"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a uma nova estrela." Nietzsche
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
Porque é uma hipocrisia saudável
FELIZ NATAL, GALERA LINDA!
15 de novembro, dia da primeira prova da UFRJ. Estou num ônibus com a Natália e num ônibus a nossa frente eu vejo um anúncio de promoção de cartão de crédito, e num canto do anúncio, tem escrito: "Stop and shop"; "pare e compre". Isso me deixou realmente preocupada. Um pouco mais antigamente (pelo o que eu lembro de quando eu era criança, pelo menos) as coisas eram mais escondidas, mais "disfarçadas". Tudo bem, não significa que não existisse, mas pelo menos não era tão incentivado, sabe? E não parecia tão normal, e provavelmente não era tão absurdo quanto hoje em dia. Como a religião era mais forte* ainda havia algum cuidado em não mudar o sentido do Natal. Hoje em dia não. Tá tudo escancarado. Seja esse anúncio que eu falei, seja outro anúncio de um shopping em que as pessoas falam DESCARADAMENTE "eu amo o Natal porque eu posso ganhar uma BMW", seja comercial de cartão de crédito que chegou ao CÚMULO de cantarem "pagar com dinheiro, que cosa tristê". Se fuder, porra! Eu pago com dinheiro a merda que eu quiser porque não vou me deixar levar e ficar devendo pra uma porcaria de cartão de crédito. Olha, eu não sou uma pessoa com família enorme e feliz que come horrores. Eu como pouquíssimo e passo o natal só com o meu pai e com a minha mãe, que não são tão animados. Eu só fico rindo com a minha mãe falando de coisas aleatórias e me cortando quebrando nozes. Ou seja, eu não tenho o melhor natal do mundo, então não tenho grandes motivos pra adorar esse feriado. Também não sou religiosa, aliás tô meio perigosamente longe disso, pra defender a comemoração do nascimento do menino Jesus (que nem foi hoje pelo que parece né, mas enfim), e etc etc. O que importa é: tem falsidade? Tem. Tem hipocrisia? Tem sim, muita. Mas por acaso isso não existe o ano todo? O que que custa se doar a um feriado pra tentar ficar bem com a família, mesmo com quem a gente não gosta? O que que custa parar de ser implicante e problemático? Não vejo tanta graça em ter orgulho e gostar de ser do contra se chamando de Grinch. Natal é legal. É uma hipocrisia (que não é universal) SAUDÁVEL.
* Eu tenho pensado muito sobre o que eu conceituava como "ruim". Exemplo: ditadura. Só o nome me dá nojo. Mas, se eu pensar em Cuba (levando em conta que eu sei POUQUÍSSIMO de Cuba, tá? Só o que a minha professora de História linda e socialista de carteirinha falou), o que o Fidel tem lá é uma ditadura, mas o sistema de saúde e o de educação funcionam. Isso é ótimo. A cultura é censurada, mas né, tem saúde e educação.
Outro exemplo é que, isso eu tô meio que chutando porque nunca analisei um exemplo a fundo mas imagino que seja assim, uma cidade por exemplo onde a religião é forte: existe moralidade e um monte de coisa CHATA e que me ENOJA; porééém, deve ter um natal fodão. Porque a mesma moralidade que pode vir a ser um inferninho, obriga as famílias a se unirem e serem boas (independente dos porquês de o serem). E isso é legal.
Enfim, estou só tentando fazer uma reflexão mal organizada e no calor do momento pra dizer que nada é de todo ruim. E que se pararmos pra avaliar o nosso tempo como está agora, a sociedade se tornando cada vez mais de um consumismo violento, qualquer coisa que pregue união entre pessoas (mesmo que já não tanto como antes) deve ser valorizada e se possível fortalecida. Afinal, por mais que eu ame comprar e ganhar presentes, são as pessoas que me fazem felizes. Eu não ia conseguir viver afogada nos meus livros e nos meus dvds, mas sem a minha mãe, meu pai...
