Clicadas

sábado, 25 de dezembro de 2010

Porque é uma hipocrisia saudável

FELIZ NATAL, GALERA LINDA!



15 de novembro, dia da primeira prova da UFRJ. Estou num ônibus com a Natália e num ônibus a nossa frente eu vejo um anúncio de promoção de cartão de crédito, e num canto do anúncio, tem escrito: "Stop and shop"; "pare e compre". Isso me deixou realmente preocupada. Um pouco mais antigamente (pelo o que eu lembro de quando eu era criança, pelo menos) as coisas eram mais escondidas, mais "disfarçadas". Tudo bem, não significa que não existisse, mas pelo menos não era tão incentivado, sabe? E não parecia tão normal, e provavelmente não era tão absurdo quanto hoje em dia. Como a religião era mais forte* ainda havia algum cuidado em não mudar o sentido do Natal. Hoje em dia não. Tá tudo escancarado. Seja esse anúncio que eu falei, seja outro anúncio de um shopping em que as pessoas falam DESCARADAMENTE "eu amo o Natal porque eu posso ganhar uma BMW", seja comercial de cartão de crédito que chegou ao CÚMULO de cantarem "pagar com dinheiro, que cosa tristê". Se fuder, porra! Eu pago com dinheiro a merda que eu quiser porque não vou me deixar levar e ficar devendo pra uma porcaria de cartão de crédito. Olha, eu não sou uma pessoa com família enorme e feliz que come horrores. Eu como pouquíssimo e passo o natal só com o meu pai e com a minha mãe, que não são tão animados. Eu só fico rindo com a minha mãe falando de coisas aleatórias e me cortando quebrando nozes. Ou seja, eu não tenho o melhor natal do mundo, então não tenho grandes motivos pra adorar esse feriado. Também não sou religiosa, aliás tô meio perigosamente longe disso, pra defender a comemoração do nascimento do menino Jesus (que nem foi hoje pelo que parece né, mas enfim), e etc etc. O que importa é: tem falsidade? Tem. Tem hipocrisia? Tem sim, muita. Mas por acaso isso não existe o ano todo? O que que custa se doar a um feriado pra tentar ficar bem com a família, mesmo com quem a gente não gosta? O que que custa parar de ser implicante e problemático? Não vejo tanta graça em ter orgulho e gostar de ser do contra se chamando de Grinch. Natal é legal. É uma hipocrisia (que não é universal) SAUDÁVEL.

* Eu tenho pensado muito sobre o que eu conceituava como "ruim". Exemplo: ditadura. Só o nome me dá nojo. Mas, se eu pensar em Cuba (levando em conta que eu sei POUQUÍSSIMO de Cuba, tá? Só o que a minha professora de História linda e socialista de carteirinha falou), o que o Fidel tem lá é uma ditadura, mas o sistema de saúde e o de educação funcionam. Isso é ótimo. A cultura é censurada, mas né, tem saúde e educação.
Outro exemplo é que, isso eu tô meio que chutando porque nunca analisei um exemplo a fundo mas imagino que seja assim, uma cidade por exemplo onde a religião é forte: existe moralidade e um monte de coisa CHATA e que me ENOJA; porééém, deve ter um natal fodão. Porque a mesma moralidade que pode vir a ser um inferninho, obriga as famílias a se unirem e serem boas (independente dos porquês de o serem). E isso é legal.

Enfim, estou só tentando fazer uma reflexão mal organizada e no calor do momento pra dizer que nada é de todo ruim. E que se pararmos pra avaliar o nosso tempo como está agora, a sociedade se tornando cada vez mais de um consumismo violento, qualquer coisa que pregue união entre pessoas (mesmo que já não tanto como antes) deve ser valorizada e se possível fortalecida. Afinal, por mais que eu ame comprar e ganhar presentes, são as pessoas que me fazem felizes. Eu não ia conseguir viver afogada nos meus livros e nos meus dvds, mas sem a minha mãe, meu pai...

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mudei.

Mesmo que não muito. Só o bastante.

Reflexão

Escrever. Usar essas coisas pequenas e estranhas, letras, para formarem sons. Coisas que o papel não fala, mas a gente lê. Sinestesia pura. A gente ouve algo que a gente vê. E sente essa sinestesia no fundo do coração. Sente nos olhos quando a gente chora. Escrever é lindo. Ler é maravilhoso. Essa mistura desse código estranho que te faz sentir coisas mais estranhas ainda, que te faz pensar, que, meu Deus!, te torna até uma pessoa melhor! É tudo tão incrível. A vida é pequena e parece não ter sentido, mas tem umas coisas lindas, eu tenho que admitir. E que nos enganam tão bem!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dançando no Escuro, Lars Von Trier (2000)

Tô com vontade de escrever, mas não quero falar daquilo que eu falo sempre e que cansa até a mim: eu mesma. Então vou falar de Dançando no Escuro, filme do Lars Von Trier (diretor que me dá medo, eu sempre penso nele como um louco que me faria sofrer num filme só porque eu sou mulher) que eu assisti com a Karina na sexta-feira passada.

Então. A premissa de Dançando no Escuro tem tudo pra ser só mais um filme de drama. Uma mulher (Bjork) que trabalha mais do que deveria, devido ao seu problema de vista que a está levando a cegueira, para pagar uma cirurgia para o seu filho que tem o mesmo problema que ela. Nesse contexto há um vizinho, o dono da sua casa alugada, dependente da esposa e que faz tudo por ela; um apaixonado, uma amiga fiel, etc e tal. E, principalmente: a personagem principal é apaixonada por musicais.
Pois bem, só que em se tratando de Lars Von Trier, as coisas ficam mais interessantes. O filme é feito (não totalmente, mas na minha opinião nem tão longe assim) dentro do que exige o Dogma 95 (Dogma 95 é uma doutrina que diz que os filmes não devem ter pós-produção, as cenas devem ser gravadas na ordem cronológica da história do filme porque não deve ter edição, trilha sonora tem que estar dentro da cena, iluminação o mesmo... Ao todo são 10 deveres desse modo de se fazer cinema, que visa a valorização do enredo, e não do visual, por assim dizer). É isso que o torna interessante. Filmes que não focam tanto seu lado visual, ao contrário, direcionam esse foco para os personagens, ganham a minha simpatia. Os focos no rosto do personagem sem qualquer tipo de "nhém nhém nhém", aquela coisa crua, que exige que o ator e sua arte sejam a única coisa a ganhar o telespectador, são muito bons.
A atriz, uma cantora islandesa, Bjork, me impressionou. Ficou muito bem com o estilo do filme. Não foi à toa que ganhou vários prêmios. Ela atuou de verdade: em algumas cenas ela me lembrou minha mãe, com a sua naturalidade, sorrisos sinceros, tristezas sinceras.
O que eu gosto nos filmes do senhor Trier são as pequenas (no caso deste filme) críticas dele. No caso deste, embora em menor intensidade do que em Dogville (que é crítica pura em si só) por exemplo, há um pouco de crítica a hipocrisia humana. Usual.
O filme é bem feito, tem uma atuação que chama atenção... e para pôr a cereja em cima do bolo, as músicas que Bjork compôs para o filme. Lindas. E ficaram tão belas nas cenas em que ela canta e dança... Nem vou comentar da cena final. Incrível.
No geral, tecnicamente, é um filme muito bom, diferente e interessante. É bom ver esse tipo de filme sempre que possível, pra fugir das coisas que nos são forçadas garganta adentro atualmente. Só é bom ressaltar que a história não é tão diferente, só o modo como é feito. Mas já é um grande começo.


