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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Autobiografia: Monstro

O que eu achei que fosse momento,
parece permanente.
Um estado de espírito,
parece personalidade formada.
-
Com o tempo,
sem perceber, eu ensangüento.
Sem ver, eu afasto.
Cega, eu me isolo.
-
Há vezes em que só há minha sombra ao meu lado
(porque é obrigada, talvez?).
E a minha dolorida solidão que vai e volta e volta
Nesse momento de claridão que queima, eu vejo
que sou eu que me mantenho
sozinha e vazia no escuro.
-
A assassina sou eu.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Poema de uma garota cruel de quinze anos

Você é bonito. Te desejo.

Você é inteligente. Me envolvo.

Você é divertido, quero um beijo.

Quero um beijo, quero um abraço, quero um amasso.

-

Você me nega. Eu quero mais.

Você gosta de livros, vou ler também.

Se você gosta de cinema, vou visitar sites sobre filmes e ler críticas que não sei do que falam.

-

Você se interessa. Eu me acho especial.

Você me acha especial, eu me acho incrível.

Você quer me beijar, eu faço doce.

Quando você fica com raiva, aí sim, eu te beijo.

-

Ficamos juntos.

Ficamos juntos.

Ficamos juntos.

-

Você está conquistado. Se você assim diz, sou o seu sol.

Ser sol é chato. Eu gostava quando eu era uma estrela apagada lutando pra brilhar.

Você longe é sensual. Quando você diz que não quer, mentindo, eu gosto.

Vai, mente mais.

-

Outros me parecem inalcançáveis.

Bonitos, inteligentes e divertidos.

-

Tchau.

sábado, 30 de outubro de 2010

Melancolia-cinema-alegria

Houve a praia
Há agora a sala de cinema
E no começo, uma mensagem em inglês engraçada que contei nos dedos quem entendeu
Risadas pipocadas pela sala.
-
Há agora a sala de cinema
E o filme é incrível
É delicioso, cheira bem, a música faz sorrir
Me sacio.
-
Há agora a sala de cinema
E eu gravo as músicas de algum modo,
para tê-las ao meu dispôr em casa depois.
Eu amo cinema.
-
Agora passaram-se muitos meses.
Não lembro a data do cinema. Mas talvez eu ainda tenha o ingresso na minha caixinha de especiais.
Mas eu lembro do filme... a música que ainda me faz rir... o choque, a reflexão sobre o filme, o meu estado naquele dia
Um amigo me dizendo as interpretações dele, mudando algumas minhas
Ai, cinema, ai, que teu poder me inebria e eu me transbordo de alegria!
-
Se bem que, agora, ouvindo essa música, o que tenho é melancolia
E são nessas horas que se entende o carpe diem.
Viver o momento.
Aquele momento no cinema que não volta mais, as tantas vezes que ouvi a trilha.
Ai, tempo, que me faz sentir assim.
Ai, tempo, tanta coisa que você faz por mim.
Ai, melancolia, que apesar de mil pesares, me agrada. É gostoso.
Lembrar bons momentos
Que não voltam
Que agora essas músicas vão marcar outros momentos
-
Mas ai, é tanto a se dizer, é pouca palavra pra usar...
Melancolia, alegria, cinema, gozo, magia.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

7 anos, 84 meses, 336 semanas

Cadê os nossos tão celebrados 84 meses,
e todo o conhecimento que deveria vir destes?
-
Se há alguém no mundo que deveria conhecer até minhas entranhas,
não seria esta, você?
-
Dói, sabe? Ver suas crenças desabarem.
Eu sei, admito que tem lá suas bondades... mas eu prefiro as suas maldades e a minha boa e velha ingenuidade.
-
O meu prédio era muito bem edificado, minhas bases eram sólidas.
Eu ficava sorrindo nas janelas...
-
Porém, em algum momento, não percebi quando, deixei uma traça entrar.
E esta agora é muitas, e muito mais forte, e se infiltrou justo por onde era feito aço.
-
Minha epifânia veio tardia.
Já não há mais o que evitar.
-
Fomos destruídas, minha amiga,
e temo por um dia de onde já não se possa mais voltar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Somos ilhas distantes

Estamos todos num arquipélago, e esse arquipélago é a vida.

