minhas palavras". Eu, quanto a mim, acho que não confiaria nem no meu olhar. Quer dizer, até confiaria... com as suas devidas precauções. Eu não acredito, sinto, vejo, toco qualquer coisa do mesmo jeito pra frente. É tudo efêmero, momentâneo. Neste momento, vejamos: estou tendo uma crise que normalmente não teria e que me leva a ter medo de que certas coisas se repitam; estou sentido algo bem diferente do que sentia em relação a uma certa coisa algum tempo antes. E coisas assim.
Se bem que há esperança: se alguém me oferecesse chocolate neste momento, eu aceitaria. E acho difícil imaginar alguma situação onde eu recusasse.
E como tudo é efêmero, e como minha mãe é um anjo de pessoa e me deu chocolate, e como chocolate libera serotonina que me faz me sentir bem, e como eu só escrevo quando eu estou "mal", o que eu pensava no começo e durante o texto sumiu e ele acaba aqui.
Esses dias tenho pensado em quando eu começar a ficar muito amiga de alguém, fazer uma espécie de aviso antes. Vou dizer que iniciarei a nossa amizade dizendo que odeio festas, e algum tempo depois estarei procurando chances de ir numa boate. Acho que isso talvez fosse justo. Seria pelo menos uma tentativa de avisar o que viria pela frente.
Ignorando a corrente de pensa'mentos que jorram a cada palavra que eu escrevo, ignorando o jorro de aflições e angústias que as minhas próprias frases me causam, tentarei voltar ao início do texto: ninguém É algo. Quer dizer, eu acho. Sei (acho que sei) que eu não sou. Agora eu gosto de vermelho, mas quando eu acordar vou procurar uma blusa verde. O que me fez escrever esse texto foi a seguinte frase que li na bio do twitter de um amigo: "Procure a verdade do meu coração em meu olhar, não em minhas palavras". Eu, quanto a mim, acho que não confiaria nem no meu olhar. Quer dizer, até confiaria... com as suas devidas precauções. Eu não acredito, sinto, vejo, toco qualquer coisa do mesmo jeito pra frente. É tudo efêmero, momentâneo. Neste momento, vejamos: estou tendo uma crise que normalmente não teria e que me leva a ter medo de que certas coisas se repitam; estou sentido algo bem diferente do que sentia em relação a uma certa coisa algum tempo antes. E coisas assim.
Se bem que há esperança: se alguém me oferecesse chocolate neste momento, eu aceitaria. E acho difícil imaginar alguma situação onde eu recusasse.
E como tudo é efêmero, e como minha mãe é um anjo de pessoa e me deu chocolate, e como chocolate libera serotonina que me faz me sentir bem, e como eu só escrevo quando eu estou "mal", o que eu pensava no começo e durante o texto sumiu e ele acaba aqui.
domingo, 17 de abril de 2011
Descobertas de Ariadne: Amizade
Descobertas de Ariadne: Amizade: "Prédio de concreto Como testemunha da nossa amizade Um livro que causa discussão Sentados na arena Discutindo uma solução Risadas no ônib..."
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O Retorno
Olha quem voltou.
Eu voltando a escrever: mau sinal.
Mas hein... estou na faculdade. Sou universitária. Futura historiadora.
Sim, eu deveria estar mais animada, não fosse meu atual momento de fossa. Tem alguma coisa errada e eu não sei o que é. Estou escrevendo para achar o erro que eu espero que meu inconsciente ponha nessas entrelinhas.
Quando eu estou deprimida tenho impulsos de ir fazer Letras. Só consigo pensar em literatura. Aí eu fico irritada, com medo de estar no curso errado, blablabla. Não aguento mais ouvir falar em Durkheim ou no surgimento das ciências sociais. Tô com vontade de ler Jane Austen, ou O Morro dos Ventos Uivantes... mas tenho bíblias pra ler. Blé.
Tem algo realmente errado. Eu me sinto sozinha. Sinto como se estivesse chegando um tufão. Vou entrar em algum momento de crise ou algo assim. Não sei bem porque eu acho isso.
Sabe, uma das únicas coisas dos últimos tempos que eu posso dizer com certeza: bocas têm pensamento próprio.
Eu voltando a escrever: mau sinal.
Mas hein... estou na faculdade. Sou universitária. Futura historiadora.
Sim, eu deveria estar mais animada, não fosse meu atual momento de fossa. Tem alguma coisa errada e eu não sei o que é. Estou escrevendo para achar o erro que eu espero que meu inconsciente ponha nessas entrelinhas.
Quando eu estou deprimida tenho impulsos de ir fazer Letras. Só consigo pensar em literatura. Aí eu fico irritada, com medo de estar no curso errado, blablabla. Não aguento mais ouvir falar em Durkheim ou no surgimento das ciências sociais. Tô com vontade de ler Jane Austen, ou O Morro dos Ventos Uivantes... mas tenho bíblias pra ler. Blé.
Tem algo realmente errado. Eu me sinto sozinha. Sinto como se estivesse chegando um tufão. Vou entrar em algum momento de crise ou algo assim. Não sei bem porque eu acho isso.
Sabe, uma das únicas coisas dos últimos tempos que eu posso dizer com certeza: bocas têm pensamento próprio.
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