15 de novembro, dia da primeira prova da UFRJ. Estou num ônibus com a Natália e num ônibus a nossa frente eu vejo um anúncio de promoção de cartão de crédito, e num canto do anúncio, tem escrito: "Stop and shop"; "pare e compre". Isso me deixou realmente preocupada. Um pouco mais antigamente (pelo o que eu lembro de quando eu era criança, pelo menos) as coisas eram mais escondidas, mais "disfarçadas". Tudo bem, não significa que não existisse, mas pelo menos não era tão incentivado, sabe? E não parecia tão normal, e provavelmente não era tão absurdo quanto hoje em dia. Como a religião era mais forte* ainda havia algum cuidado em não mudar o sentido do Natal. Hoje em dia não. Tá tudo escancarado. Seja esse anúncio que eu falei, seja outro anúncio de um shopping em que as pessoas falam DESCARADAMENTE "eu amo o Natal porque eu posso ganhar uma BMW", seja comercial de cartão de crédito que chegou ao CÚMULO de cantarem "pagar com dinheiro, que cosa tristê". Se fuder, porra! Eu pago com dinheiro a merda que eu quiser porque não vou me deixar levar e ficar devendo pra uma porcaria de cartão de crédito. Olha, eu não sou uma pessoa com família enorme e feliz que come horrores. Eu como pouquíssimo e passo o natal só com o meu pai e com a minha mãe, que não são tão animados. Eu só fico rindo com a minha mãe falando de coisas aleatórias e me cortando quebrando nozes. Ou seja, eu não tenho o melhor natal do mundo, então não tenho grandes motivos pra adorar esse feriado. Também não sou religiosa, aliás tô meio perigosamente longe disso, pra defender a comemoração do nascimento do menino Jesus (que nem foi hoje pelo que parece né, mas enfim), e etc etc. O que importa é: tem falsidade? Tem. Tem hipocrisia? Tem sim, muita. Mas por acaso isso não existe o ano todo? O que que custa se doar a um feriado pra tentar ficar bem com a família, mesmo com quem a gente não gosta? O que que custa parar de ser implicante e problemático? Não vejo tanta graça em ter orgulho e gostar de ser do contra se chamando de Grinch. Natal é legal. É uma hipocrisia (que não é universal) SAUDÁVEL.
* Eu tenho pensado muito sobre o que eu conceituava como "ruim". Exemplo: ditadura. Só o nome me dá nojo. Mas, se eu pensar em Cuba (levando em conta que eu sei POUQUÍSSIMO de Cuba, tá? Só o que a minha professora de História linda e socialista de carteirinha falou), o que o Fidel tem lá é uma ditadura, mas o sistema de saúde e o de educação funcionam. Isso é ótimo. A cultura é censurada, mas né, tem saúde e educação.
Outro exemplo é que, isso eu tô meio que chutando porque nunca analisei um exemplo a fundo mas imagino que seja assim, uma cidade por exemplo onde a religião é forte: existe moralidade e um monte de coisa CHATA e que me ENOJA; porééém, deve ter um natal fodão. Porque a mesma moralidade que pode vir a ser um inferninho, obriga as famílias a se unirem e serem boas (independente dos porquês de o serem). E isso é legal.
Enfim, estou só tentando fazer uma reflexão mal organizada e no calor do momento pra dizer que nada é de todo ruim. E que se pararmos pra avaliar o nosso tempo como está agora, a sociedade se tornando cada vez mais de um consumismo violento, qualquer coisa que pregue união entre pessoas (mesmo que já não tanto como antes) deve ser valorizada e se possível fortalecida. Afinal, por mais que eu ame comprar e ganhar presentes, são as pessoas que me fazem felizes. Eu não ia conseguir viver afogada nos meus livros e nos meus dvds, mas sem a minha mãe, meu pai...
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Reflexão
Escrever. Usar essas coisas pequenas e estranhas, letras, para formarem sons. Coisas que o papel não fala, mas a gente lê. Sinestesia pura. A gente ouve algo que a gente vê. E sente essa sinestesia no fundo do coração. Sente nos olhos quando a gente chora. Escrever é lindo. Ler é maravilhoso. Essa mistura desse código estranho que te faz sentir coisas mais estranhas ainda, que te faz pensar, que, meu Deus!, te torna até uma pessoa melhor! É tudo tão incrível. A vida é pequena e parece não ter sentido, mas tem umas coisas lindas, eu tenho que admitir. E que nos enganam tão bem!
