Quando você estiver sozinho
Quando a gente tirar o dia para os amigos
e para a mãe
Você faz o que eu mando, bebê:
pensa em mim enquanto eu penso em você.
Porque eu vou te ver em toda parede
E em tudo que eu provar.
Eu vou te ver nos dvds
e sentir seu cheiro no ar.
Quando você estiver pra baixo,
pega uma roupa sua e procura o meu cheiro.
Você vai encontrar.
E vai lembrar dos meus cochichos
e dos nossos sorrisos.
E vai saber, e vai sentir,
que eu tô logo, logo ali.
Não fica assim, meu bem
Um dia é da caça outro é do caçador.
Aguenta firme hoje,
Que amanhã de manhã a gente morre de amor.
"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a uma nova estrela." Nietzsche
Clicadas
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Relembrando
Ano passado eu me apaixonei por essa poesia. Lembrei dela hoje, fui reler, e me apaixonei novamente, dessa vez me identificando mais do que na última vez.
Cordel de mim pra mim num tempo distante
Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes…
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?
Perguntaria como anda a vida.
“Mal”, diria ele a mim;
“Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?”
Diria então: “Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim”
Ele então rebateria seco:
“Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei.”
“Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei.”
Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
“Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido.”
“Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior.”
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.
“Entenda isso”, desolado, eu diria,
“para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.
Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar.”
Então me diria: “Estranho desconhecido…
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde…
Vai, me diz logo qual teu nome!”
“Meu nome, amigo, é Daniel.”
Daniel Carvalho, meu professor de História. Em: http://dacarpe.wordpress.com/2010/07/20/cordel-de-mim-pra-mim-num-tempo-distante
Cordel de mim pra mim num tempo distante
Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes…
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?
Perguntaria como anda a vida.
“Mal”, diria ele a mim;
“Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?”
Diria então: “Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim”
Ele então rebateria seco:
“Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei.”
“Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei.”
Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
“Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido.”
“Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior.”
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.
“Entenda isso”, desolado, eu diria,
“para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.
Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar.”
Então me diria: “Estranho desconhecido…
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde…
Vai, me diz logo qual teu nome!”
“Meu nome, amigo, é Daniel.”
Daniel Carvalho, meu professor de História. Em: http://dacarpe.wordpress.com/2010/07/20/cordel-de-mim-pra-mim-num-tempo-distante
Meus textos de incentivo à Bia (comentários via facebook)
Beatriz Monteiro
Quero largar a faculdade de História, é.
Beatriz Monteiro Não vejo uso prático para o que estou aprendendo lá. Basicamente, vou usar o que aprendo lá pra ensinar para os outros, já que as chances de eu ser professora são de uns 90% :( Quero algo mais 'concreto', e que vá me estabilizar no futuro. Não sinto que História vá me proporcionar isso.
Renata Aquino As músicas que você ouve e adora, por exemplo, têm uso prático? O máximo é você se identificar especialmente com algumas delas e/ou ir no show da banda que as canta, o que, nesse caso, você só vai ver elas sendo feita ao vivo, e... ? Quando a gente ama uma coisa, na maioria das vezes, não é pelo seu uso prático, porque ele não existe. Mesmo quem faz faculdade de engenharia, por exemplo, ele não acorda e faz o café da manhã projetando um prédio, não sai com a família e projeta um carro... Nossa ciência tem uso prático pra nós como seres humanos, assim como a arte (música, cinema, literatura). Se você lê livros e não se pergunta porque os continua lendo, não faça isso com História. :/
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Renata Aquino Mas isso pode acontecer em qualquer faculdade, gata. :/ Eu vejo meu namorado, estudante de Física (que pra nós tem um uso prático bem mais claro que o nosso) ter várias das mesmas dúvidas que nós temos: salário no futuro, emprego, uso prático. Sei lá, acho que toda ciência em alguma escala não tem um uso prático claro. Qualquer dia dar-me-ei ao trabalho de procurar a grade de uma graduação em engenharia só pra começar a pensar se mesmo eles, que parece que aos olhos de todo mundo usarão a faculdade para algo, estudam só coisas que terão aplicação.
Beatriz Monteiro O pior é que eu vejo bastante uso prático pra engenharia (não tanto em física, visto que vejo muita gente formada em física dando aula em ensino médio), e, mesmo que eu não queira, estou comparando qualquer faculdade a uma de veterinária. Parece que esta tem 100% de uso prático :(
(...)
Renata Aquino Sabe, no fim, meu principal argumento é: nenhuma universidade vai te deixar plenamente satisfeita, então, por que não escolher a que você ama e lutar por ela, lutar por algo que você acredita?