Nota: 8,0

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Amargo*

Não sei. Simplesmente isso: não sei. Nada do que eu pensava parece fazer sentido. Parece que eu tenho consistência de gelatina. Nada do que eu acredito parece ser verdade. Nada parece eterno, nada mais parece que vai me dar a certeza de alguns (ótimos) anos atrás. Eu não quero ser sábia. Não quero saber o que é certo ou errado. Sinceramente, não me importo de estar errada. Mas eu quero acreditar. Eu preciso acreditar em alguma coisa. Eu preciso de uma certeza. Eu preciso de algo com "moldura em granito", foi mais ou menos assim que Drummond disse (num poema que odeio pensar assim, mas infelizmente, concordo e acredito).
Será que não existe nada eterno? Não há nenhuma certeza além da morte? Será que há em algum canto não explorado uma pessoa que jamais vá decepcionar alguém importante?
Eu me sinto vazia, e é isso que me mata. O vácuo me sufoca. O vácuo afogou as minhas crenças, as minhas confianças. Eu finjo que acredito pra ver se se torna verdade.
Eu vejo coisas que eu não via antes e preferia não ver. Coisas que me põem um peso nos ombros que eu não me sinto capaz de carregar. Tem tanta gente mais forte que eu... por que eu devo aguentar tudo isso?
Acho que estou deixando de ser cega. Estou vendo o que, por bondade?, se escondia de mim.
É tudo tão ruim, tão feio, tão horrível, tão sem fim. É um infinito de coisas que me fazem sentir fraca e incapaz. Errada, pecadora. Eu não sou nada. Nada. Só mais uma. Só mais alguém que provavelmente não vai fazer diferença.
Eu não vejo futuro, às vezes. Como eu poderia aguentar?
Quando meus pensamentos tomam esse rumo depressivo eu começo a me desacreditar. A falar pra mim mesma, e mais uma vez me forçar a acreditar, que tudo isso não é nada, que não é passageiro, assim como todos ao meu redor têm me dito. O interessante é que às vezes, na minha linha bêbada de pensamentos, eu acredito. Aí eu penso como eu sou idiota. Como eu sou fraca (de novo!) e como eu sou egocêntrica. Como eu penso em tudo como sendo sobre mim... e não é. Mas eu não sinto isso. Só digo porque provavelmente é o mais racional e é algo que se espera na minha idade. Argh, bléh, eca! Minha idade. Era feliz com 16, 15, 14... Acho que vou ficar embaixo da cama ano que vem quando fizer 18. Mas hein, será que meu egocentrismo é resultado do fato de eu ser filha única? Um psicólogo (ou psiquiatra, não entendo bem) diria que sim. Aí eu penso... será que todas as coisas da minha infância vão gerar um resultado tão desastroso assim pro resto da minha vida? (Minha infância não foi monstruosa. Só fui meio solitária, mas tudo bem, isso me fez ler mais. O problema é aquele drama constante e etc que de vez em quando me fazia achar que várias coisas eram as últimas. Acostumei.)
Voltando ao que eu ia dizer: às vezes, quando consigo me enganar, eu tenho um ataque de carpe diem. Uhul, vamos para a Lapa! Vamos a cinema inteira para o cinema! Vou passar a semana inteira na casa de amigos! Vou ver os filmes que eu ainda não vi, os clássicos, aqueles de faroeste!
Aí eu volto a pensar e "não seja idiota. Você está sentindo como se não gostasse de ninguém. Vazia até de sentimentos. Você, Renata, você. Sempre tão apaixonada... sempre tão cheia de sentimentos e de confusões por tê-los em demasia... agora sente como se tivesse poucos demais." E eu não sei o que eu prefiro: ter ou não ter, eis a questão.
No ápice de tudo, eu me forço a pensar que é momentâneo. Que isso tudo vai passar. É só essa maldita transição de fase de crescimento, alguma porcaria desse tipo que falam por aí. Passa. Mas eu não queria nem que acontecesse. Eu não queria mudar as minhas opiniões, eu não queria ver a verdade. Como que eu vou viver assim? Eu não fui feita pra isso. Eu preciso de coisas eternas e exatas. Ops, exatas, eu? Também não. Eu não sei quem eu sou, eu não sei do que eu gosto, eu não sei o que eu quero, eu não sei o que eu vou fazer, eu não sei o que vai durar. Eu só sei o que eu não quero.
E nessa angústia, nesse andar perdido, nessa linha de trem cheia de tantas encruzilhadas, dançando cega nesse escuro de uma ante-sala, eu fico. Sem saber de nada. Fui desconstruída e não me conformei com isso. Eu tenho um monstro interno que puxa as peças de volta. Eu não sei contra quem eu luto: contra os que destroem ou o monstro que pega as peças de volta. Ou melhor... não sei se devo lutar. À esta altura dá vontade de me jogar numa corrente e me deixar levar...


(Será que esse texto deveria se chamar Crescendo?)
* Achei! O título é: "Amargo"

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Eu estava assim, realmente tão errada, sobre tudo que eu acreditava? Tudo? Não há nada que realmente vá durar pra sempre? Tudo realmente morre?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O que foi

Respeito pelo o que foi
Receio de ignorar tudo que foi bom
Medo das fotos não terem mais porquê de ser
ou de simplesmente não emocionarem mais.

Minto.
Melhor dizendo,
o medo é do passado emocionar demais
por fazer pensar que é impossível voltar.

E o que revolta,
o que angustia,
é que tínhamos, achava eu,
tudo para provar que o para sempre existe.

Mas não. Agora sobrou só esse nada.
Esse vazio frustrante.
Temos forma, mas nenhum conteúdo
(foi sugado pela vida e suas ironias)
Agora só temos este respeito pelo o que foi.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A propósito...

AAAAAAAAACABOU O VESTIBULAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!!
POSSO SER NORMAL DE NOVO, POSSO LER, POSSO VER FILMES E SÉRIES SEM ME SENTIR INÚTIL
E VIVA O MEU DIREITO DE SER VAGABUNDA, MAS CULTA!


(a idéia de vagabunda culta veio de uma conversa com a @nataliiemoore)

Amizade

Já não acho mais que são verdades as coisas que parecem mais bonitas, pelo menos algumas, mas já é alguma coisa.
Comentando sobre aquela que eu conheço mais: amizade.
Não existe amizade "de verdade", ou pelo menos, esta não é eterna. Não há nada eterno. Tudo, absolutamente tudo, é passível de ter fim. Além disso, esse fim pode acontecer por quase que qualquer motivo; só precisa ser "desenvolvido do modo certo". Portanto: "amizade de verdade não tem fim" é lindíssimo, e é muito bom e bem mais fácil acreditar nisso... mas não é verdade. Pelo menos eu não acredito que seja. Pra mim, hoje em dia, isso parece absurdo demais para acreditar.
Poréééém!
Existe a amizade. Existem os momentos.
Acredito sim que exista uma relação belíssima entre duas pessoas sem segundas intenções ou interesses individuais. Não tem que durar pra sempre para ser de verdade. É uma noção que deve (eu devo) ser repensada e entendida. Sempre se pensa no sempre, no muitos anos e etc. E é muito gostoso acreditar nisso. É muito gostoso, confortável, doce e traz segurança acreditar que quando você tem algo, você nunca perde. Mas não é assim, essa não é a verdade.
É triste e perfeitamente possível que uma amizade que você ame e preze se perca por motivos que não estão ao seu alcance cuidar. (Ou pode acontecer de ser impossível ser menos egoísta.)

Afinal, o que eu quero dizer, e o que eu tenho que fazer, é que é preciso entender que as coisas têm fim e que isso é assim e pronto.

P.S.: "Nunca diga nunca" - Há coisas que eu preciso acreditar que são eternas. 

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Eu e você, sobre você, para você, contigo

Encantada,
liberdade,
inesperado,
sincero,
estupendo,
ultra-romântico.

Só porque achei fofo:

Renata (R) diz (22:26):
quero meu cabelo assim de novo, mimimi
Natália Rezende diz (22:29):
*oooooownnnnnnnnnn
*tah linda*-*
Natália Rezende diz (22:30):
*foi assim que eu te conheciiiiii *-*
Renata (R) diz (22:30):
*Owwwwwnn *-*


(como a Natália me conheceu:)


Bom dia, queridos professores! (parte I)

Professor Cícero (de filosofia) e professora Regina (de história). Me deram aulas em dois anos do meu 2o grau.

Não dá pra agradecer por tudo. Mas não custa tentar!
Obrigada por me fazerem pensar, cada um ao seu modo. Obrigada por mudarem minhas visões sobre coisas, a questionar, a não aceitar tudo que me impõem. Vocês são parte de mim e da história e da filosofia da minha vida!
Segundo meu professor de filosofia em uma das suas aulas, um dos vários paradoxos sobre o amor:
Quando há uma separação, quando um amante deixa de querer o outro, este que não é mais querido morre. Morre apesar de estar vivo. (E se serve de consolo, essa morte leva à maturidade.)

sábado, 27 de novembro de 2010

CARPE DIEM!

