Clicadas

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Tô assim porque o dia foi chato"

Quando você estiver sozinho
Quando a gente tirar o dia para os amigos
e para a mãe
Você faz o que eu mando, bebê:
pensa em mim enquanto eu penso em você.

Porque eu vou te ver em toda parede
E em tudo que eu provar.
Eu vou te ver nos dvds
e sentir seu cheiro no ar.

Quando você estiver pra baixo,
pega uma roupa sua e procura o meu cheiro.
Você vai encontrar.
E vai lembrar dos meus cochichos
e dos nossos sorrisos.
E vai saber, e vai sentir,
que eu tô logo, logo ali.

Não fica assim, meu bem
Um dia é da caça outro é do caçador.
Aguenta firme hoje,
Que amanhã de manhã a gente morre de amor.

Relembrando

Ano passado eu me apaixonei por essa poesia. Lembrei dela hoje, fui reler, e me apaixonei novamente, dessa vez me identificando mais do que na última vez.



Cordel de mim pra mim num tempo distante


Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes…
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?

Perguntaria como anda a vida.
“Mal”, diria ele a mim;
“Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?”
Diria então: “Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim”

Ele então rebateria seco:
“Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei.”
“Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei.”

Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
“Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido.”

“Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior.”
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.

“Entenda isso”, desolado, eu diria,
“para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.

Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar.”

Então me diria: “Estranho desconhecido…
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde…
Vai, me diz logo qual teu nome!”
“Meu nome, amigo, é Daniel.”



Daniel Carvalho, meu professor de História. Em: http://dacarpe.wordpress.com/2010/07/20/cordel-de-mim-pra-mim-num-tempo-distante

Meus textos de incentivo à Bia (comentários via facebook)

Beatriz Monteiro
Quero largar a faculdade de História, é.

Beatriz Monteiro Não vejo uso prático para o que estou aprendendo lá. Basicamente, vou usar o que aprendo lá pra ensinar para os outros, já que as chances de eu ser professora são de uns 90% :( Quero algo mais 'concreto', e que vá me estabilizar no futuro. Não sinto que História vá me proporcionar isso.

Renata Aquino As músicas que você ouve e adora, por exemplo, têm uso prático? O máximo é você se identificar especialmente com algumas delas e/ou ir no show da banda que as canta, o que, nesse caso, você só vai ver elas sendo feita ao vivo, e... ? Quando a gente ama uma coisa, na maioria das vezes, não é pelo seu uso prático, porque ele não existe. Mesmo quem faz faculdade de engenharia, por exemplo, ele não acorda e faz o café da manhã projetando um prédio, não sai com a família e projeta um carro... Nossa ciência tem uso prático pra nós como seres humanos, assim como a arte (música, cinema, literatura). Se você lê livros e não se pergunta porque os continua lendo, não faça isso com História. :/

Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):

Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):

Renata Aquino Mas isso pode acontecer em qualquer faculdade, gata. :/ Eu vejo meu namorado, estudante de Física (que pra nós tem um uso prático bem mais claro que o nosso) ter várias das mesmas dúvidas que nós temos: salário no futuro, emprego, uso prático. Sei lá, acho que toda ciência em alguma escala não tem um uso prático claro. Qualquer dia dar-me-ei ao trabalho de procurar a grade de uma graduação em engenharia só pra começar a pensar se mesmo eles, que parece que aos olhos de todo mundo usarão a faculdade para algo, estudam só coisas que terão aplicação.

Beatriz Monteiro O pior é que eu vejo bastante uso prático pra engenharia (não tanto em física, visto que vejo muita gente formada em física dando aula em ensino médio), e, mesmo que eu não queira, estou comparando qualquer faculdade a uma de veterinária. Parece que esta tem 100% de uso prático :(

(...)

Renata Aquino Sabe, no fim, meu principal argumento é: nenhuma universidade vai te deixar plenamente satisfeita, então, por que não escolher a que você ama e lutar por ela, lutar por algo que você acredita?

Beatriz Monteiro Por medo de ganhar mal no futuro. Medo dos alunos não reconhecerem meu trabalho, visto que ano passado o que mais me deixava puta era o fato de mais da metade da minha turma não se importar com as aulas de História que tinhamos. Medo de ficar 5 anos na faculdade e quando terminar pensar "putz, não estou preparada para um bom concurso, "enrolei" boa parte da faculdade"

(...)

