Clicadas

sábado, 30 de outubro de 2010

Melancolia-cinema-alegria

Houve a praia
Há agora a sala de cinema
E no começo, uma mensagem em inglês engraçada que contei nos dedos quem entendeu
Risadas pipocadas pela sala.
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Há agora a sala de cinema
E o filme é incrível
É delicioso, cheira bem, a música faz sorrir
Me sacio.
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Há agora a sala de cinema
E eu gravo as músicas de algum modo,
para tê-las ao meu dispôr em casa depois.
Eu amo cinema.
-
Agora passaram-se muitos meses.
Não lembro a data do cinema. Mas talvez eu ainda tenha o ingresso na minha caixinha de especiais.
Mas eu lembro do filme... a música que ainda me faz rir... o choque, a reflexão sobre o filme, o meu estado naquele dia
Um amigo me dizendo as interpretações dele, mudando algumas minhas
Ai, cinema, ai, que teu poder me inebria e eu me transbordo de alegria!
-
Se bem que, agora, ouvindo essa música, o que tenho é melancolia
E são nessas horas que se entende o carpe diem.
Viver o momento.
Aquele momento no cinema que não volta mais, as tantas vezes que ouvi a trilha.
Ai, tempo, que me faz sentir assim.
Ai, tempo, tanta coisa que você faz por mim.
Ai, melancolia, que apesar de mil pesares, me agrada. É gostoso.
Lembrar bons momentos
Que não voltam
Que agora essas músicas vão marcar outros momentos
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Mas ai, é tanto a se dizer, é pouca palavra pra usar...
Melancolia, alegria, cinema, gozo, magia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A se pensar:

Hoje durante uma das aulas dos últimos tempos, a diretora da minha escola pediu licença para dar um recado à turma. Ela disse que havia recebido um e-mail do secretário de educação dizendo que agora, quem sofresse bullying, deveria denunciar o acontecido diretamente a ela, e o aluno que tivesse cometido a brincadeira de mal gosto deveria ser levado à delegacia. Ela disse que foi deixado bem claro, em letras garrafais, que isso "É UMA ORDEM".
Pois bem. Enquanto falava sobre o assunto, ela se lembrou de um episódio que aconteceu na escola há 4 anos, mais ou menos.
Um garoto de 26 anos, com deficiência que o fazia ter mente de uma criança, estava matriculado na escola. Em uma aula dessa mulher, que hoje em dia é diretora do colégio mas na época era então professora, ele colou vários papéis de bala no rosto. A professora viu que alguns alunos da sala riam dele. Ela desceu, falou com a coordenadora que ia mandá-lo para a direção. Mandou. Quando este voltou à sala, disse a diretora, ele estava muito feliz, extremamente contente. A então professora perguntou o porquê. Ele disse que era porque a coordenadora havia posto uma anotação em sua caderneta, assim como fazia com os outros alunos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

7 anos, 84 meses, 336 semanas

Cadê os nossos tão celebrados 84 meses,
e todo o conhecimento que deveria vir destes?
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Se há alguém no mundo que deveria conhecer até minhas entranhas,
não seria esta, você?
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Dói, sabe? Ver suas crenças desabarem.
Eu sei, admito que tem lá suas bondades... mas eu prefiro as suas maldades e a minha boa e velha ingenuidade.
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O meu prédio era muito bem edificado, minhas bases eram sólidas.
Eu ficava sorrindo nas janelas...
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Porém, em algum momento, não percebi quando, deixei uma traça entrar.
E esta agora é muitas, e muito mais forte, e se infiltrou justo por onde era feito aço.
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Minha epifânia veio tardia.
Já não há mais o que evitar.
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Fomos destruídas, minha amiga,
e temo por um dia de onde já não se possa mais voltar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Somos ilhas distantes

Estamos todos num arquipélago, e esse arquipélago é a vida.

Na ilha em que agora me encontro, só uma pessoa me acompanha.

As outras estão em outras ilhas, muito longe.

Foram para lá, cada uma por um motivo e outras pelo mesmo, que não dá pra evitar.

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É a minha evolução. (ou não?)

Por isso tanta distância da minha ilha. Uma distância angustiante de alguns, uma distância precisada de outros.

Se for para acontecer, melhor explodir sozinha.

Só fica quem me ama o bastante para ir pelos ares comigo.

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As minhas bases implodiram. Se desabaram. São poeira de mim do passado.

Doeu. Machucou. Angustiou. Demorou.

Mas eu mudei. Vê, mundo? Mudei. Não sei se pra melhor. Não creio que para melhor.

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Agora eu ando sozinha. Não tenho mais quem tinha.

Não acredito que vá ter de novo algum dia.

Só uma pessoa me acompanha.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Iniciada

Nessa vida ainda sou uma criança tentando se equilibrar

Sou bebê, recém-nascida.