Na ilha em que agora me encontro, só uma pessoa me acompanha.

As outras estão em outras ilhas, muito longe.

Foram para lá, cada uma por um motivo e outras pelo mesmo, que não dá pra evitar.

-

É a minha evolução. (ou não?)

Por isso tanta distância da minha ilha. Uma distância angustiante de alguns, uma distância precisada de outros.

Se for para acontecer, melhor explodir sozinha.

Só fica quem me ama o bastante para ir pelos ares comigo.

-

As minhas bases implodiram. Se desabaram. São poeira de mim do passado.

Doeu. Machucou. Angustiou. Demorou.

Mas eu mudei. Vê, mundo? Mudei. Não sei se pra melhor. Não creio que para melhor.

-

Agora eu ando sozinha. Não tenho mais quem tinha.

Não acredito que vá ter de novo algum dia.

Só uma pessoa me acompanha.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Iniciada

Nessa vida ainda sou uma criança tentando se equilibrar

Sou bebê, recém-nascida.

-

Mas já sou capaz de amar, e amo

Já desejo algo, embora não conheça o desejo em si

E o que eu desejo é mais desse mel, substância anti-razão

Que tão intensamente inflama o meu coração.

-

Essa substância, esse mel, esse vinho que melhora com o tempo

Seja romântico, seja moderno

Encontrou em mim um gene que eu não sabia que existia

E eu gosto mais de mim assim

-

A poesia, ah, a poesia

A arte fina misturada com um pedaço da alma de quem escreve

E com uma pitada de tudo mais que existe

E um pouco de uísque, talvez...

-

Encontrei um oásis, um lugar pra eu me esconder

Para eu me encontrar, me despir e descobrir e descobrir

Que eu não sabia que eu era eu, e que eu não conhecia um dos grandes prazeres da vida.

domingo, 24 de outubro de 2010

À uma amiga

Eu quero que você saiba que eu estou aqui por você
E com você.
Que contigo eu vou chorar e escrever poesia,
se necessário, até o raiar do dia.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu

Escrevo pra me expor.

Nasci nua e assim permaneci.

Se não me despir, explodo.

Quero jogar fora aqui todo o meu pessimismo.

Tudo em que eu não acredito.

Tudo o que eu já acreditei e quero deixar pra trás.

Se eu pudesse, trocava de alma.

Não sei mais lidar com essa aqui.

Será que dá pra mudar?

-

Não sei lidar com eu não sei o que fazer.

Sinto-me fraca, mas saber e ter consciência disso dói, mãe.

Mãe, eu quero ser que nem você.

Eu quero conseguir ignorar tudo o que já foi importante pra mim.

Não dá mais certo. Não funciona mais.

Eu não acredito mais.

Odeio mudanças.

Mas também odeio rotina.

Quero mudar e quero permanecer. Por que tantos paradoxos?

Se eu pudesse escolher, seria no máximo uma... metáfora, talvez.

Uma forma implícita de comparação.

Não sei.

-

Quando foi que eu me perdi de mim?

Quando foi que eu perdi o controle?

Tudo isso é realmente tão forte assim?

Ou eu estou enfraquecendo com o tempo?

Não deveria ser ao contrário? E aquela história de aprender com as experiências?

Só comigo que não dá certo?

Sinto frio e tremo.

Tenho medo de ficar sozinha. Não aceito e brigo.

Mas quem sou eu pra ir contra isso?

O mundo é mais forte que eu.

Eu não consigo aceitar.

Sempre tive uma dificuldade desagradável de ver onde estou errada.

Eu não quero falar sobre isso, mas eu quero que todos saibam sobre isso.

Quero me expor. Apesar do frio, quero estar nua.

Não sei porque. Sempre fui assim.

-

É meu, e eu não vou desistir.

Isso se eu conseguir evitar.

Por que tem que ser tão difícil gostar?

Me desculpa. Eu não sei o que fazer. Não é culpa minha.

Sempre fui assim.

Não sei mais o que fazer por mim.