Beatriz Monteiro não é nem muito porque estamos estudando forçadas. Eu lembro que último semestre, eu estudava feliz pras provas do Martin e do Grynszpan. Até mesmo gostava dos textos do Alexandre (que eu lia, é claro). Os textos que temos que ler agora não me dão a minima alegria. Acho que nessa crise eu perdi até o conhecimento sobre como se realizar uma leitura acadêmica. rs

Renata Aquino É só o seu momento, Bia. No primeiro semestre eu estava tão mal ou pior que você; por que você acha que me inscrevi no enem? Eu cheguei a pensar em Direito, e eu não suporto Direito. Você por algum motivo muito bizarro gostou das matérias do primeiro semestre então ele pra você foi tranquilo, e é agora no segundo que a sua crise te alcançou.

Beatriz Monteiro Você ainda pensa em direito as vezes, e eu realmente não entendo isso. Acho que você pensa isso de mim sobre veterinária rs

Beatriz Monteiro E se essa crise passar, tenho medo dela voltar lá pro 3º, 4º ano.

Renata Aquino E nunca vai sumir. Se você fizer veterinária, vai imaginar como teria sido em História (porque mesmo que você faça História depois, não vai ser a mesma coisa, você não vai ser a mesma Bia), se você teria conseguido, em que teria se especializado. É parte da vida e vai te seguir onde você vá.

Beatriz Monteiro Tem como fazer graduação em História e pós em Veterinária não?


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Depois disso tudo, mandei esse vídeo para a Bia ver. Acho que "endurece" meus argumentos!
http://www.youtube.com/watch?v=HcChwiCGKAo

História

Uma das coisas que mais me foram úteis esse ano que eu estudei na faculdade foi a teoria da História, por assim dizer. Como ela surgiu, qual era sua função... o que foi pensado e feito dela no decorrer dos tempos. Minhas matérias mais legais foram Introdução aos Estudos Históricos e Teoria, Métodos e Historiografia, com o mestre Grynszpan.
Desde o primeiro semestre que eu e meu namorado ficávamos discutindo qual era a matéria mais importante. Ainda bem que foi por pouco tempo; não demoramos a chegar no óbvio: as duas matérias têm as suas devidas importâncias, cada uma no seu canto. Então começamos a discutir sobre outra questão epistemológica, aparentemente a mesma de antes, mas só aparentemente: qual é a importância delas? Bem, durante um tempo ele ganhou as discussões, claro... é muito fácil dizer qual é a importância da Física. Se eu estou digitando num notebook e vou publicar isso na internet, é porque um monte de nerds viciados em rpg e sem vida social (brincadeira, amorzinho ou não) fizeram isso*. Ponto. Mas e História?
Bem, História.
Hm.
Pensemos logo o óbvio para o nosso capitalismo sanguessuga do século XXI: não serve pra nada. Não me ajuda a extrair petróleo. Não me ensina a erguer um prédio ou uma ponte. Mas isso não é bem meu foco agora. Daqui a pouco farei um post com alguns comentários no facebook de uma amiga da faculdade que é parte agora do meu objetivo de vida: fazê-la desistir de desistir de História.
O que eu quero falar aqui é sobre como minha matéria linda e fofa expandiu minha mente. (Pelo menos é assim que eu gosto de ver. Não quero ser contrariada.) Estudar todas aquelas matérias aparentemente inúteis (coisas que não eram, mas minha revolta com o assunto fica para outro post) que me fizeram tão bem. Como, por exemplo: ainda não suporto funk e tenho certas reservas com quem gosta, mas não consigo mais não olhar (ouvir) um funk e não parar pra refletir como ele reflete o meio de alguém. Culpa da antropologia (falar de Antropologia me lembra meu professor alemão falando culturra, Malinowski dizendo: "imagine-se o leitor sozinho numa praia deserta" e o cheiro da sala 303, onde levei meu trote). Com as coisas que eu li em Sociologia, fico assistindo Clube da Luta** e tentando aplicar teorias, e isso é divertido. Foi isso que me atraiu em História no ensino médio: entender a humanidade. Com essas matérias (História, Sociologia e Antropologia) eu me sinto, prepotentemente, olhando as pessoas de cima, e tentando entender o que diabos estão fazendo e porque.
Não sei.
Nunca saberei. O melhor professor que eu tive me disse que ele quis fazer História por isso, para entender. E me disse em seguida que no primeiro semestre descobriu que nunca entenderia.
Mas isso é belo. Eu gosto.