Beatriz Monteiro Por medo de ganhar mal no futuro. Medo dos alunos não reconhecerem meu trabalho, visto que ano passado o que mais me deixava puta era o fato de mais da metade da minha turma não se importar com as aulas de História que tinhamos. Medo de ficar 5 anos na faculdade e quando terminar pensar "putz, não estou preparada para um bom concurso, "enrolei" boa parte da faculdade"
(...)
Beatriz Monteiro não é nem muito porque estamos estudando forçadas. Eu lembro que último semestre, eu estudava feliz pras provas do Martin e do Grynszpan. Até mesmo gostava dos textos do Alexandre (que eu lia, é claro). Os textos que temos que ler agora não me dão a minima alegria. Acho que nessa crise eu perdi até o conhecimento sobre como se realizar uma leitura acadêmica. rs
Renata Aquino É só o seu momento, Bia. No primeiro semestre eu estava tão mal ou pior que você; por que você acha que me inscrevi no enem? Eu cheguei a pensar em Direito, e eu não suporto Direito. Você por algum motivo muito bizarro gostou das matérias do primeiro semestre então ele pra você foi tranquilo, e é agora no segundo que a sua crise te alcançou.
Beatriz Monteiro Você ainda pensa em direito as vezes, e eu realmente não entendo isso. Acho que você pensa isso de mim sobre veterinária rs
Beatriz Monteiro E se essa crise passar, tenho medo dela voltar lá pro 3º, 4º ano.
Renata Aquino E nunca vai sumir. Se você fizer veterinária, vai imaginar como teria sido em História (porque mesmo que você faça História depois, não vai ser a mesma coisa, você não vai ser a mesma Bia), se você teria conseguido, em que teria se especializado. É parte da vida e vai te seguir onde você vá.
Beatriz Monteiro Tem como fazer graduação em História e pós em Veterinária não?
----------------------------------------------------------------------------------------
Depois disso tudo, mandei esse vídeo para a Bia ver. Acho que "endurece" meus argumentos!
http://www.youtube.com/watch?v=HcChwiCGKAo
Quero largar a faculdade de História, é.
Beatriz Monteiro Não vejo uso prático para o que estou aprendendo lá. Basicamente, vou usar o que aprendo lá pra ensinar para os outros, já que as chances de eu ser professora são de uns 90% :( Quero algo mais 'concreto', e que vá me estabilizar no futuro. Não sinto que História vá me proporcionar isso.
Renata Aquino As músicas que você ouve e adora, por exemplo, têm uso prático? O máximo é você se identificar especialmente com algumas delas e/ou ir no show da banda que as canta, o que, nesse caso, você só vai ver elas sendo feita ao vivo, e... ? Quando a gente ama uma coisa, na maioria das vezes, não é pelo seu uso prático, porque ele não existe. Mesmo quem faz faculdade de engenharia, por exemplo, ele não acorda e faz o café da manhã projetando um prédio, não sai com a família e projeta um carro... Nossa ciência tem uso prático pra nós como seres humanos, assim como a arte (música, cinema, literatura). Se você lê livros e não se pergunta porque os continua lendo, não faça isso com História. :/
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Renata Aquino Mas isso pode acontecer em qualquer faculdade, gata. :/ Eu vejo meu namorado, estudante de Física (que pra nós tem um uso prático bem mais claro que o nosso) ter várias das mesmas dúvidas que nós temos: salário no futuro, emprego, uso prático. Sei lá, acho que toda ciência em alguma escala não tem um uso prático claro. Qualquer dia dar-me-ei ao trabalho de procurar a grade de uma graduação em engenharia só pra começar a pensar se mesmo eles, que parece que aos olhos de todo mundo usarão a faculdade para algo, estudam só coisas que terão aplicação.
Beatriz Monteiro O pior é que eu vejo bastante uso prático pra engenharia (não tanto em física, visto que vejo muita gente formada em física dando aula em ensino médio), e, mesmo que eu não queira, estou comparando qualquer faculdade a uma de veterinária. Parece que esta tem 100% de uso prático :(
(...)
Renata Aquino Sabe, no fim, meu principal argumento é: nenhuma universidade vai te deixar plenamente satisfeita, então, por que não escolher a que você ama e lutar por ela, lutar por algo que você acredita?
Beatriz Monteiro Por medo de ganhar mal no futuro. Medo dos alunos não reconhecerem meu trabalho, visto que ano passado o que mais me deixava puta era o fato de mais da metade da minha turma não se importar com as aulas de História que tinhamos. Medo de ficar 5 anos na faculdade e quando terminar pensar "putz, não estou preparada para um bom concurso, "enrolei" boa parte da faculdade"
(...)