Eu tenho que parar de pensar no que é, teorizar sobre o que deve ser a verdade da vida, filosofar sobre se é egoísmo ou não, parar de ter medo, imaginar que isso não vai passar... porque oras, não adianta nada mesmo. Eu tenho que abrir a minha cabeça teimosa e enfiar isso nem que seja à base de marteladas. Se é assim agora, eu vou simplesmente aproveitar.
E principalmente: eu tenho que parar de pensar sobre, e começar a sentir sobre.

CARPE DIEM, COMPANHEIRAS E COMPANHEIROS, CARPE DIEM

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Carioca

Nesse momento ser carioca para mim é ter achado normal, e ter agido de modo normal, quando ao ir na casa uma amiga fazer um trabalho escolar, ver vários homens em motos carregando armas enormes passando do meu lado.

domingo, 14 de novembro de 2010

Altar Particular: Abertura

Altar Particular: Abertura: "É, esse é o primeiro de muitos. Tirarei coisas de mim, que me faz bem ou mal E que servirão pra coisas boas ou não Pelo menos elas estarão a..."

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pocket show do Leoni na FNAC





"E hoje estou de volta à vida, Aos amigos, aos sorrisos, sob o sol
E hoje estou de volta à vida, Pra você essa canção da despedida"


meninas são tão mulheres, seus truques e confusões...

Foi lindo!

11/11/2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Autobiografia: Monstro

O que eu achei que fosse momento,
parece permanente.
Um estado de espírito,
parece personalidade formada.
-
Com o tempo,
sem perceber, eu ensangüento.
Sem ver, eu afasto.
Cega, eu me isolo.
-
Há vezes em que só há minha sombra ao meu lado
(porque é obrigada, talvez?).
E a minha dolorida solidão que vai e volta e volta
Nesse momento de claridão que queima, eu vejo
que sou eu que me mantenho
sozinha e vazia no escuro.
-
A assassina sou eu.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Poema de uma garota cruel de quinze anos

Você é bonito. Te desejo.

Você é inteligente. Me envolvo.

Você é divertido, quero um beijo.

Quero um beijo, quero um abraço, quero um amasso.

-

Você me nega. Eu quero mais.

Você gosta de livros, vou ler também.

Se você gosta de cinema, vou visitar sites sobre filmes e ler críticas que não sei do que falam.

-

Você se interessa. Eu me acho especial.

Você me acha especial, eu me acho incrível.

Você quer me beijar, eu faço doce.

Quando você fica com raiva, aí sim, eu te beijo.

-

Ficamos juntos.

Ficamos juntos.

Ficamos juntos.

-

Você está conquistado. Se você assim diz, sou o seu sol.

Ser sol é chato. Eu gostava quando eu era uma estrela apagada lutando pra brilhar.

Você longe é sensual. Quando você diz que não quer, mentindo, eu gosto.

Vai, mente mais.

-

Outros me parecem inalcançáveis.

Bonitos, inteligentes e divertidos.

-

Tchau.

Digam o que quiser, mas viver em paz é difícil.

sábado, 30 de outubro de 2010

Melancolia-cinema-alegria

Houve a praia
Há agora a sala de cinema
E no começo, uma mensagem em inglês engraçada que contei nos dedos quem entendeu
Risadas pipocadas pela sala.
-
Há agora a sala de cinema
E o filme é incrível
É delicioso, cheira bem, a música faz sorrir
Me sacio.
-
Há agora a sala de cinema
E eu gravo as músicas de algum modo,
para tê-las ao meu dispôr em casa depois.
Eu amo cinema.
-
Agora passaram-se muitos meses.
Não lembro a data do cinema. Mas talvez eu ainda tenha o ingresso na minha caixinha de especiais.
Mas eu lembro do filme... a música que ainda me faz rir... o choque, a reflexão sobre o filme, o meu estado naquele dia
Um amigo me dizendo as interpretações dele, mudando algumas minhas
Ai, cinema, ai, que teu poder me inebria e eu me transbordo de alegria!
-
Se bem que, agora, ouvindo essa música, o que tenho é melancolia
E são nessas horas que se entende o carpe diem.
Viver o momento.
Aquele momento no cinema que não volta mais, as tantas vezes que ouvi a trilha.
Ai, tempo, que me faz sentir assim.
Ai, tempo, tanta coisa que você faz por mim.
Ai, melancolia, que apesar de mil pesares, me agrada. É gostoso.
Lembrar bons momentos
Que não voltam
Que agora essas músicas vão marcar outros momentos
-
Mas ai, é tanto a se dizer, é pouca palavra pra usar...
Melancolia, alegria, cinema, gozo, magia.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A se pensar:

Hoje durante uma das aulas dos últimos tempos, a diretora da minha escola pediu licença para dar um recado à turma. Ela disse que havia recebido um e-mail do secretário de educação dizendo que agora, quem sofresse bullying, deveria denunciar o acontecido diretamente a ela, e o aluno que tivesse cometido a brincadeira de mal gosto deveria ser levado à delegacia. Ela disse que foi deixado bem claro, em letras garrafais, que isso "É UMA ORDEM".
Pois bem. Enquanto falava sobre o assunto, ela se lembrou de um episódio que aconteceu na escola há 4 anos, mais ou menos.
Um garoto de 26 anos, com deficiência que o fazia ter mente de uma criança, estava matriculado na escola. Em uma aula dessa mulher, que hoje em dia é diretora do colégio mas na época era então professora, ele colou vários papéis de bala no rosto. A professora viu que alguns alunos da sala riam dele. Ela desceu, falou com a coordenadora que ia mandá-lo para a direção. Mandou. Quando este voltou à sala, disse a diretora, ele estava muito feliz, extremamente contente. A então professora perguntou o porquê. Ele disse que era porque a coordenadora havia posto uma anotação em sua caderneta, assim como fazia com os outros alunos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

7 anos, 84 meses, 336 semanas

Cadê os nossos tão celebrados 84 meses,
e todo o conhecimento que deveria vir destes?
-
Se há alguém no mundo que deveria conhecer até minhas entranhas,
não seria esta, você?
-
Dói, sabe? Ver suas crenças desabarem.
Eu sei, admito que tem lá suas bondades... mas eu prefiro as suas maldades e a minha boa e velha ingenuidade.
-
O meu prédio era muito bem edificado, minhas bases eram sólidas.
Eu ficava sorrindo nas janelas...
-
Porém, em algum momento, não percebi quando, deixei uma traça entrar.
E esta agora é muitas, e muito mais forte, e se infiltrou justo por onde era feito aço.
-
Minha epifânia veio tardia.
Já não há mais o que evitar.
-
Fomos destruídas, minha amiga,
e temo por um dia de onde já não se possa mais voltar.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Somos ilhas distantes

Estamos todos num arquipélago, e esse arquipélago é a vida.

Na ilha em que agora me encontro, só uma pessoa me acompanha.

As outras estão em outras ilhas, muito longe.

Foram para lá, cada uma por um motivo e outras pelo mesmo, que não dá pra evitar.

-

É a minha evolução. (ou não?)

Por isso tanta distância da minha ilha. Uma distância angustiante de alguns, uma distância precisada de outros.

Se for para acontecer, melhor explodir sozinha.

Só fica quem me ama o bastante para ir pelos ares comigo.

-

As minhas bases implodiram. Se desabaram. São poeira de mim do passado.

Doeu. Machucou. Angustiou. Demorou.

Mas eu mudei. Vê, mundo? Mudei. Não sei se pra melhor. Não creio que para melhor.

-

Agora eu ando sozinha. Não tenho mais quem tinha.

Não acredito que vá ter de novo algum dia.

Só uma pessoa me acompanha.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Iniciada

Nessa vida ainda sou uma criança tentando se equilibrar

Sou bebê, recém-nascida.

-

Mas já sou capaz de amar, e amo

Já desejo algo, embora não conheça o desejo em si

E o que eu desejo é mais desse mel, substância anti-razão

Que tão intensamente inflama o meu coração.

-

Essa substância, esse mel, esse vinho que melhora com o tempo

Seja romântico, seja moderno

Encontrou em mim um gene que eu não sabia que existia

E eu gosto mais de mim assim

-

A poesia, ah, a poesia

A arte fina misturada com um pedaço da alma de quem escreve

E com uma pitada de tudo mais que existe

E um pouco de uísque, talvez...