Isso começou a me lembrar minha última aula de TMH.
As aulas de TMH são as melhores.
Outro dia eu, @RafaelOBraganca e Filipe fomos para as barcas discutindo como aplicar os conceitos de Foucalt para a reforma Passos no Rio para o trabalho de Geohistória na parte territorialização e desterritorialização.
Sério.
Mesmo.
Acabou que pensei numa coisa e falei outra: isso aconteceu depois de uma aula de Geohistória, não de TMH. Agora sim vou falar de TMH:
Grynszpan começou a falar sobre Hayden White e seu "Meta-História". Ele escreve nos anos 70. História está passando por uma crise existencial, por assim dizer... "Fazemos ciência ou somos 'só' um gênero?" Ele analisa o discurso dos historiadores do século XIX. Não no sentido de se eles analisam """"""""corretamente""""""""", ou com muita fonte, etc. Ele faz uma análise mais filosófica de o que era a História. Enfim, só comentando mesmo... Depois de mais uma aula eu posso escrever melhor. Risos.

Agora, finalmente, o que eu amo sobre estudar História:
Entender o que eu posso fazer e o que vem disso. Eu sou produto do meu tempo, do meu meio, das minhas relações. Como meu professor alemão vivia dizendo, socialmente construída. Logo, eu sou de agora e de nenhum outro momento ou lugar. Eu sou uma garota nascida e criada no Rio de Janeiro, com 18 anos, nascida pouco tempo depois do fim do mundo bipolar. Eu não consigo não ser isso. Isso vale ao inverso: eu nunca serei, entenderei completamente, verei as coisas e etc, do mesmo modo que alguém baiano, de 40 anos. Sou carioca, adolescente-adulta, criada lendo literatura infanto-juvenil do tipo Monteiro Lobato, Sir Conan Doyle e Harry Potter, e que agora faz faculdade de História. Mas mesmo assim, se tivesse alguém com essas mesmas características, eu não entenderia a pessoa. Isso pode ser triste, mas eu acho mais belo do que triste. E sabe porque? Porque isso me pôs no meu lugar. Eu sou uma observadora, no máximo admiradora. Eu persigo algo que nunca vou alcançar. Nunca vou sentir de coração o que foi 1648.
Eu não consigo saber o que outras pessoas sentem, por mais próximas que sejam. É impossível. E não me cabe julgar, não me cabe descobrir essas pessoas. Quer dizer, é isso que eu faço, mas eu não posso fazer isso com a presunção de estar certa. Nem aquelas pessoas, aquelas sociedades, saberiam se definir. Por que diabos devo eu, então, afirmar que elas tinham um modo de produção asiático?!
Como se percebe, não gosto de certas afirmações. Claro que depende de como ela é feita. Mas no geral não gosto.
Então, eu simplesmente observo. E venho escrever um texto.

E sabe o que é lindo? Estou falando dos meus textos da faculdade mas isto é perfeitamente aplicável à vida.

É por isso que eu amo a minha faculdade.


* Depois vou escrever sobre as duas melhores coisas que eu fiz para o meu namorado, e para mim: ir na exibição de Obrigado por Fumar da Casa da Ciência da UFRJ e assistir Clube da Luta.
** Minha mãe vai me dar o livro que deu base ao filme! AEAEAE! Não tem edição brasileira, então vou comprar em inglês, mas não me importo de ler com um dicionário do lado. O discurso do Tyler Durden merece meu esforço.

sábado, 22 de outubro de 2011

Pronto,

fim de semestre, fim da paz. Surtar pensando no monte de páginas pra ler, nas próximas provas, nas próximas notas, e nos trabalhos. Fim de semestre.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