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Dançando no Escuro, Lars Von Trier (2000)
Tô com vontade de escrever, mas não quero falar daquilo que eu falo sempre e que cansa até a mim: eu mesma. Então vou falar de Dançando no Escuro, filme do Lars Von Trier (diretor que me dá medo, eu sempre penso nele como um louco que me faria sofrer num filme só porque eu sou mulher) que eu assisti com a Karina na sexta-feira passada.
Então. A premissa de Dançando no Escuro tem tudo pra ser só mais um filme de drama. Uma mulher (Bjork) que trabalha mais do que deveria, devido ao seu problema de vista que a está levando a cegueira, para pagar uma cirurgia para o seu filho que tem o mesmo problema que ela. Nesse contexto há um vizinho, o dono da sua casa alugada, dependente da esposa e que faz tudo por ela; um apaixonado, uma amiga fiel, etc e tal. E, principalmente: a personagem principal é apaixonada por musicais.
Pois bem, só que em se tratando de Lars Von Trier, as coisas ficam mais interessantes. O filme é feito (não totalmente, mas na minha opinião nem tão longe assim) dentro do que exige o Dogma 95 (Dogma 95 é uma doutrina que diz que os filmes não devem ter pós-produção, as cenas devem ser gravadas na ordem cronológica da história do filme porque não deve ter edição, trilha sonora tem que estar dentro da cena, iluminação o mesmo... Ao todo são 10 deveres desse modo de se fazer cinema, que visa a valorização do enredo, e não do visual, por assim dizer). É isso que o torna interessante. Filmes que não focam tanto seu lado visual, ao contrário, direcionam esse foco para os personagens, ganham a minha simpatia. Os focos no rosto do personagem sem qualquer tipo de "nhém nhém nhém", aquela coisa crua, que exige que o ator e sua arte sejam a única coisa a ganhar o telespectador, são muito bons.
A atriz, uma cantora islandesa, Bjork, me impressionou. Ficou muito bem com o estilo do filme. Não foi à toa que ganhou vários prêmios. Ela atuou de verdade: em algumas cenas ela me lembrou minha mãe, com a sua naturalidade, sorrisos sinceros, tristezas sinceras.
O que eu gosto nos filmes do senhor Trier são as pequenas (no caso deste filme) críticas dele. No caso deste, embora em menor intensidade do que em Dogville (que é crítica pura em si só) por exemplo, há um pouco de crítica a hipocrisia humana. Usual.
O filme é bem feito, tem uma atuação que chama atenção... e para pôr a cereja em cima do bolo, as músicas que Bjork compôs para o filme. Lindas. E ficaram tão belas nas cenas em que ela canta e dança... Nem vou comentar da cena final. Incrível.
No geral, tecnicamente, é um filme muito bom, diferente e interessante. É bom ver esse tipo de filme sempre que possível, pra fugir das coisas que nos são forçadas garganta adentro atualmente. Só é bom ressaltar que a história não é tão diferente, só o modo como é feito. Mas já é um grande começo.
Nota: 8,0
Então. A premissa de Dançando no Escuro tem tudo pra ser só mais um filme de drama. Uma mulher (Bjork) que trabalha mais do que deveria, devido ao seu problema de vista que a está levando a cegueira, para pagar uma cirurgia para o seu filho que tem o mesmo problema que ela. Nesse contexto há um vizinho, o dono da sua casa alugada, dependente da esposa e que faz tudo por ela; um apaixonado, uma amiga fiel, etc e tal. E, principalmente: a personagem principal é apaixonada por musicais.
Pois bem, só que em se tratando de Lars Von Trier, as coisas ficam mais interessantes. O filme é feito (não totalmente, mas na minha opinião nem tão longe assim) dentro do que exige o Dogma 95 (Dogma 95 é uma doutrina que diz que os filmes não devem ter pós-produção, as cenas devem ser gravadas na ordem cronológica da história do filme porque não deve ter edição, trilha sonora tem que estar dentro da cena, iluminação o mesmo... Ao todo são 10 deveres desse modo de se fazer cinema, que visa a valorização do enredo, e não do visual, por assim dizer). É isso que o torna interessante. Filmes que não focam tanto seu lado visual, ao contrário, direcionam esse foco para os personagens, ganham a minha simpatia. Os focos no rosto do personagem sem qualquer tipo de "nhém nhém nhém", aquela coisa crua, que exige que o ator e sua arte sejam a única coisa a ganhar o telespectador, são muito bons.