-

Encontrei um oásis, um lugar pra eu me esconder

Para eu me encontrar, me despir e descobrir e descobrir

Que eu não sabia que eu era eu, e que eu não conhecia um dos grandes prazeres da vida.

domingo, 24 de outubro de 2010

À uma amiga

Eu quero que você saiba que eu estou aqui por você
E com você.
Que contigo eu vou chorar e escrever poesia,
se necessário, até o raiar do dia.

Manifesto romântico?!

(Para Natália Rezende, mais ou menos uma resposta ao seu texto Hora da Fuga?, postado no blog Rabiscos)
.
É claro que eu não vou dizer que tenho, oh meu Deus, uma grande experiência de vida (ainda bem). Não. Porém, gosto do fato de ter tido experiências, mesmo que poucas, o bastante para ter mudado alguns princípios, crenças e opiniões que eu tinha há uns dois anos. Mesmo que as minhas visões de hoje em dia não sejam as ideais, mesmo que elas provavelmente viessem a me machucar profundamente hoje em dia se eu tivesse que pô-las em prática, gosto delas assim.
Medo já me atrapalhou muito. Já fiz e não fiz muita besteira ou coisas certas por causa disso.
Medo é inútil no amor, na paixão. Não adianta se proteger. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. É tudo questão de quanto tempo vai demorar até você explodir ou ser alcançada (o). (Posso poetizar a questão? É tudo questão de quanto tempo vai levar pra você roubar um beijo, para fazer uma declaração, para começar a ficar desesperada e fazer coisas que vão te fazer rir da própria cara muito tempo depois.) Fugir de uma paixão é como correr numa esteira. Você cansa, gasta força (física e de vontade), pensando que vai conseguir sair do lugar (emagrecer, por exemplo). Para as pessoas mais sinceras consigo mesmas, elas pelo menos já fazem isso com alguma consciência... fazem isso por sentir que devem tentar seguir o racional antes de se jogar no abismo da emoção.
Eu gosto da sensação do perigo. Gosto do frio na barriga. Gosto do sofrimento, da agonia, de me sentir viva apaixonada e amando! Gosto! Amo amar! Gosto de cair, de me jogar... eu sou contra o pára-quedas. Eu só quero um avião que me jogue no ar, que me deixe longe do chão.
Mas alguns vão dizer que não são masoquistas. Que dói. Que machuca. Que ser rejeitada é difícil, que o risco é grande demais, que as consequências são sérias demais. Mas, me diga, se você evitar tudo isso, como você vai crescer? Como você vai ser alguém de verdade? Como você vai aprender? Como crescer sem levar uns tapas? Os erros ensinam mais do que qualquer coisa. Só sentindo um gosto amargo se valoriza o doce.
"Navegar é preciso; viver não é preciso"
Tem horas que o medo é realmente útil, eu aceito isso e meu coração continua aberto. Mas ninguém sabe o que é amor, o que é paixão, o que define isso e aquilo. Então, por que aplicar regras da razão a algo que ninguém nunca vai conseguir definir o que é em essência?
Se você quer esquecer alguém, beije-a. Fique com ela o tempo todo (à primeira vista isso parece irracional; mas a lembrança do calor daquele corpo humano tão cruelmente desejado é de longe melhor do que a ausência desta). Tome um porre e grite "eu te amo!" em um microfone alto. Fale um monte de besteiras. Seja romântica (o).

Cada paixão, amor, amor platônico, sentimento, até amizade colorida (???) é único. Não se contenha; viva. Exploda o coração levando-o ao êxtase em número de batidas por minuto. Ignore o cérebro, ele não deve ser muito usado em certos momentos. Não há nada que possa ser levado desta vida, então ao menos obtenha algo que ninguém vai te tirar: a sua vida vivida, suas experiências, suas lembranças, seus prazeres, seus beijos molhados, abraços em dias de sol...


Como tudo tem porém, faço minha ressalva: sou fruto do meu tempo e do meu estado de espírito. Mas digo que não quero desistir das minhas opiniões de agora... mas também não acho que eu tenha controle sobre mim. Quem sou eu diante do mundo e do que ele quer de mim?
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Renata, 23/24 de outubro de 2010.

sábado, 23 de outubro de 2010

Inception

Mundo injusto, hein?

Para nascer um sentimento bom, é necessário todo um processo, nhem nhem nhem (depende do sentimento também). Mas para se instalar aqueeele sentimento desagradável, que te angustia, que faz você ficar estressada por dias e faz você brigar constantemente com o seu namorado só precisa de um pensamentozinho, uma sementinha. Um psicólogo na tv falando como você deve ficar antes do vestibular. Um professor explicando uma questão e você percebe que só tinha que lembrar daquela coisa que há algum tempo atrás você não deu importância. Até um comentário. Às vezes um olhar!
O mundo é injusto. Muito.
Não aguento mais ficar pessimista não, tá? Coisa chata. Eu hein.
Eu não sabia o que era olhar para a rua, ver pobreza em cada canto, imaginar que todo mundo ali está perdido, que o mundo não tem salvação, que não vai vir uma revolução...
E de fato, tem coisa que é melhor não saber. Um viva para a ignorância.

Meu professor de Literatura da escola é um sábio. Desde o 1° ano que ele diz: "Quem pensa não é feliz."


Amém.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Off the record

Não é uma das minhas tentativas de misturar poesia com meus desabafos. Pelo menos não conscientemente. É puramente desabafo.

Tem um filósofo, não lembro qual agora, meu professor de filosofia que me perdoe, que diz que tudo o que olhamos já vemos com olhos humanos. Com isso ele dizia (com palavras muito mais adequadas) que nunca vemos nada plenamente, vemos o que nossa condição de humanos com todas as suas conseqüências nos mostra.

Então, acho que isso explica certas cegueiras. Explica também o meu olhar implicante sobre certas coisas.

Se tenho raiva? Sim. Muita. Não nego. Também já não me importo. Perdão, mas não tens mais a importância que tinha algum tempo atrás. É uma mudança prevista e inevitável. E não pense que não dói admitir. Passei muito e esgotei pensamentos pra chegar até aqui.

É difícil ser apaixonada por uma idéia. Leia bem, por uma idéia. Algo que não existe. Talvez essa minha tese explique muita coisa.

Minha paz está longe daqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu

Escrevo pra me expor.

Nasci nua e assim permaneci.

Se não me despir, explodo.

Quero jogar fora aqui todo o meu pessimismo.

Tudo em que eu não acredito.

Tudo o que eu já acreditei e quero deixar pra trás.

Se eu pudesse, trocava de alma.

Não sei mais lidar com essa aqui.

Será que dá pra mudar?

-

Não sei lidar com eu não sei o que fazer.

Sinto-me fraca, mas saber e ter consciência disso dói, mãe.

Mãe, eu quero ser que nem você.

Eu quero conseguir ignorar tudo o que já foi importante pra mim.

Não dá mais certo. Não funciona mais.

Eu não acredito mais.

Odeio mudanças.

Mas também odeio rotina.

Quero mudar e quero permanecer. Por que tantos paradoxos?

Se eu pudesse escolher, seria no máximo uma... metáfora, talvez.

Uma forma implícita de comparação.

Não sei.

-

Quando foi que eu me perdi de mim?

Quando foi que eu perdi o controle?

Tudo isso é realmente tão forte assim?

Ou eu estou enfraquecendo com o tempo?

Não deveria ser ao contrário? E aquela história de aprender com as experiências?

Só comigo que não dá certo?

Sinto frio e tremo.

Tenho medo de ficar sozinha. Não aceito e brigo.

Mas quem sou eu pra ir contra isso?

O mundo é mais forte que eu.

Eu não consigo aceitar.

Sempre tive uma dificuldade desagradável de ver onde estou errada.

Eu não quero falar sobre isso, mas eu quero que todos saibam sobre isso.

Quero me expor. Apesar do frio, quero estar nua.

Não sei porque. Sempre fui assim.

-

É meu, e eu não vou desistir.

Isso se eu conseguir evitar.

Por que tem que ser tão difícil gostar?

Me desculpa. Eu não sei o que fazer. Não é culpa minha.

Sempre fui assim.