"Rebobine, Por Favor", idéia de passado e poder da arte

"Be Kind, Rewind" é um filme dirigido por Michael Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças), de 2009. É sobre dois amigos que após um deles conseguir apagar o conteúdo de todas as VHS da locadora onde o outro trabalha, vão refazer os filmes eles mesmos. A gente vê então dois caras vestidos de alumínio, usando coisas natalinas e uma biblioteca pública para refilmar Ghostbusters. O filme já valeria a pena só por isso, por ressuscitar o tema do filme clássico. Mas aí a gente ainda vê Robocop, Conduzindo Miss Daisy, 2001: Uma Odisséia no Espaço... é louco e divertido. E não que precisasse de confirmação (por causa do trabalho incrível em Eternal Sunshine), mas fica mais claro ainda o talento de Michael Gondry e sua criatividade com cenários.
Porém, o que me levou a escrever não foi exatamente a qualidade do filme. Duas cenas do filme me fizeram pensar: em 1h e 20min de filme, uma personagem (a Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary...) diz "Nosso passado nos pertence. Podemos mudá-lo se quisermos." e mais para o final do filme quando ao exibir o resultado final, a história do Fats Waller, a felicidade das pessoas.
Nós, historiadores, decidimos o que vai ser tratado como história. No século XIX só era relevante o que fosse documentação oficial, proveniente do governo, exército, etc. No século XIX, após o pensamento romântico alemão que valorizava cultura popular e as particularidades de cada povo, vêm os Annales, a idéia de fonte se torna muito mais abrangente. Hoje em dia se me der na telha eu posso usar como fonte aquelas corações marcados nas árvores do Jardim Botânico. Não sei porque escrevi isso. Só achei curioso essa fala porque na minha aula de Geohistória de hoje (com o Rogério Haesbaert, é legal dizer que sou aluna dele porque o cara é fodão e conhecido mundialmente na área de geografia humana, sinto orgulho) o professor estava discutindo conceitos de lugar, e uma das características na visão mais conservadora de lugar era a memória espacial. Enfim, falei demais. Vou direto ao ponto: como muitas vezes, esse texto foi escrito em parte porque meu objetivo na vida é dar ao meu namorado um argumento irrefutável da importância da História (pode parecer fútil*, mas eu sinto que se eu conseguir isso, conseguirei convencer todos os alunos que eu tiver na vida e a minha faculdade terá mais sentido), e nos últimos dias tenho conversado com ele que História é algo que todo ser humano gosta, ama. História é vida, vida é História. Todo mundo, sempre, gosta/gostou/gostará de História/histórias/estórias. Cada civilização, pessoa, tempo, ao seu modo. Se se parar pra pensar, cada tipo de arte é um modo de contar uma história; o que me leva à segunda coisa que me interessou no filme.
Quando as pessoas que frequentavam a locadora e participavam do filme o assistiram, todas estavam emocionadas, com lágrimas nos olhos. Era uma história da qual eles haviam participado (aqui o modo de se contar algo é pelo cinema) da produção e da filmagem. É lindo. Eles mudam sua história, usam-na ao seu bel prazer (isso aqui só entende bem quem viu o filme), e se põem como parte dela (o que de fato são mesmo). Eles são os historiadores. Todo mundo é um historiador. O que eu pensei: no poder da arte. No fim do filme aparentemente a cidade inteira está tocada pelo filme, rindo, unida em volta dele. Eu sou preconceituosa e quando falo em literatura, por exemplo, há livros que eu não aceito sob esse título; mas, pensando bem, até uma borboleta voando perto dos olhos, é arte, a partir do momento que isso me toca de qualquer modo, seja pela beleza do movimento, pelo seu vazio, seja por qualquer sentimento que me cause. E o mais interessante, que causa em todos, em grande ou pequena escala, mas que causa.