A atriz, uma cantora islandesa, Bjork, me impressionou. Ficou muito bem com o estilo do filme. Não foi à toa que ganhou vários prêmios. Ela atuou de verdade: em algumas cenas ela me lembrou minha mãe, com a sua naturalidade, sorrisos sinceros, tristezas sinceras.
O que eu gosto nos filmes do senhor Trier são as pequenas (no caso deste filme) críticas dele. No caso deste, embora em menor intensidade do que em Dogville (que é crítica pura em si só) por exemplo, há um pouco de crítica a hipocrisia humana. Usual.
O filme é bem feito, tem uma atuação que chama atenção... e para pôr a cereja em cima do bolo, as músicas que Bjork compôs para o filme. Lindas. E ficaram tão belas nas cenas em que ela canta e dança... Nem vou comentar da cena final. Incrível.
No geral, tecnicamente, é um filme muito bom, diferente e interessante. É bom ver esse tipo de filme sempre que possível, pra fugir das coisas que nos são forçadas garganta adentro atualmente. Só é bom ressaltar que a história não é tão diferente, só o modo como é feito. Mas já é um grande começo.
Nota: 8,0
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Amargo*
Não sei. Simplesmente isso: não sei. Nada do que eu pensava parece fazer sentido. Parece que eu tenho consistência de gelatina. Nada do que eu acredito parece ser verdade. Nada parece eterno, nada mais parece que vai me dar a certeza de alguns (ótimos) anos atrás. Eu não quero ser sábia. Não quero saber o que é certo ou errado. Sinceramente, não me importo de estar errada. Mas eu quero acreditar. Eu preciso acreditar em alguma coisa. Eu preciso de uma certeza. Eu preciso de algo com "moldura em granito", foi mais ou menos assim que Drummond disse (num poema que odeio pensar assim, mas infelizmente, concordo e acredito).
Será que não existe nada eterno? Não há nenhuma certeza além da morte? Será que há em algum canto não explorado uma pessoa que jamais vá decepcionar alguém importante?
Eu me sinto vazia, e é isso que me mata. O vácuo me sufoca. O vácuo afogou as minhas crenças, as minhas confianças. Eu finjo que acredito pra ver se se torna verdade.
Eu vejo coisas que eu não via antes e preferia não ver. Coisas que me põem um peso nos ombros que eu não me sinto capaz de carregar. Tem tanta gente mais forte que eu... por que eu devo aguentar tudo isso?
Acho que estou deixando de ser cega. Estou vendo o que, por bondade?, se escondia de mim.
É tudo tão ruim, tão feio, tão horrível, tão sem fim. É um infinito de coisas que me fazem sentir fraca e incapaz. Errada, pecadora. Eu não sou nada. Nada. Só mais uma. Só mais alguém que provavelmente não vai fazer diferença.
Eu não vejo futuro, às vezes. Como eu poderia aguentar?
Quando meus pensamentos tomam esse rumo depressivo eu começo a me desacreditar. A falar pra mim mesma, e mais uma vez me forçar a acreditar, que tudo isso não é nada, que não é passageiro, assim como todos ao meu redor têm me dito. O interessante é que às vezes, na minha linha bêbada de pensamentos, eu acredito. Aí eu penso como eu sou idiota. Como eu sou fraca (de novo!) e como eu sou egocêntrica. Como eu penso em tudo como sendo sobre mim... e não é. Mas eu não sinto isso. Só digo porque provavelmente é o mais racional e é algo que se espera na minha idade. Argh, bléh, eca! Minha idade. Era feliz com 16, 15, 14... Acho que vou ficar embaixo da cama ano que vem quando fizer 18. Mas hein, será que meu egocentrismo é resultado do fato de eu ser filha única? Um psicólogo (ou psiquiatra, não entendo bem) diria que sim. Aí eu penso... será que todas as coisas da minha infância vão gerar um resultado tão desastroso assim pro resto da minha vida? (Minha infância não foi monstruosa. Só fui meio solitária, mas tudo bem, isso me fez ler mais. O problema é aquele drama constante e etc que de vez em quando me fazia achar que várias coisas eram as últimas. Acostumei.)