Não sei mais o que fazer por mim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

As tuas lágrimas salgadas

Hoje, sentados no nosso sofá da sala, senti o gosto das tuas lágrimas, por mim derramadas. Não, não chore; não é culpa sua. [i]Não é você, sou eu.[/i] É coisa de momento. Minha antiga eu irá voltar por você. E desculpe-me, meu querido, mas foi lindo te ver chorar... vi na água que saía dos seus olhos o seu sentimento por mim, e o meu por ti nelas refletido. Sequei seu rosto com os meus lábios. No seu desabafo encontrei a nossa paz há algum tempo esquecida. Peço perdão pelos últimos dias. Vai passar. Enquanto isso, espera por mim, meu querido, eu vou voltar. Você continua sendo e jamais deixará de ser aos meus olhos aquele belo pelo qual me exaltei naquele dia de março. Espera-me, meu querido, eu vou voltar. Não chore por mim, deixa que, se necessário, eu choro por ti.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ano de vestibular

Você é estudiosa, você vai passar, eu tenho certeza. Não estudei hoje. Tô cansada. Quero dormir. Será? Vai pro curso amanhã? Tenho que ir, né, é dia de geografia. Tô com fome. Você conseguiu? Não, eu até sei um pouco do que a questão falava, mas não conseguia formular uma resposta. Estaria ferrada se caísse uma questão dessa na prova. Puta que pariu, nunca ouvi falar disso. Quem é esse cara? Que corrente político-filosófico-econômica é essa? O professor vai dar 3 tempos. Que merda. Quero ir pra casa. Preciso estudar matemática. Não entendo o que ele fala. Matéria inútil. Será que eu vou passar? Vai sim. Você consegue. Mas eu não estou estudando o bastante, eu deveria estudar mais. Você já estuda muito. Não, não estudo não. Estuda sim. Só eu que sei. Mas eu tenho que estudar mais... vestibular é difícil... e se eu não passar? Tudo bem, ano que vem você aproveita, se foca nisso. Não. Eu quero passar esse ano. Será que eu tô deixando de aproveitar meu último ano no 2° grau? Tô angustiada. Amor, desculpa, eu tô chata. Não, eu não sei bem essa matéria, eu até tive ano passado, mas o professor não era lá essas coisas. Eu achei que nesse exame eu ia conseguir aumentar minha nota, fiquei decepcionada. Descansa, você tá precisando. Não sossego enquanto não entender isso aqui. Tenho que estudar para a escola, tá foda. Tá difícil. Não dá. Eu vivo chorando. Surtei semana passada. O que que houve? Tô cansada. Tô estressada. Tô angustiada. Preciso relaxar. Quero aprender a tocar violão. Vamos em algum museu. Vamos ver o pôr do sol no Arpoador sábado. Mas eu deveria ficar estudando. Só um dia. Tá (mas quando eu chegar eu ainda vou tentar fazer aquela questão). Pegou a prova de 2009? Peguei. Vou tentar fazer. A de 2010 foi horrível. E se a 2011 for pior? Ano que vem vai ser pior. A tendência é piorar. Esse é o nosso ano, nós temos que passar agora. E se? Eu quero descansar. Parar de ir às aulas não adianta, a pressão é dentro da minha cabeça, eu estou contra mim. Será que eu tô tendo um início de depressão? Ih, relaxa, você tem que controlar sua mente, cara. E você acha que dá? Se eu conseguisse não estaria assim. Amor, você pode me ver hoje? Tô precisando de alguém. Não tô a fim de ir dormir agora, não consigo. Meus músculos não relaxam, estão sempre contraídos. Eu tô estudando pouco. Eu tenho que estudar mais. Eu tenho que passar. É o meu futuro. E se eu não conseguir? Vamos no cinema? Não dá, hoje eu tenho História. E amanhã? Geografia... é específica... Mas vamos tentar fazer algo no fim de semana, tô precisando. Beleza, vamos sim. Saudades, faz tempo que não saímos juntas, gata. Talvez nem tenha sido tão legal. Não dá pra pensar em outra coisa. Passa, vestibular, passa. Acaba. Divulguem-se logo os resultados. Se é pra chorar, que seja o quanto antes. Se for pra ser feliz, pelo amor de Deus, que seja já! Meu Pai, tá difícil de aguentar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Epifânia

O que fazer, agora que usei todas as palavras perigosas? Aquelas-que-não-devem-ser-ditas? Já disse que você é tudo pra mim. O é. Já disse que é para sempre. É. Por que não deveria? Por que o bom senso diz que não? Não me importo. A verdade não é, é nada. É momentânea. Meus fatos são os que agora lhe declaro. Meu coração não mente quando contigo. Acredito em tudo que falo. Você é o que eu quero, o que procurava. O certo me encontrou quando eu inclinava-me ao errado. Só sei que te amo... que te quero... que é eterno. Danem-se as palavras perigosas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Suposição

Tenho mania de reparar em pequenices e principalmente, pensar e supôr coisas sobre estas.

Hoje, por volta de 13h, estava em um ônibus. Houve um momento em que eu vi um carteiro. Estava sol e a roupa dele parecia quente por ser um tecido pesado, então eu esperava que ele estivesse de mau humor. Ao olhar para o seu rosto, não era isso que parecia. Ele estava sorrindo para algo que não estava ao alcance da minha visão. Imaginei porque ele estaria rindo. Vi envelopes nas mãos dele e parei para pensar no que os carteiros fazem hoje em dia: praticamente, só entregam contas. Como boa saudosista, pensei... há alguns anos, antes da internet e o e-mail se popularizarem, deveria ser até agradável ser carteiro. Imaginei-me entregando cartas de amor. Imaginei tocar uma campainha de uma casa amarela e simples, uma garota sair, perceber quem eu era e ficar animada ao sonhar com uma carta deveras desejada. A menina receberia o envelope bem cuidado, talvez até com um perfume. Sorrindo, me agradeceria.

Uma profissão esperançosa.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

À arte Romântica

Descobri que me identifico imensamente com o protagonista de 500 Dias com Ela. Tive uma educação de filmes de romance dos mais variados, mas para confessar a triste verdade, na maioria aqueles bem idealizados. O amor sempre vencia todas as barreiras. Em alguns, dos mais dramáticos, o casal se conhecia ao acaso (e isso depois era tido como destino para ficar mais belo na estória), se apaixonava simplesmente por compartilhar alguns gostos e opiniões, por causa de alguns momentos juntos... Eu protesto contra vocês, filmes enganadores. Eu protesto contra vocês, filmes enganadores, que se assistidos cedo demais, são capazes de uma pessoa ter uma visão idealizada de meio mundo, piorando todas as crises amorosas que ela virá a ter. Em contraponto, quero bater palmas aos realistas. Que eu me lembre agora, bato palmas de pé para Amantes.

Amor não é fogo que arde sem se ver. Amor não é conhecer de repente e amar logo, como por uma armadilha do destino, só porque é bonito dizer que é assim. Não é encontrar uma pessoa que seja igual a você, porque nem sempre é. Amor NÃO é brigar sempre e achar algum motivo para isso que combine com as idealizações. Quando se ama alguém, não se sente mal. Quem disse que para se chegar ao amor deve-se enfrentar obstáculos aparentemente intransponíveis? Pode ser, mas não é regra.

Amor deve ser algo natural. Acontece. Amar, me parece até agora, algo fácil. Você simplesmente ama e se deixa levar por isso. Pena que isso não fique tão bem como outras coisas em rolos de filmes e folhas de livros.

Quero esquecer que a arte Romântica produzida por amores impossíveis e idealizados é a mais linda.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Resposta à matéria da Veja (Marcelo Coelho)

Estou quase que literalmente ressuscitando isso aqui das cinzas. (cara, como tem post que me faz MORRER de vergonha de mim mesma, tsc tsc)
Agora eu sou uma vestibulanda feliz. E como boa vestibulanda, hoje epeguei algumas coisas com o meu professor de Geografia para estudar. Dentre essas coisas, há um texto de um outro professor de Geografia chamado Marcelo Coelho (
http://blig.ig.com.br/geomarcelocoelho/), sobre uma matéria da revista Veja de 2008. Eu li o artigo e, junto com o autor, estou revoltada. Só lendo o texto para entender.