*Um pouco fútil, sim, mas vários colegas de faculdade passam por isso; então, está mais pra algo normal.

sábado, 17 de setembro de 2011

Aprovada

As coisas mudaram de verdade agora. Eu não me sinto mais como antigamente. Não sinto como se nada me afligisse, pelo menos não as coisas de antigamente. Não me sinto mais como se estivesse à beira de explodir. Eu sei um pouco mais sobre como eu sou e aprendi um pouco mais sobre como lidar comigo mesma. Sinto-me capaz de acertar agora. Eu me sinto mal sobre tudo que aconteceu, sobre o que eu fiz e sobre o que eu não fiz, mas não estou me torturando agora; eu tive as minhas lições, e agora acho que o que aconteceu iria acontecer de qualquer jeito, era algo fora da minha alçada. Parece que tudo vai começar de novo, estou no zero. Eu me sinto maior, me sinto mais capaz. Sinto como se tivesse cometido todos os erros que poderia, então não tenho mais pesos nos ombros. As coisas ainda estão um pouco nebulosas, parece que "meu território" ainda está delimitando suas fronteiras, mas vai melhorar. Eu tenho fé agora. Depois de afastar tanto, e pensar em tanta coisa, em sentir tanta coisa, eu sinto falta de muita coisa que não volta mais; mas aprendi a cuidar de uma coisa que eu quero pra sempre, e dessa vez eu não tenho dúvidas. É por isso que eu gosto tanto de One and Only da Adele: "God only knows why it's taken me so long to let my doubts go,
you're the only one that I want". E é tão bom ter certeza de algo sem ficar imaginando se isso é alguma mania de conforto ou coisa do tipo. Neste exato momento eu me sinto como se tivesse feito a prova final de algo que eu estava penando pra aprender. E guess what, eu passei!

domingo, 1 de maio de 2011

Inconstante

Ninguém pode me conhecer. Ninguém pode saber quem eu sou. Acredito que não exista nada em mim que seja para sempre. E isso me assusta. Parece que ninguém pode confiar em mim, nem eu mesma.
Esses dias tenho pensado em quando eu começar a ficar muito amiga de alguém, fazer uma espécie de aviso antes. Vou dizer que iniciarei a nossa amizade dizendo que odeio festas, e algum tempo depois estarei procurando chances de ir numa boate. Acho que isso talvez fosse justo. Seria pelo menos uma tentativa de avisar o que viria pela frente.
Ignorando a corrente de pensa'mentos que jorram a cada palavra que eu escrevo, ignorando o jorro de aflições e angústias que as minhas próprias frases me causam, tentarei voltar ao início do texto: ninguém É algo. Quer dizer, eu acho. Sei (acho que sei) que eu não sou. Agora eu gosto de vermelho, mas quando eu acordar vou procurar uma blusa verde. O que me fez escrever esse texto foi a seguinte frase que li na bio do twitter de um amigo: "Procure a verdade do meu coração em meu olhar, não em minhas palavras". Eu, quanto a mim, acho que não confiaria nem no meu olhar. Quer dizer, até confiaria... com as suas devidas precauções. Eu não acredito, sinto, vejo, toco qualquer coisa do mesmo jeito pra frente. É tudo efêmero, momentâneo. Neste momento, vejamos: estou tendo uma crise que normalmente não teria e que me leva a ter medo de que certas coisas se repitam; estou sentido algo bem diferente do que sentia em relação a uma certa coisa algum tempo antes. E coisas assim.
Se bem que há esperança: se alguém me oferecesse chocolate neste momento, eu aceitaria. E acho difícil imaginar alguma situação onde eu recusasse.

E como tudo é efêmero, e como minha mãe é um anjo de pessoa e me deu chocolate, e como chocolate libera serotonina que me faz me sentir bem, e como eu só escrevo quando eu estou "mal", o que eu pensava no começo e durante o texto sumiu e ele acaba aqui.

domingo, 17 de abril de 2011

Descobertas de Ariadne: Amizade

Descobertas de Ariadne: Amizade: "Prédio de concreto Como testemunha da nossa amizade Um livro que causa discussão Sentados na arena Discutindo uma solução Risadas no ônib..."

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A propósito,

faltam 11 dias para o meu aniversário de 18 anos. E eu não tô nem um pouco ansiosa.

O Retorno

Olha quem voltou.

Eu voltando a escrever: mau sinal.