Voltando ao que eu ia dizer: às vezes, quando consigo me enganar, eu tenho um ataque de carpe diem. Uhul, vamos para a Lapa! Vamos a cinema inteira para o cinema! Vou passar a semana inteira na casa de amigos! Vou ver os filmes que eu ainda não vi, os clássicos, aqueles de faroeste!
Aí eu volto a pensar e "não seja idiota. Você está sentindo como se não gostasse de ninguém. Vazia até de sentimentos. Você, Renata, você. Sempre tão apaixonada... sempre tão cheia de sentimentos e de confusões por tê-los em demasia... agora sente como se tivesse poucos demais." E eu não sei o que eu prefiro: ter ou não ter, eis a questão.
No ápice de tudo, eu me forço a pensar que é momentâneo. Que isso tudo vai passar. É só essa maldita transição de fase de crescimento, alguma porcaria desse tipo que falam por aí. Passa. Mas eu não queria nem que acontecesse. Eu não queria mudar as minhas opiniões, eu não queria ver a verdade. Como que eu vou viver assim? Eu não fui feita pra isso. Eu preciso de coisas eternas e exatas. Ops, exatas, eu? Também não. Eu não sei quem eu sou, eu não sei do que eu gosto, eu não sei o que eu quero, eu não sei o que eu vou fazer, eu não sei o que vai durar. Eu só sei o que eu não quero.
E nessa angústia, nesse andar perdido, nessa linha de trem cheia de tantas encruzilhadas, dançando cega nesse escuro de uma ante-sala, eu fico. Sem saber de nada. Fui desconstruída e não me conformei com isso. Eu tenho um monstro interno que puxa as peças de volta. Eu não sei contra quem eu luto: contra os que destroem ou o monstro que pega as peças de volta. Ou melhor... não sei se devo lutar. À esta altura dá vontade de me jogar numa corrente e me deixar levar...
(Será que esse texto deveria se chamar Crescendo?)
* Achei! O título é: "Amargo"
Será que não existe nada eterno? Não há nenhuma certeza além da morte? Será que há em algum canto não explorado uma pessoa que jamais vá decepcionar alguém importante?
Eu me sinto vazia, e é isso que me mata. O vácuo me sufoca. O vácuo afogou as minhas crenças, as minhas confianças. Eu finjo que acredito pra ver se se torna verdade.
Eu vejo coisas que eu não via antes e preferia não ver. Coisas que me põem um peso nos ombros que eu não me sinto capaz de carregar. Tem tanta gente mais forte que eu... por que eu devo aguentar tudo isso?
Acho que estou deixando de ser cega. Estou vendo o que, por bondade?, se escondia de mim.
É tudo tão ruim, tão feio, tão horrível, tão sem fim. É um infinito de coisas que me fazem sentir fraca e incapaz. Errada, pecadora. Eu não sou nada. Nada. Só mais uma. Só mais alguém que provavelmente não vai fazer diferença.
Eu não vejo futuro, às vezes. Como eu poderia aguentar?
Quando meus pensamentos tomam esse rumo depressivo eu começo a me desacreditar. A falar pra mim mesma, e mais uma vez me forçar a acreditar, que tudo isso não é nada, que não é passageiro, assim como todos ao meu redor têm me dito. O interessante é que às vezes, na minha linha bêbada de pensamentos, eu acredito. Aí eu penso como eu sou idiota. Como eu sou fraca (de novo!) e como eu sou egocêntrica. Como eu penso em tudo como sendo sobre mim... e não é. Mas eu não sinto isso. Só digo porque provavelmente é o mais racional e é algo que se espera na minha idade. Argh, bléh, eca! Minha idade. Era feliz com 16, 15, 14... Acho que vou ficar embaixo da cama ano que vem quando fizer 18. Mas hein, será que meu egocentrismo é resultado do fato de eu ser filha única? Um psicólogo (ou psiquiatra, não entendo bem) diria que sim. Aí eu penso... será que todas as coisas da minha infância vão gerar um resultado tão desastroso assim pro resto da minha vida? (Minha infância não foi monstruosa. Só fui meio solitária, mas tudo bem, isso me fez ler mais. O problema é aquele drama constante e etc que de vez em quando me fazia achar que várias coisas eram as últimas. Acostumei.)