RESPOSTA A MATÉRIA DE VEJA

Todos aqueles que acompanham o meu blog e minhas aulas sabem de minha opinião sobre a Revista Veja, a maior revista de circulação semanal do Brasil. Sempre fui um crítico do conteúdo desenvolvido por essa revista. Mas nesta semana a revista passou dos limites aceitáveis. Veja publicou (20 de agosto de 2008) uma matéria, assinada pelas jornalistas (pelo menos acredito que sejam) Monica Weinberg e Camila Pereira, inacreditável sobre o ensino no Brasil. A matéria parecia querer discutir os problemas do ensino em função dos maus resultados de alunos brasileiros se comparados com outros no mundo afora (comparações sempre muito polêmicas), mas na realidade a matéria é uma crítica a suposta ideologização do ensino por professores e autores de livros didáticos. A reportagem concluiu que esse rendimento de nossos alunos é resultado de uma doutrinação comunista-esquerdista que temos em nossas escolas. Isso é um absurdo! É uma reportagem elitista, autoritária (pois não da direito de resposta), arrogante e agressiva.

O texto começa de forma irônica (verdade que não tem graça nenhuma, como querem acreditar as jornalistas) e contraditória. Inicialmente, essas senhoras levantam, com enorme convicção, que não há conversas nos lares brasileiros sobre conteúdos desenvolvidos em sala de aula. Com isso, querem concluir a pouca importância da escola no cotidiano do aluno. Pura incompetência das autoras dessa brilhante reportagem. Talvez por ignorância pedagógica. O aluno não precisa lembrar de conteúdos de sala dizendo assim: “Ih Pai, sabe que ontem aprendi isso na sala com o professor de ...”, seria até ridículo acontecer dessa maneira. É importante que o conhecimento seja espontâneo e que reflita a visão crítica do aluno sobre aquele conteúdo aprendido em sala, logo ele estará desenvolvendo conhecimento sim quando há uma discussão sobre racismo ou sobre o conflito da Geórgia com a Rússia. Além disso, essa parte inicial contradiz o foco principal da reportagem. Veja que destacar a influência nociva e ideológica de professores de geografia e história sobre a cabecinha dos indefesos alunos, dizendo que há uma doutrinação nessas aulas, através de posturas de caráter apenas ideológico e equivocado. Afinal, os professores influenciam ou não no comportamento dos alunos em seu cotidiano? Porque se somos um perigo a essas crianças e temos forte influência ideológica sobre elas, não entendo elas não comentarem nada sobre as aulas com os pais.

A reportagem é baseada numa pesquisa encomendada por VEJA à CNT/Sensus, evidente que a revista não divulga toda a pesquisa, mas apenas aquilo que é de seu interesse.

Num dos momentos de maior equívoco da reportagem, está na página 74 (linha 12), onde Veja concluiu que o péssimo rendimento de alunos brasileiros em comparação com estudantes estrangeiros está relacionado ao ensino de péssima qualidade no país, até ai não seria nenhum absurdo. Porém, é uma conclusão equivocada dentro da lógica desenvolvida pela reportagem, pois a revista faz uma analise apenas de livros-apostilas de geografia e história, mas nossos alunos (como a própria revista coloca) são avaliados em matemática e ciências. Por que Veja não avaliou livros de Matemática, Português, Física, Química e Ciências? A capa da revista faz ironicamente uma relação com a deficiência dos alunos com a escrita. Com isso, é fácil concluir, a revista não está disposta a discutir qualidade da educação e sim a ideologia de professores de geografia e história. Fico pensando o que Veja acha de disciplinas como Filosofia e Sociologia, pois estas estão chegando pra valer no ensino médio.

As jornalistas Monica Weinberg e Camila Pereira (guardem esses nomes) chegam a uma conclusão assustadora ao analisar a resposta de professores sobre a principal função deles em sala de aula. Para cerca de 70% dos professores, a principal função da escola é “formar cidadãos” (como fiquei feliz com essa resposta!). As jornalistas consideram isso um absurdo, uma demonstração clara da ideologização do ensino, considerando isso uma evidência da doutrinação nas escolas. Meu Deus! Elas precisam ser chamadas para o Ministério da Educação no Brasil ou para a direção das escolas de pedagogia de universidades brasileiras. A resposta dos professores é absolutamente perfeita. “Formar cidadãos” é discutir conteúdos, é incentivar o raciocínio, é discutir valores, é despertar para seus direitos e deveres, é construir solidariedade, é preparar para o mercado de trabalho, é desenvolver uma visão crítica da sociedade, enfim, “formar cidadãos” senhoras jornalistas é formar seres humanos que não se vendam profissionalmente para um meio de comunicação, produzindo um texto preconceituoso, desrespeitoso, arrogante e, sobretudo, cheio de argumentos falsos.

Um dos focos principais da reportagem é tentar considerar que educação deve ser imparcial (reparem como a discussão está relacionada a matérias como geografia e história), o que é um total absurdo. O pior é que elas sabem disso, sabem que isso é impossível em qualquer situação, em qualquer profissão e até mesmo em nossas relações sociais-familiares. As senhoras jornalistas utilizam uma ferramenta do jornalismo que quer convencer através de uma suposta consulta a especialistas, os consultados por elas acreditam que a educação deve ser imparcial. Meu Deus! Quanta falsidade e falta de caráter. Existem milhões de especialistas que não concordam com isso, seja no Brasil ou no resto do mundo. Esse texto de Veja que estamos analisando, ele é imparcial? A imprensa no Brasil é imparcial? As senhoras Monica e Camila não defendem posições tendo uma visão de mundo? Pois se não fazem isso, não são seres humanos.

Numa outra parte da tal pesquisa, Veja pediu para alunos dizerem como os professores se referem (de maneira positiva, neutra ou negativa) a algumas personalidades históricas de destaque, são elas (segundo a reportagem): Lula, Che Guevara, Lênin e Hugo Chavez. Por que perguntar aos alunos sobre exatamente essas personalidades? Eu posso esclarecer. São personalidades odiadas por Veja, logo a revista usaria isso para criticar professores que falam positivamente de um desses personagens. Poderiam perguntar aos alunos o que os professores falam de Hitler ou de Bush. Dizer que Hugo Chavez é ditador não é ideologia, mesmo que ele tenha sido sempre eleito pelo povo venezuelano. Talvez democrático tenha sido o golpe proferido contra Chavez em 2002, um golpe apoiado pelos EUA. Dizer alguma coisa positiva de Chavez é ideologização do ensino, mas dizer que ele é ditador não é. Mais incoerência que isso não há. Eu gostaria muito de saber como é ser neutro em relação a uma personalidade histórica, deve ser como nos livros de história da época da ditadura militar no Brasil, apenas relatar factualmente as realizações dessas personalidades.

Um dos momentos mais tristes pra mim na leitura dessa reportagem foi a citação desrespeitosa, injusta, ignorante e covarde em relação ao educador brasileiro (já falecido) Paulo Freire. Reparem no que Veja fala do educador brasileiro: “... ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização”. Meu Deus! É um comentário absurdo e uma total falta de respeito. Paulo Freire foi um cidadão que lutou sua vida toda pela democracia (foi perseguido pela ditadura no Brasil) e pelas injustiças sociais, tinha uma visão humanista da educação. Publicou cerca de 40 livros sobre educação, grande parte, traduzidos em várias línguas, inclusive o hebraico. Foi convidado para ser professor visitante da Universidade de Harvard em 1969.

Ainda existem comentários sobre Karl Marx, muito citado por Veja como o grande pensador de influência dos professores (de história e geografia, lógico). Para Veja, isso é um absurdo por completo, uma demonstração de atraso dos professores. Há dois problemas dessa colocação, o primeiro é a falsa idéia dessa afirmação, pois afirmo que isso não é verdade. São poucos os professores que tem leitura sobre o marxismo (eu, por exemplo, não me considero um marxista, nem perto disso), muitos inclusive tem posição altamente conservadora, numa visão oposta aos conceitos teóricos de Marx. Segundo, é a questão de afirmar sobre a pouca importância de Marx atualmente. Para conhecimento dessas jornalistas, vou reproduzir um texto de uma questão da UNICAMP (talvez elas pretendam dar aulas nessa universidade de história ou geografia). Vejam o quanto Marx é obsoleto.