Beatriz Monteiro não é nem muito porque estamos estudando forçadas. Eu lembro que último semestre, eu estudava feliz pras provas do Martin e do Grynszpan. Até mesmo gostava dos textos do Alexandre (que eu lia, é claro). Os textos que temos que ler agora não me dão a minima alegria. Acho que nessa crise eu perdi até o conhecimento sobre como se realizar uma leitura acadêmica. rs
Renata Aquino É só o seu momento, Bia. No primeiro semestre eu estava tão mal ou pior que você; por que você acha que me inscrevi no enem? Eu cheguei a pensar em Direito, e eu não suporto Direito. Você por algum motivo muito bizarro gostou das matérias do primeiro semestre então ele pra você foi tranquilo, e é agora no segundo que a sua crise te alcançou.
Beatriz Monteiro Você ainda pensa em direito as vezes, e eu realmente não entendo isso. Acho que você pensa isso de mim sobre veterinária rs
Beatriz Monteiro E se essa crise passar, tenho medo dela voltar lá pro 3º, 4º ano.
Renata Aquino E nunca vai sumir. Se você fizer veterinária, vai imaginar como teria sido em História (porque mesmo que você faça História depois, não vai ser a mesma coisa, você não vai ser a mesma Bia), se você teria conseguido, em que teria se especializado. É parte da vida e vai te seguir onde você vá.
Beatriz Monteiro Tem como fazer graduação em História e pós em Veterinária não?
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Depois disso tudo, mandei esse vídeo para a Bia ver. Acho que "endurece" meus argumentos!
http://www.youtube.com/watch?v=HcChwiCGKAo
História
Uma das coisas que mais me foram úteis esse ano que eu estudei na faculdade foi a teoria da História, por assim dizer. Como ela surgiu, qual era sua função... o que foi pensado e feito dela no decorrer dos tempos. Minhas matérias mais legais foram Introdução aos Estudos Históricos e Teoria, Métodos e Historiografia, com o mestre Grynszpan.
Desde o primeiro semestre que eu e meu namorado ficávamos discutindo qual era a matéria mais importante. Ainda bem que foi por pouco tempo; não demoramos a chegar no óbvio: as duas matérias têm as suas devidas importâncias, cada uma no seu canto. Então começamos a discutir sobre outra questão epistemológica, aparentemente a mesma de antes, mas só aparentemente: qual é a importância delas? Bem, durante um tempo ele ganhou as discussões, claro... é muito fácil dizer qual é a importância da Física. Se eu estou digitando num notebook e vou publicar isso na internet, é porque um monte de nerds viciados em rpg e sem vida social (brincadeira, amorzinhoou não) fizeram isso*. Ponto. Mas e História?
Bem, História.
Hm.
Pensemos logo o óbvio para o nosso capitalismo sanguessuga do século XXI: não serve pra nada. Não me ajuda a extrair petróleo. Não me ensina a erguer um prédio ou uma ponte. Mas isso não é bem meu foco agora. Daqui a pouco farei um post com alguns comentários no facebook de uma amiga da faculdade que é parte agora do meu objetivo de vida: fazê-la desistir de desistir de História.
O que eu quero falar aqui é sobre como minha matéria linda e fofa expandiu minha mente. (Pelo menos é assim que eu gosto de ver. Não quero ser contrariada.) Estudar todas aquelas matérias aparentemente inúteis (coisas que não eram, mas minha revolta com o assunto fica para outro post) que me fizeram tão bem. Como, por exemplo: ainda não suporto funk e tenho certas reservas com quem gosta, mas não consigo mais não olhar (ouvir) um funk e não parar pra refletir como ele reflete o meio de alguém. Culpa da antropologia (falar de Antropologia me lembra meu professor alemão falando culturra, Malinowski dizendo: "imagine-se o leitor sozinho numa praia deserta" e o cheiro da sala 303, onde levei meu trote). Com as coisas que eu li em Sociologia, fico assistindo Clube da Luta** e tentando aplicar teorias, e isso é divertido. Foi isso que me atraiu em História no ensino médio: entender a humanidade. Com essas matérias (História, Sociologia e Antropologia) eu me sinto, prepotentemente, olhando as pessoas de cima, e tentando entender o que diabos estão fazendo e porque.
Não sei.
Nunca saberei. O melhor professor que eu tive me disse que ele quis fazer História por isso, para entender. E me disse em seguida que no primeiro semestre descobriu que nunca entenderia.
Mas isso é belo. Eu gosto.
Isso começou a me lembrar minha última aula de TMH.