Voltando ao que eu ia dizer: às vezes, quando consigo me enganar, eu tenho um ataque de carpe diem. Uhul, vamos para a Lapa! Vamos a cinema inteira para o cinema! Vou passar a semana inteira na casa de amigos! Vou ver os filmes que eu ainda não vi, os clássicos, aqueles de faroeste!
Aí eu volto a pensar e "não seja idiota. Você está sentindo como se não gostasse de ninguém. Vazia até de sentimentos. Você, Renata, você. Sempre tão apaixonada... sempre tão cheia de sentimentos e de confusões por tê-los em demasia... agora sente como se tivesse poucos demais." E eu não sei o que eu prefiro: ter ou não ter, eis a questão.
No ápice de tudo, eu me forço a pensar que é momentâneo. Que isso tudo vai passar. É só essa maldita transição de fase de crescimento, alguma porcaria desse tipo que falam por aí. Passa. Mas eu não queria nem que acontecesse. Eu não queria mudar as minhas opiniões, eu não queria ver a verdade. Como que eu vou viver assim? Eu não fui feita pra isso. Eu preciso de coisas eternas e exatas. Ops, exatas, eu? Também não. Eu não sei quem eu sou, eu não sei do que eu gosto, eu não sei o que eu quero, eu não sei o que eu vou fazer, eu não sei o que vai durar. Eu só sei o que eu não quero.
E nessa angústia, nesse andar perdido, nessa linha de trem cheia de tantas encruzilhadas, dançando cega nesse escuro de uma ante-sala, eu fico. Sem saber de nada. Fui desconstruída e não me conformei com isso. Eu tenho um monstro interno que puxa as peças de volta. Eu não sei contra quem eu luto: contra os que destroem ou o monstro que pega as peças de volta. Ou melhor... não sei se devo lutar. À esta altura dá vontade de me jogar numa corrente e me deixar levar...
(Será que esse texto deveria se chamar Crescendo?)
* Achei! O título é: "Amargo"
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O que foi
Respeito pelo o que foi
Receio de ignorar tudo que foi bom
Medo das fotos não terem mais porquê de ser
ou de simplesmente não emocionarem mais.
Minto.
Melhor dizendo,
o medo é do passado emocionar demais
por fazer pensar que é impossível voltar.
E o que revolta,
o que angustia,
é que tínhamos, achava eu,
tudo para provar que o para sempre existe.
Mas não. Agora sobrou só esse nada.
Esse vazio frustrante.
Temos forma, mas nenhum conteúdo
(foi sugado pela vida e suas ironias)
Agora só temos este respeito pelo o que foi.
Receio de ignorar tudo que foi bom
Medo das fotos não terem mais porquê de ser
ou de simplesmente não emocionarem mais.
Minto.
Melhor dizendo,
o medo é do passado emocionar demais
por fazer pensar que é impossível voltar.
E o que revolta,
o que angustia,
é que tínhamos, achava eu,
tudo para provar que o para sempre existe.
Mas não. Agora sobrou só esse nada.
Esse vazio frustrante.
Temos forma, mas nenhum conteúdo
(foi sugado pela vida e suas ironias)
Agora só temos este respeito pelo o que foi.
domingo, 5 de dezembro de 2010
A propósito...
AAAAAAAAACABOU O VESTIBULAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!!
POSSO SER NORMAL DE NOVO, POSSO LER, POSSO VER FILMES E SÉRIES SEM ME SENTIR INÚTIL
E VIVA O MEU DIREITO DE SER VAGABUNDA, MAS CULTA!
(a idéia de vagabunda culta veio de uma conversa com a @nataliiemoore)
POSSO SER NORMAL DE NOVO, POSSO LER, POSSO VER FILMES E SÉRIES SEM ME SENTIR INÚTIL
E VIVA O MEU DIREITO DE SER VAGABUNDA, MAS CULTA!
(a idéia de vagabunda culta veio de uma conversa com a @nataliiemoore)
Amizade
Já não acho mais que são verdades as coisas que parecem mais bonitas, pelo menos algumas, mas já é alguma coisa.
