"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a uma nova estrela." Nietzsche
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Ano de vestibular
Você é estudiosa, você vai passar, eu tenho certeza. Não estudei hoje. Tô cansada. Quero dormir. Será? Vai pro curso amanhã? Tenho que ir, né, é dia de geografia. Tô com fome. Você conseguiu? Não, eu até sei um pouco do que a questão falava, mas não conseguia formular uma resposta. Estaria ferrada se caísse uma questão dessa na prova. Puta que pariu, nunca ouvi falar disso. Quem é esse cara? Que corrente político-filosófico-econômica é essa? O professor vai dar 3 tempos. Que merda. Quero ir pra casa. Preciso estudar matemática. Não entendo o que ele fala. Matéria inútil. Será que eu vou passar? Vai sim. Você consegue. Mas eu não estou estudando o bastante, eu deveria estudar mais. Você já estuda muito. Não, não estudo não. Estuda sim. Só eu que sei. Mas eu tenho que estudar mais... vestibular é difícil... e se eu não passar? Tudo bem, ano que vem você aproveita, se foca nisso. Não. Eu quero passar esse ano. Será que eu tô deixando de aproveitar meu último ano no 2° grau? Tô angustiada. Amor, desculpa, eu tô chata. Não, eu não sei bem essa matéria, eu até tive ano passado, mas o professor não era lá essas coisas. Eu achei que nesse exame eu ia conseguir aumentar minha nota, fiquei decepcionada. Descansa, você tá precisando. Não sossego enquanto não entender isso aqui. Tenho que estudar para a escola, tá foda. Tá difícil. Não dá. Eu vivo chorando. Surtei semana passada. O que que houve? Tô cansada. Tô estressada. Tô angustiada. Preciso relaxar. Quero aprender a tocar violão. Vamos em algum museu. Vamos ver o pôr do sol no Arpoador sábado. Mas eu deveria ficar estudando. Só um dia. Tá (mas quando eu chegar eu ainda vou tentar fazer aquela questão). Pegou a prova de 2009? Peguei. Vou tentar fazer. A de 2010 foi horrível. E se a 2011 for pior? Ano que vem vai ser pior. A tendência é piorar. Esse é o nosso ano, nós temos que passar agora. E se? Eu quero descansar. Parar de ir às aulas não adianta, a pressão é dentro da minha cabeça, eu estou contra mim. Será que eu tô tendo um início de depressão? Ih, relaxa, você tem que controlar sua mente, cara. E você acha que dá? Se eu conseguisse não estaria assim. Amor, você pode me ver hoje? Tô precisando de alguém. Não tô a fim de ir dormir agora, não consigo. Meus músculos não relaxam, estão sempre contraídos. Eu tô estudando pouco. Eu tenho que estudar mais. Eu tenho que passar. É o meu futuro. E se eu não conseguir? Vamos no cinema? Não dá, hoje eu tenho História. E amanhã? Geografia... é específica... Mas vamos tentar fazer algo no fim de semana, tô precisando. Beleza, vamos sim. Saudades, faz tempo que não saímos juntas, gata. Talvez nem tenha sido tão legal. Não dá pra pensar em outra coisa. Passa, vestibular, passa. Acaba. Divulguem-se logo os resultados. Se é pra chorar, que seja o quanto antes. Se for pra ser feliz, pelo amor de Deus, que seja já! Meu Pai, tá difícil de aguentar.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Epifânia
O que fazer, agora que usei todas as palavras perigosas? Aquelas-que-não-devem-ser-ditas? Já disse que você é tudo pra mim. O é. Já disse que é para sempre. É. Por que não deveria? Por que o bom senso diz que não? Não me importo. A verdade não é, é nada. É momentânea. Meus fatos são os que agora lhe declaro. Meu coração não mente quando contigo. Acredito em tudo que falo. Você é o que eu quero, o que procurava. O certo me encontrou quando eu inclinava-me ao errado. Só sei que te amo... que te quero... que é eterno. Danem-se as palavras perigosas.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Suposição
Tenho mania de reparar em pequenices e principalmente, pensar e supôr coisas sobre estas.
Hoje, por volta de 13h, estava em um ônibus. Houve um momento em que eu vi um carteiro. Estava sol e a roupa dele parecia quente por ser um tecido pesado, então eu esperava que ele estivesse de mau humor. Ao olhar para o seu rosto, não era isso que parecia. Ele estava sorrindo para algo que não estava ao alcance da minha visão. Imaginei porque ele estaria rindo. Vi envelopes nas mãos dele e parei para pensar no que os carteiros fazem hoje em dia: praticamente, só entregam contas. Como boa saudosista, pensei... há alguns anos, antes da internet e o e-mail se popularizarem, deveria ser até agradável ser carteiro. Imaginei-me entregando cartas de amor. Imaginei tocar uma campainha de uma casa amarela e simples, uma garota sair, perceber quem eu era e ficar animada ao sonhar com uma carta deveras desejada. A menina receberia o envelope bem cuidado, talvez até com um perfume. Sorrindo, me agradeceria.
Uma profissão esperançosa.
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