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Mas já sou capaz de amar, e amo

Já desejo algo, embora não conheça o desejo em si

E o que eu desejo é mais desse mel, substância anti-razão

Que tão intensamente inflama o meu coração.

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Essa substância, esse mel, esse vinho que melhora com o tempo

Seja romântico, seja moderno

Encontrou em mim um gene que eu não sabia que existia

E eu gosto mais de mim assim

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A poesia, ah, a poesia

A arte fina misturada com um pedaço da alma de quem escreve

E com uma pitada de tudo mais que existe

E um pouco de uísque, talvez...

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Encontrei um oásis, um lugar pra eu me esconder

Para eu me encontrar, me despir e descobrir e descobrir

Que eu não sabia que eu era eu, e que eu não conhecia um dos grandes prazeres da vida.

domingo, 24 de outubro de 2010

À uma amiga

Eu quero que você saiba que eu estou aqui por você
E com você.
Que contigo eu vou chorar e escrever poesia,
se necessário, até o raiar do dia.

Manifesto romântico?!

(Para Natália Rezende, mais ou menos uma resposta ao seu texto Hora da Fuga?, postado no blog Rabiscos)
.
É claro que eu não vou dizer que tenho, oh meu Deus, uma grande experiência de vida (ainda bem). Não. Porém, gosto do fato de ter tido experiências, mesmo que poucas, o bastante para ter mudado alguns princípios, crenças e opiniões que eu tinha há uns dois anos. Mesmo que as minhas visões de hoje em dia não sejam as ideais, mesmo que elas provavelmente viessem a me machucar profundamente hoje em dia se eu tivesse que pô-las em prática, gosto delas assim.
Medo já me atrapalhou muito. Já fiz e não fiz muita besteira ou coisas certas por causa disso.
Medo é inútil no amor, na paixão. Não adianta se proteger. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É tudo questão de quanto tempo vai demorar até você explodir ou ser alcançada (o). (Posso poetizar a questão? É tudo questão de quanto tempo vai levar pra você roubar um beijo, para fazer uma declaração, para começar a ficar desesperada e fazer coisas que vão te fazer rir da própria cara muito tempo depois.) Fugir de uma paixão é como correr numa esteira. Você cansa, gasta força (física e de vontade), pensando que vai conseguir sair do lugar (emagrecer, por exemplo). Para as pessoas mais sinceras consigo mesmas, elas pelo menos já fazem isso com alguma consciência... fazem isso por sentir que devem tentar seguir o racional antes de se jogar no abismo da emoção.
Eu gosto da sensação do perigo. Gosto do frio na barriga. Gosto do sofrimento, da agonia, de me sentir viva apaixonada e amando! Gosto! Amo amar! Gosto de cair, de me jogar... eu sou contra o pára-quedas. Eu só quero um avião que me jogue no ar, que me deixe longe do chão.
Mas alguns vão dizer que não são masoquistas. Que dói. Que machuca. Que ser rejeitada é difícil, que o risco é grande demais, que as consequências são sérias demais. Mas, me diga, se você evitar tudo isso, como você vai crescer? Como você vai ser alguém de verdade? Como você vai aprender? Como crescer sem levar uns tapas? Os erros ensinam mais do que qualquer coisa. Só sentindo um gosto amargo se valoriza o doce.
"Navegar é preciso; viver não é preciso"
Tem horas que o medo é realmente útil, eu aceito isso e meu coração continua aberto. Mas ninguém sabe o que é amor, o que é paixão, o que define isso e aquilo. Então, por que aplicar regras da razão a algo que ninguém nunca vai conseguir definir o que é em essência?
Se você quer esquecer alguém, beije-a. Fique com ela o tempo todo (à primeira vista isso parece irracional; mas a lembrança do calor daquele corpo humano tão cruelmente desejado é de longe melhor do que a ausência desta). Tome um porre e grite "eu te amo!" em um microfone alto. Fale um monte de besteiras. Seja romântica (o).

Cada paixão, amor, amor platônico, sentimento, até amizade colorida (???) é único. Não se contenha; viva. Exploda o coração levando-o ao êxtase em número de batidas por minuto. Ignore o cérebro, ele não deve ser muito usado em certos momentos. Não há nada que possa ser levado desta vida, então ao menos obtenha algo que ninguém vai te tirar: a sua vida vivida, suas experiências, suas lembranças, seus prazeres, seus beijos molhados, abraços em dias de sol...


Como tudo tem porém, faço minha ressalva: sou fruto do meu tempo e do meu estado de espírito. Mas digo que não quero desistir das minhas opiniões de agora... mas também não acho que eu tenha controle sobre mim. Quem sou eu diante do mundo e do que ele quer de mim?
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Renata, 23/24 de outubro de 2010.

sábado, 23 de outubro de 2010

Inception

Mundo injusto, hein?