As aulas de TMH são as melhores.
Outro dia eu, @RafaelOBraganca e Filipe fomos para as barcas discutindo como aplicar os conceitos de Foucalt para a reforma Passos no Rio para o trabalho de Geohistória na parte territorialização e desterritorialização.
Sério.
Mesmo.
Acabou que pensei numa coisa e falei outra: isso aconteceu depois de uma aula de Geohistória, não de TMH. Agora sim vou falar de TMH:
Grynszpan começou a falar sobre Hayden White e seu "Meta-História". Ele escreve nos anos 70. História está passando por uma crise existencial, por assim dizer... "Fazemos ciência ou somos 'só' um gênero?" Ele analisa o discurso dos historiadores do século XIX. Não no sentido de se eles analisam """"""""corretamente""""""""", ou com muita fonte, etc. Ele faz uma análise mais filosófica de o que era a História. Enfim, só comentando mesmo... Depois de mais uma aula eu posso escrever melhor. Risos.
Agora, finalmente, o que eu amo sobre estudar História:
Entender o que eu posso fazer e o que vem disso. Eu sou produto do meu tempo, do meu meio, das minhas relações. Como meu professor alemão vivia dizendo, socialmente construída. Logo, eu sou de agora e de nenhum outro momento ou lugar. Eu sou uma garota nascida e criada no Rio de Janeiro, com 18 anos, nascida pouco tempo depois do fim do mundo bipolar. Eu não consigo não ser isso. Isso vale ao inverso: eu nunca serei, entenderei completamente, verei as coisas e etc, do mesmo modo que alguém baiano, de 40 anos. Sou carioca, adolescente-adulta, criada lendo literatura infanto-juvenil do tipo Monteiro Lobato, Sir Conan Doyle e Harry Potter, e que agora faz faculdade de História. Mas mesmo assim, se tivesse alguém com essas mesmas características, eu não entenderia a pessoa. Isso pode ser triste, mas eu acho mais belo do que triste. E sabe porque? Porque isso me pôs no meu lugar. Eu sou uma observadora, no máximo admiradora. Eu persigo algo que nunca vou alcançar. Nunca vou sentir de coração o que foi 1648.
Eu não consigo saber o que outras pessoas sentem, por mais próximas que sejam. É impossível. E não me cabe julgar, não me cabe descobrir essas pessoas. Quer dizer, é isso que eu faço, mas eu não posso fazer isso com a presunção de estar certa. Nem aquelas pessoas, aquelas sociedades, saberiam se definir. Por que diabos devo eu, então, afirmar que elas tinham um modo de produção asiático?!
Como se percebe, não gosto de certas afirmações. Claro que depende de como ela é feita. Mas no geral não gosto.
Então, eu simplesmente observo. E venho escrever um texto.
E sabe o que é lindo? Estou falando dos meus textos da faculdade mas isto é perfeitamente aplicável à vida.
É por isso que eu amo a minha faculdade.
* Depois vou escrever sobre as duas melhores coisas que eu fiz para o meu namorado, e para mim: ir na exibição de Obrigado por Fumar da Casa da Ciência da UFRJ e assistir Clube da Luta.
** Minha mãe vai me dar o livro que deu base ao filme! AEAEAE! Não tem edição brasileira, então vou comprar em inglês, mas não me importo de ler com um dicionário do lado. O discurso do Tyler Durden merece meu esforço.
Desde o primeiro semestre que eu e meu namorado ficávamos discutindo qual era a matéria mais importante. Ainda bem que foi por pouco tempo; não demoramos a chegar no óbvio: as duas matérias têm as suas devidas importâncias, cada uma no seu canto. Então começamos a discutir sobre outra questão epistemológica, aparentemente a mesma de antes, mas só aparentemente: qual é a importância delas? Bem, durante um tempo ele ganhou as discussões, claro... é muito fácil dizer qual é a importância da Física. Se eu estou digitando num notebook e vou publicar isso na internet, é porque um monte de nerds viciados em rpg e sem vida social (brincadeira, amorzinho
Bem, História.
Hm.
Pensemos logo o óbvio para o nosso capitalismo sanguessuga do século XXI: não serve pra nada. Não me ajuda a extrair petróleo. Não me ensina a erguer um prédio ou uma ponte. Mas isso não é bem meu foco agora. Daqui a pouco farei um post com alguns comentários no facebook de uma amiga da faculdade que é parte agora do meu objetivo de vida: fazê-la desistir de desistir de História.