Comentando sobre aquela que eu conheço mais: amizade.
Não existe amizade "de verdade", ou pelo menos, esta não é eterna. Não há nada eterno. Tudo, absolutamente tudo, é passível de ter fim. Além disso, esse fim pode acontecer por quase que qualquer motivo; só precisa ser "desenvolvido do modo certo". Portanto: "amizade de verdade não tem fim" é lindíssimo, e é muito bom e bem mais fácil acreditar nisso... mas não é verdade. Pelo menos eu não acredito que seja. Pra mim, hoje em dia, isso parece absurdo demais para acreditar.
Poréééém!
Existe a amizade. Existem os momentos.
Acredito sim que exista uma relação belíssima entre duas pessoas sem segundas intenções ou interesses individuais. Não tem que durar pra sempre para ser de verdade. É uma noção que deve (eu devo) ser repensada e entendida. Sempre se pensa no sempre, no muitos anos e etc. E é muito gostoso acreditar nisso. É muito gostoso, confortável, doce e traz segurança acreditar que quando você tem algo, você nunca perde. Mas não é assim, essa não é a verdade.
É triste e perfeitamente possível que uma amizade que você ame e preze se perca por motivos que não estão ao seu alcance cuidar. (Ou pode acontecer de ser impossível ser menos egoísta.)
Afinal, o que eu quero dizer, e o que eu tenho que fazer, é que é preciso entender que as coisas têm fim e que isso é assim e pronto.
P.S.: "Nunca diga nunca" - Há coisas que eu preciso acreditar que são eternas.
Comentando sobre aquela que eu conheço mais: amizade.
Não existe amizade "de verdade", ou pelo menos, esta não é eterna. Não há nada eterno. Tudo, absolutamente tudo, é passível de ter fim. Além disso, esse fim pode acontecer por quase que qualquer motivo; só precisa ser "desenvolvido do modo certo". Portanto: "amizade de verdade não tem fim" é lindíssimo, e é muito bom e bem mais fácil acreditar nisso... mas não é verdade. Pelo menos eu não acredito que seja. Pra mim, hoje em dia, isso parece absurdo demais para acreditar.
Poréééém!
Existe a amizade. Existem os momentos.
Acredito sim que exista uma relação belíssima entre duas pessoas sem segundas intenções ou interesses individuais. Não tem que durar pra sempre para ser de verdade. É uma noção que deve (eu devo) ser repensada e entendida. Sempre se pensa no sempre, no muitos anos e etc. E é muito gostoso acreditar nisso. É muito gostoso, confortável, doce e traz segurança acreditar que quando você tem algo, você nunca perde. Mas não é assim, essa não é a verdade.
É triste e perfeitamente possível que uma amizade que você ame e preze se perca por motivos que não estão ao seu alcance cuidar. (Ou pode acontecer de ser impossível ser menos egoísta.)
Afinal, o que eu quero dizer, e o que eu tenho que fazer, é que é preciso entender que as coisas têm fim e que isso é assim e pronto.
P.S.: "Nunca diga nunca" - Há coisas que eu preciso acreditar que são eternas.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Eu e você, sobre você, para você, contigo
Encantada,
liberdade,
inesperado,
sincero,
estupendo,
ultra-romântico.
liberdade,
inesperado,
sincero,
estupendo,
ultra-romântico.
Só porque achei fofo:
Renata (R) diz (22:26):
quero meu cabelo assim de novo, mimimi
Natália Rezende diz (22:29):
*oooooownnnnnnnnnn
*tah linda*-*
Natália Rezende diz (22:30):
*foi assim que eu te conheciiiiii *-*
Renata (R) diz (22:30):
*Owwwwwnn *-*
(como a Natália me conheceu:)
Bom dia, queridos professores! (parte I)
![]() |
| Professor Cícero (de filosofia) e professora Regina (de história). Me deram aulas em dois anos do meu 2o grau. |
Não dá pra agradecer por tudo. Mas não custa tentar!
Obrigada por me fazerem pensar, cada um ao seu modo. Obrigada por mudarem minhas visões sobre coisas, a questionar, a não aceitar tudo que me impõem. Vocês são parte de mim e da história e da filosofia da minha vida!
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