Clicadas

domingo, 1 de maio de 2011

Inconstante

Ninguém pode me conhecer. Ninguém pode saber quem eu sou. Acredito que não exista nada em mim que seja para sempre. E isso me assusta. Parece que ninguém pode confiar em mim, nem eu mesma.
Esses dias tenho pensado em quando eu começar a ficar muito amiga de alguém, fazer uma espécie de aviso antes. Vou dizer que iniciarei a nossa amizade dizendo que odeio festas, e algum tempo depois estarei procurando chances de ir numa boate. Acho que isso talvez fosse justo. Seria pelo menos uma tentativa de avisar o que viria pela frente.
Ignorando a corrente de pensa'mentos que jorram a cada palavra que eu escrevo, ignorando o jorro de aflições e angústias que as minhas próprias frases me causam, tentarei voltar ao início do texto: ninguém É algo. Quer dizer, eu acho. Sei (acho que sei) que eu não sou. Agora eu gosto de vermelho, mas quando eu acordar vou procurar uma blusa verde. O que me fez escrever esse texto foi a seguinte frase que li na bio do twitter de um amigo: "Procure a verdade do meu coração em meu olhar, não em minhas palavras". Eu, quanto a mim, acho que não confiaria nem no meu olhar. Quer dizer, até confiaria... com as suas devidas precauções. Eu não acredito, sinto, vejo, toco qualquer coisa do mesmo jeito pra frente. É tudo efêmero, momentâneo. Neste momento, vejamos: estou tendo uma crise que normalmente não teria e que me leva a ter medo de que certas coisas se repitam; estou sentido algo bem diferente do que sentia em relação a uma certa coisa algum tempo antes. E coisas assim.
Se bem que há esperança: se alguém me oferecesse chocolate neste momento, eu aceitaria. E acho difícil imaginar alguma situação onde eu recusasse.

E como tudo é efêmero, e como minha mãe é um anjo de pessoa e me deu chocolate, e como chocolate libera serotonina que me faz me sentir bem, e como eu só escrevo quando eu estou "mal", o que eu pensava no começo e durante o texto sumiu e ele acaba aqui.