Para nascer um sentimento bom, é necessário todo um processo, nhem nhem nhem (depende do sentimento também). Mas para se instalar aqueeele sentimento desagradável, que te angustia, que faz você ficar estressada por dias e faz você brigar constantemente com o seu namorado só precisa de um pensamentozinho, uma sementinha. Um psicólogo na tv falando como você deve ficar antes do vestibular. Um professor explicando uma questão e você percebe que só tinha que lembrar daquela coisa que há algum tempo atrás você não deu importância. Até um comentário. Às vezes um olhar!
O mundo é injusto. Muito.
Não aguento mais ficar pessimista não, tá? Coisa chata. Eu hein.
Eu não sabia o que era olhar para a rua, ver pobreza em cada canto, imaginar que todo mundo ali está perdido, que o mundo não tem salvação, que não vai vir uma revolução...
E de fato, tem coisa que é melhor não saber. Um viva para a ignorância.

Meu professor de Literatura da escola é um sábio. Desde o 1° ano que ele diz: "Quem pensa não é feliz."


Amém.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Off the record

Não é uma das minhas tentativas de misturar poesia com meus desabafos. Pelo menos não conscientemente. É puramente desabafo.

Tem um filósofo, não lembro qual agora, meu professor de filosofia que me perdoe, que diz que tudo o que olhamos já vemos com olhos humanos. Com isso ele dizia (com palavras muito mais adequadas) que nunca vemos nada plenamente, vemos o que nossa condição de humanos com todas as suas conseqüências nos mostra.

Então, acho que isso explica certas cegueiras. Explica também o meu olhar implicante sobre certas coisas.

Se tenho raiva? Sim. Muita. Não nego. Também já não me importo. Perdão, mas não tens mais a importância que tinha algum tempo atrás. É uma mudança prevista e inevitável. E não pense que não dói admitir. Passei muito e esgotei pensamentos pra chegar até aqui.

É difícil ser apaixonada por uma idéia. Leia bem, por uma idéia. Algo que não existe. Talvez essa minha tese explique muita coisa.

Minha paz está longe daqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu

Escrevo pra me expor.

Nasci nua e assim permaneci.

Se não me despir, explodo.

Quero jogar fora aqui todo o meu pessimismo.

Tudo em que eu não acredito.

Tudo o que eu já acreditei e quero deixar pra trás.

Se eu pudesse, trocava de alma.

Não sei mais lidar com essa aqui.

Será que dá pra mudar?

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Não sei lidar com eu não sei o que fazer.

Sinto-me fraca, mas saber e ter consciência disso dói, mãe.

Mãe, eu quero ser que nem você.

Eu quero conseguir ignorar tudo o que já foi importante pra mim.

Não dá mais certo. Não funciona mais.

Eu não acredito mais.

Odeio mudanças.

Mas também odeio rotina.

Quero mudar e quero permanecer. Por que tantos paradoxos?

Se eu pudesse escolher, seria no máximo uma... metáfora, talvez.

Uma forma implícita de comparação.

Não sei.

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Quando foi que eu me perdi de mim?

Quando foi que eu perdi o controle?

Tudo isso é realmente tão forte assim?

Ou eu estou enfraquecendo com o tempo?

Não deveria ser ao contrário? E aquela história de aprender com as experiências?

Só comigo que não dá certo?

Sinto frio e tremo.

Tenho medo de ficar sozinha. Não aceito e brigo.

Mas quem sou eu pra ir contra isso?

O mundo é mais forte que eu.

Eu não consigo aceitar.

Sempre tive uma dificuldade desagradável de ver onde estou errada.

Eu não quero falar sobre isso, mas eu quero que todos saibam sobre isso.

Quero me expor. Apesar do frio, quero estar nua.

Não sei porque. Sempre fui assim.

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É meu, e eu não vou desistir.

Isso se eu conseguir evitar.

Por que tem que ser tão difícil gostar?

Me desculpa. Eu não sei o que fazer. Não é culpa minha.

Sempre fui assim.

Não sei mais o que fazer por mim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

As tuas lágrimas salgadas

Hoje, sentados no nosso sofá da sala, senti o gosto das tuas lágrimas, por mim derramadas. Não, não chore; não é culpa sua. [i]Não é você, sou eu.[/i] É coisa de momento. Minha antiga eu irá voltar por você. E desculpe-me, meu querido, mas foi lindo te ver chorar... vi na água que saía dos seus olhos o seu sentimento por mim, e o meu por ti nelas refletido. Sequei seu rosto com os meus lábios. No seu desabafo encontrei a nossa paz há algum tempo esquecida. Peço perdão pelos últimos dias. Vai passar. Enquanto isso, espera por mim, meu querido, eu vou voltar. Você continua sendo e jamais deixará de ser aos meus olhos aquele belo pelo qual me exaltei naquele dia de março. Espera-me, meu querido, eu vou voltar. Não chore por mim, deixa que, se necessário, eu choro por ti.