Leia o texto abaixo, publicado pela primeira vez na França, em 1848:

“A necessidade de mercados mais amplos para seus produtos empurrou a burguesia para todo o globo terrestre. (...) Através da explosão do mercado mundial, ela deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo de todos os países. Em lugar das antigas necessidades, que se satisfaziam com a produção nacional, surgem agora novas necessidades, que para serem satisfeitas necessitam produtos de toda a Terra (...) em lugar da antiga autoeficiência e do antigo isolamento nacional, desenvolve-se em todas as direções um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações”

Adaptado de Manifest of the communist Party, Karl Marx e Friedrich Engels, edição preparada e anotada por Engels. Internacional Publishers, New York, 1932, pág. 37.

Sabe qual foi a pergunta da Unicamp? A pergunta foi sobre a atualidade desse texto, comparando com o processo de globalização. Já sei, a Unicamp foi parcial ou é comunista!

No final da reportagem, um colunista de Veja (Gustavo Ioschpe) cita duas pérolas inacreditáveis: “Pela mesma razão que o Estado é Laico, as aulas do Estado também deveriam ser politicamente neutras” e “acho que a formação política de cada um é sua prerrogativa individual, sujeita apenas a interferência dos pais”. Sobre a primeira parte já comentamos, não existe ser humano imparcial, quanto mais educação imparcial, isso é básico. Aliás, os que argumentam que a educação é imparcial, estão sendo profundamente parciais. Na segunda parte, pra mim, é mais ainda inacreditável. É considerar que um cidadão deve crescer apenas pela influência dos pais, fico imaginando um aluno chegando em sala de aula e dizendo para um coleguinha de classe: “você é um negro sujo” ou “eu vou pegar sua borracha porque sou mais forte” e ai o professor pergunta: “Quem ensinou isso pra você?”, o menino responde: “Meus pais”, ai o professor termina a discussão: “ah sim, tudo bem”.

Preciso comentar sobre os absurdos das analises feitas pelas jornalistas (segundo elas, consultando especialistas) em relação a livros-apostilas APENAS de história e geografia (só tem um livro de português, mas que a analise é sobre uma questão histórica). São comentários grosseiros (usando expressões como “tolice” e “falsificação”), desrespeitosos, equivocados em quase todos os casos e alguns sem o mínimo de necessecidade. Além disso, são trechos de livros retirados de um contexto, logo é muito complicado analisar dessa maneira. Abaixo mostro alguns desses comentários (são quase 40 no total). Primeiro o trecho do livro, depois o comentário de Veja e por fim o meu comentário.

1) Apostila de História do Objetivo: “O mapa que mostra a rota da Coluna Prestes inclui o estado do Tocantins”. Comentário de Veja: o estado do Tocantins só foi criado em 1988. Marcelo Coelho: Meu Deus! Que erro da apostila, foi um erro tão impressionante que tenho medo dos alunos perderem a competição externa com outros alunos! Algumas perguntas que não querem calar: Veja comete erros em suas edições? As jornalistas já cometeram erros em reportagens? Será que o autor não fez isso exatamente para melhor compreensão dos alunos? Ele foi consultado desse suposto erro?

2) Livro Geografia do Brasil da Ed. Moderna: “Basta apertar um botão, via internet, para desvalorizar a moeda e ocasionar desequilíbrios financeiros e instabilidade política em certo país(...)” Veja: Simplificação tola produzida por má-fé e desconhecimento do funcionamento básico dos mercados internacionais de moeda”. Marcelo Coelho: Qual é o erro do autor? Em que situação ele doutrina um aluno falando isso? Será que nenhum economista concorda com essa tese levantada pelo autor? A crise asiática de 1997-98 não foi provocada, entre outros fatores, pela fuga de capitais especulativos? O texto do autor não é tolo e nem de má-fé, Marco Amorim Coelho é um autor sério e tradicional de livros didáticos de geografia, é uma descortesia dessas jornalistas duvidarem do caráter do autor. Reparem o texto na íntegra do livro: “Os capitais especulativos são investidos nos mercados financeiros de todo o planeta e podem sair do país de uma hora para outra, por influência de acontecimentos políticos, de especulação e até de boatos. Os diferentes espaços do planeta encontram-se interligados por uma rede informacional constituindo uma cibereconomia. Basta apertar um botão, via internet, para desvalorizar a moeda e ocasionar desequilíbrios financeiros e instabilidade política em certo país, com lucros para alguns e prejuízos consideráveis para outros”. Reparem a maldade de tirar um trecho de um texto, saindo totalmente do contexto. No que o autor está errado nesse texto?

3) Apostila de Geografia do COC: “Embora os robôs tenham trazido grande contribuição para o desenvolvimento industrial, o avanço da tecnologia contribuiu para o aumento do desemprego (estrutural) mundial”. Veja: o avanço da robótica resultou em mais e melhores empregos no médio prazo. O desemprego só é prevalente no mundo atualmente em países de baixa inserção tecnológica. Marcelo Coelho: Absurdo total! Existe hoje grande debate sobre os efeitos da automação e robotização no processo produtivo, muitos afirmam ser um processo redutor de empregos, mas também do surgimento de novos tipos de emprego, o problema está em mensurar esse efeito. Por isso, o autor não comete erro nenhum, pelo contrário, passa uma visão plenamente aceita como gabarito dos principais vestibulares do país. Existem países europeus com taxas de quase 20% da população desempregada e o Brasil apresenta uma taxa de aproximadamente 10%.

4) Livro Das Cavernas ao Terceiro Milênio da Ed. Moderna: “Em setembro de 1973, após três anos de desgaste minuciosamente orquestrado pela direita chilena – com assessoria internacional -, uma quartelada depôs Alende, que foi executado pelos golpistas”. Veja: O presidente Allende foi mesmo deposto por generais golpistas com a ajuda material e estratégica da CIA, mas desgastou-se pela própria incompetência e não foi assassinado. Suicidou-se. Marcelo Coelho: Talvez o pior de todos os comentários de Veja, pela incoerência e erros históricos. As jornalistas ou os especialistas consultados pelas jornalistas concordam com o envolvimento dos EUA-CIA, mas apenas consideram a incompetência do governo democrático de Allende fator para ter provocado sua queda. Essa visão é ideológica? Lógico que é. O autor relata uma visão de inúmeros de historiadores renomados no Brasil, é só consultar alguns livros universitários, alguns chegam a afirmar sobre o grande apoio popular, sobretudo, dos menos favorecidos, que Allende tinha momentos antes do golpe. Queridas jornalistas, atualmente, muitos especialistas afirmam que Allende foi realmente ASSASSINADO.

5) Livro História da Ed. Moderna: “Muitos agricultores e vaqueiros seguiram o Conselheiro para fugir da exploração e da miséria a que estavam submetidos pelos fazendeiros da região (...) Nessa comunidade (Canudos)o trabalho e a produção eram divididos igualmente. Não havia cobrança de impostos e nem polícia.” Veja: Euclides da Cunha, em Os Sertões, relata que Antônio Conselheiro era um psicopata, que atraiu com sua pregação mística um exército de gente ínfima e suspeita, avessa ao trabalho”. Marcelo Coelho: Outra pérola dos comentários de Veja. Analise superficial, tendenciosa, elitista e atrasada. Afinal quem está certo Euclides ou centenas de historiadores que classificam Canudos como um importante movimento social brasileiro? Veja, tão moderna, utilizou uma visão ultrapassada desse movimento, uma visão dos governantes da República Velha, mais um erro de atualização histórica. Além disso, existe um erro literário, eu diria até proposital. Em Os Sertões, Euclides da Cunha reconheceu posteriormente (o final da obra) que teve uma visão elitista de Canudos, mudou de idéia quando foi pessoalmente ao interior da Bahia. Faltou consultar uma especialista em literatura.

6) Livro Projeto Radix de história da Ed. Scipione: “As políticas neoliberais agravaram as desigualdades econômicas e sociais em todo o mundo”. Veja: Falsificação. As políticas neoliberais tiraram quase 400 milhões de chineses da miséria. No Brasil e na China, criaram uma classe média majoritária”. Marcelo Coelho: Um absurdo, ou melhor, inúmeras falsificações como as jornalistas gostam de dizer. A China não tem nada nada nada nada de neoliberal, é no mínimo não conhecer a realidade chinesa. Mesmo com as reforma de Deng Xiaoping em 1978, o governo chinês tem feito reformas econômicas com forte presença do Estado em vários segmentos produtivos e sociais do país. A desigualdade social na China é crescente, o IDH chinês é pior do que do Brasil. Achei lindo ver a Veja defendendo o modelo político ditatorial Chinês. Talvez essa seja a grande diferença entre o modelo chinês e o de Hugo Chavez na Venezuela, o primeiro satisfaz as necessidades políticos-econômicas capitalistas, já o segundo segue em oposição. Parabéns a Veja, forte defesa de uma brutal DITADURA como a China. Que incoerência!