O que eu quero falar aqui é sobre como minha matéria linda e fofa expandiu minha mente. (Pelo menos é assim que eu gosto de ver. Não quero ser contrariada.) Estudar todas aquelas matérias aparentemente inúteis (coisas que não eram, mas minha revolta com o assunto fica para outro post) que me fizeram tão bem. Como, por exemplo: ainda não suporto funk e tenho certas reservas com quem gosta, mas não consigo mais não olhar (ouvir) um funk e não parar pra refletir como ele reflete o meio de alguém. Culpa da antropologia (falar de Antropologia me lembra meu professor alemão falando culturra, Malinowski dizendo: "imagine-se o leitor sozinho numa praia deserta" e o cheiro da sala 303, onde levei meu trote). Com as coisas que eu li em Sociologia, fico assistindo Clube da Luta** e tentando aplicar teorias, e isso é divertido. Foi isso que me atraiu em História no ensino médio: entender a humanidade. Com essas matérias (História, Sociologia e Antropologia) eu me sinto, prepotentemente, olhando as pessoas de cima, e tentando entender o que diabos estão fazendo e porque.
Não sei.
Nunca saberei. O melhor professor que eu tive me disse que ele quis fazer História por isso, para entender. E me disse em seguida que no primeiro semestre descobriu que nunca entenderia.
Mas isso é belo. Eu gosto.
Isso começou a me lembrar minha última aula de TMH.
As aulas de TMH são as melhores.
Outro dia eu, @RafaelOBraganca e Filipe fomos para as barcas discutindo como aplicar os conceitos de Foucalt para a reforma Passos no Rio para o trabalho de Geohistória na parte territorialização e desterritorialização.
Sério.
Mesmo.
Acabou que pensei numa coisa e falei outra: isso aconteceu depois de uma aula de Geohistória, não de TMH. Agora sim vou falar de TMH:
Grynszpan começou a falar sobre Hayden White e seu "Meta-História". Ele escreve nos anos 70. História está passando por uma crise existencial, por assim dizer... "Fazemos ciência ou somos 'só' um gênero?" Ele analisa o discurso dos historiadores do século XIX. Não no sentido de se eles analisam """"""""corretamente""""""""", ou com muita fonte, etc. Ele faz uma análise mais filosófica de o que era a História. Enfim, só comentando mesmo... Depois de mais uma aula eu posso escrever melhor. Risos.
Agora, finalmente, o que eu amo sobre estudar História:
Entender o que eu posso fazer e o que vem disso. Eu sou produto do meu tempo, do meu meio, das minhas relações. Como meu professor alemão vivia dizendo, socialmente construída. Logo, eu sou de agora e de nenhum outro momento ou lugar. Eu sou uma garota nascida e criada no Rio de Janeiro, com 18 anos, nascida pouco tempo depois do fim do mundo bipolar. Eu não consigo não ser isso. Isso vale ao inverso: eu nunca serei, entenderei completamente, verei as coisas e etc, do mesmo modo que alguém baiano, de 40 anos. Sou carioca, adolescente-adulta, criada lendo literatura infanto-juvenil do tipo Monteiro Lobato, Sir Conan Doyle e Harry Potter, e que agora faz faculdade de História. Mas mesmo assim, se tivesse alguém com essas mesmas características, eu não entenderia a pessoa. Isso pode ser triste, mas eu acho mais belo do que triste. E sabe porque? Porque isso me pôs no meu lugar. Eu sou uma observadora, no máximo admiradora. Eu persigo algo que nunca vou alcançar. Nunca vou sentir de coração o que foi 1648.
Eu não consigo saber o que outras pessoas sentem, por mais próximas que sejam. É impossível. E não me cabe julgar, não me cabe descobrir essas pessoas. Quer dizer, é isso que eu faço, mas eu não posso fazer isso com a presunção de estar certa. Nem aquelas pessoas, aquelas sociedades, saberiam se definir. Por que diabos devo eu, então, afirmar que elas tinham um modo de produção asiático?!
Como se percebe, não gosto de certas afirmações. Claro que depende de como ela é feita. Mas no geral não gosto.
Então, eu simplesmente observo. E venho escrever um texto.
E sabe o que é lindo? Estou falando dos meus textos da faculdade mas isto é perfeitamente aplicável à vida.
É por isso que eu amo a minha faculdade.
* Depois vou escrever sobre as duas melhores coisas que eu fiz para o meu namorado, e para mim: ir na exibição de Obrigado por Fumar da Casa da Ciência da UFRJ e assistir Clube da Luta.
** Minha mãe vai me dar o livro que deu base ao filme! AEAEAE! Não tem edição brasileira, então vou comprar em inglês, mas não me importo de ler com um dicionário do lado. O discurso do Tyler Durden merece meu esforço.
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