Mas hein... estou na faculdade. Sou universitária. Futura historiadora.
Sim, eu deveria estar mais animada, não fosse meu atual momento de fossa. Tem alguma coisa errada e eu não sei o que é. Estou escrevendo para achar o erro que eu espero que meu inconsciente ponha nessas entrelinhas.
Quando eu estou deprimida tenho impulsos de ir fazer Letras. Só consigo pensar em literatura. Aí eu fico irritada, com medo de estar no curso errado, blablabla. Não aguento mais ouvir falar em Durkheim ou no surgimento das ciências sociais. Tô com vontade de ler Jane Austen, ou O Morro dos Ventos Uivantes... mas tenho bíblias pra ler. Blé.
Tem algo realmente errado. Eu me sinto sozinha. Sinto como se estivesse chegando um tufão. Vou entrar em algum momento de crise ou algo assim. Não sei bem porque eu acho isso.

Sabe, uma das únicas coisas dos últimos tempos que eu posso dizer com certeza: bocas têm pensamento próprio.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

História 2011

Eu tenho tido uns dias realmente difíceis pra escolher entre UERJ e UFF. Passei nas duas mas preferia ter passado só em uma. Basicamente, para mim, neste momento: UFF = perigos, UERJ = segurança. Eu preciso de segurança, preciso estar sempre em bases sólidas... mas nunca quis a uerj. Passei por uma odisséia de enfrentar medos e paranóias, aceitar que tem coisas que não vou poder controlar, me jogar numa situação em que eu talvez perca um ano e etc... estou arriscando. Isso é muito novo pra mim e qualquer coisa que não pareça boa que eu ouço me dá mais medo. Bem, enfim, é legal mudar um pouco, só pra variar. Não vou poder controlar tudo na minha vida, né? Acho que nem disse claramente, mas eu escolhi a UFF. :)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Reveillon

Copacabana

Beleza é alimento

Ser humano se alimenta de beleza. O ser humano precisa viver com coisas lindas. Seu estado de espírito, seu modo de ver a vida, tudo é proporcional ao tanto de beleza que ele consome, vê, sente. É isso que nos leva a fazer coisas idiotas. É isso que nos leva a crer em mentiras. É isso que nos faz achar, por exemplo, que um relacionamento defeituoso onde o que existia era uma vida chata era muito melodramaticamente romântico, então era bonito, então talvez aquela fosse a pessoa certa. É isso que nos faz achar sempre que amamos, que nos faz procurar amor em cada canteiro e até em lata de lixo; não dá pra viver sem isso. Nós corremos atrás do amor até criar uma proteção no rosto, depois ter esbarrado em paredes tão duras e tantas vezes. Paredes que pareciam feitas de vapor, de cheiro de flores numa primavera especial, e que por isso nos embriagavam e nos faziam acreditar que íamos chegar naquele lugar além de tudo... mas no final, no maldito final (que é "sempre ruim" se não "seria um começo", muito bem colocado) são só tijolos.

(Eu não sei como terminar esse texto. É uma dissertação sem conclusão.)

Eu amo uma pessoa. Sei que amo. Não estou admitindo aqui amor como tudo aquilo tão idealizado, o que acaba nos levando a ter sempre um certo medo, receio, de dizer "eu te amo". Eu amo, só. Eu me sinto feliz e quero estar com ele.
Isso me leva a fazer planos, a sonhar. A falar como seria a nossa casa (com quintal porque eu quero ter um cachorro), sobre as viagens (quero conhecer Bariloche, parece tão belo), sobre filhos (uma menina, Sophia, com "ph" porque eu quero que venha da palavra grega...), sobre uma vida (feliz). Eu tenho medo. Tenho medo que essa seja mais uma parede de tijolos. Normalmente eu simplesmente me jogaria porque nos últimos tempos eu não me importo de cair, desde que a queda valha a pena. Porém, com as reflexões de hoje em dia... e se eu me tornar amarga? Se não der certo e eu não aceitar, e se eu acabar com a minha vida (metaforicamente falando) por causa disso? Talvez eu não quisesse me envolver tanto, mas eu não quero realidade na minha vida, eu quero romance. Todo mundo quer isso, mesmo que negue. Eu quero ser feliz com essa pessoa e para sempre. E não quero me separar depois, mesmo que se eu olhar para trás eu tenha tido belíssimos momentos.

Não sei mais o que dizer. Acho que eu só não quero que eu tenha momentos sem beleza na minha vida.


A arte existe porque a vida não basta.
                         Ferreira Gullar