7) Livro Construindo a Geografia da Ed. Moderna: “Por meio da televisão, as empresas transformam as unidades familiares em consumidoras de seus produtos e estabelecem padrões de comportamento”. Veja: Os espectadores são reduzidos a seres desprovidos de vida inteligente. Marcelo Coelho: Meu Deus! Que comentário ridículo, sem o menor fundamento, sem nenhuma contestação ao trecho escrito pelo autor. É de conhecimento, até de um mineral, que há uma brutal influência da TV no padrão de consumo das sociedades. Por que as empresas pagam fortunas por propagandas nas TVs? Já sei, deve ser para divertir o cliente. Que fofo!

8) Livro Geografia, Ensino Médio da Ed. Ática: “Sem dúvida, a chamada sociedade de consumo, na qual, para ser feliz, não basta consumir o necessário, mas, se possível, também o supérfluo, acabou por conferir às relações do homem com o meio ambiente um caráter extremamente agressivo”. Veja: O autor poderia esclarecer primeiro qual sociedade não é de consumo. A comunista? Nenhum regime conseguiu poluir mais a terra, água e o ar do que o comunista. Marcelo Coelho: Meu Deus! (é uma das piores, sem dúvida) O autor está absolutamente correto, fico com medo de meus alunos acreditarem em Veja, pois assim vão errar no vestibular. Todas as universidades em seus vestibulares concordam com essa tese. Todas! Leonardo Boff (um louco esquerdista ultrapassado para Veja e suas imparciais jornalistas, com certeza) já disse: Coloca-se assim uma bifurcação: ou o capitalismo triunfa ao ocupar todos os espaços como pretende e então acaba com a ecologia e assim põe em risco o sistema-Terra ou triunfa a ecologia e destrói o capitalismo, ou o submete a tais transformações e reconversões que não possa mais ser reconhecível como tal”. Olha a pergunta da prova de Geografia da UFRJ em 2005: Relacione o agravamento dos problemas ambientais globais com as tendências de expansão dos padrões de consumo dos países ricos para o resto do mundo. Agora reparem o gabarito da UFRJ: Os padrões de consumo dos países ricos estão baseados no uso intensivo de fontes não renováveis de energia, na baixa eficiência dos processos de aproveitamento dos recursos naturais e na redução indiscriminada da diversidade biológica. Tais padrões, se adotados pela maioria da população do planeta, podem agravar os problemas ambientais devido ao aumento de emissões dos gases de estufa, e à poluição e contaminação do ar, da água e do solo pelos resíduos resultantes do uso ineficaz dos recursos naturais. A UFRJ deve ser comunista!

9) Projeto de Ensino de Geografia da Ed. Moderna: “A globalização reproduz e aprofunda as antigas desigualdades sociais: parcela significativa da população mundial é excluída do consumo de bens e serviços essenciais”. Veja: Parcela significativa da população mundial sempre esteve excluída do consumo de bens e serviços essenciais. A globalização do sistema capitalista de economia de mercado aliada à democratização burguesa diminuiu o número de pobres no mundo de 56% da população para 23%. Marcelo Coelho: Demétrio Magnoli, o autor do livro, já foi entrevistado por Veja algumas vezes. Talvez a revista pudesse escolher melhor esses entrevistados. As jornalistas confundem pobreza com desigualdade social. O Peru é um país, em termos socioeconômicos, muito mais pobre que o Brasil, mas nós temos uma desigualdade social maior. Em 1960, a diferença econômica entre as nações mais ricas do planeta (cerca de 20%) e as mais pobres (cerca de 20%) era de 30 vezes, atualmente esse valor ultrapassa 70 vezes. As jornalistas devem tomar cuidados com dados utilizados, pois O GLOBO (16.11.2007) noticiou recentemente que a pobreza na América Latina diminuiu em 2006 e que os principais países responsáveis por esse processo foram Brasil (da besta Lula, adjetivo utilizado por Diogo Mainardi, colunista de Veja), Argentina e Venezuela (do ditador, corrupto, feio, chato, nojento, bobo Hugo Chavez).

10) Livro Geografia da Ed. Quinteto Editorial: “Os meios de comunicação de massa são formadores de opinião, que divulgam apenas idéias de seu interesse”. Veja: O autor está em boa companhia. Foi exatamente essa a justificativa dada pelo ditador Fidel Castro ao fechar os jornais em Cuba e lançar o órgão monopolista oficial de “formação política”, o diário Granma. Marcelo Coelho: As jornalistas fugiram do assunto. A questão cubana não era o foco de discussão do autor. Em qualquer sociedade, os meios de comunicação de massa, sejam estatais ou privados são formadores de opinião sim, assim como professores, pais e padres, entre outros. Cabe ao cidadão ser capaz de ter um senso crítico sobre aquilo que está ouvindo e/ou vendo. Os meios de comunicação, de um modo geral, refletem o interesse de seus patrocinadores, isso é mais claro do que água ou as jornalistas acham que vamos acreditar na imparcialidade da imprensa. Parabéns ao autor do livro.

Tenho que parar a analise desses trechos por aqui, pois estamos com muitas linhas já escritas, mas poderia continuar, por que os comentários são lamentáveis em outras analises das “doutoras” jornalistas (ou dos especialistas que elas dizem ter consultado).

Quase todos os comentários são de assuntos polêmicos, com opiniões que podem ser sim diferentes entre autores, professores, alunos, pais, jornalistas e tudo mais que possa pensar. Veja defende a censura ou controle estatal dos livros? Qual seria a solução disso? Faltou mostrar a verdadeira intenção da reportagem.

Prestem atenção para esse texto, acho bem interessante para essa polêmica: “O que é capitalismo? É o sistema econômico e social caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, pelo trabalho assalariado, pela acumulação de capital e pelo foco primordial no lucro”. Que texto absurdamente parcial! Deve ser de alguma cartilha (termo usado pejorativamente pelas jornalistas para se referir a livros e apostilas) comunista. Talvez um panfleto do PSTU ou do PSOL. Não, caros amigos e queridas jornalistas, esse texto é de uma publicação da Editora Abril (a mesma da Veja). Acreditem! É uma publicação voltada para vestibulandos: História Vestibular (edição 2008, página 52). Que vergonha Editora Abril! Doutrinando os alunos?

Por fim, gostaria de esclarecer que meu texto é parcial, pois não sou mal caráter de não reconhecer uma conclusão óbvia. Mas o texto de Veja não, esse é uma total imparcialidade (uma revista que pauta por isso realmente, vide a capa de uma edição de Veja de 1988, onde o ex-presidente Fernando Collor é apresentado ao povo como Caçador de Marajás, isso que é imparcialidade). O importante é ter caráter para assumir uma posição, contanto que ela não passe informações equivocadas e que não prejudique o outro. Desculpem meus queridos e freqüentes leitores, mas usei muito do deboche e da agressividade como forma de responder no mesmo tom o texto simplista e vulgar dessas jornalistas. Por que vender a dignidade profissional dessa maneira?

É um carnaval de generalização de fatos, de agressões morais fora do contexto (estou indignado como o caso de Paulo Freire), de acusações sem conhecer a pessoa, onde não há nenhum espaço para resposta dos autores. Uma arrogância descomunal, sem propósito, ofensiva.

São inúmeras páginas onde poderíamos discutir assuntos importantes, inclusive as dificuldades de atualização dos professores, a deficiência da infra-estrutura escolar e os próprios erros de livros e apostilas, mas erros de conteúdo realmente, não supostas polêmicas e em todas as matérias. Não entendo uma coisa. Por que só analisar livros de História e Geografia. Por quê?

Por último, queria convidar as jornalistas da reportagem para assumirem a elaboração de livros de história e geografia e de ministrarem aulas em colégios, cursos e universidades desse país. Mas lembrem-se, os livros e as aulas devem respeitar a neutralidade em relação aos conteúdos apresentados. Duvido.

Me ajudem a divulgar esse texto, reproduzam pela internet. Por favor!

Professor Marcelo Coelho

Geografia