Clicadas

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Dançando no Escuro, Lars Von Trier (2000)

Tô com vontade de escrever, mas não quero falar daquilo que eu falo sempre e que cansa até a mim: eu mesma. Então vou falar de Dançando no Escuro, filme do Lars Von Trier (diretor que me dá medo, eu sempre penso nele como um louco que me faria sofrer num filme só porque eu sou mulher) que eu assisti com a Karina na sexta-feira passada.

Então. A premissa de Dançando no Escuro tem tudo pra ser só mais um filme de drama. Uma mulher (Bjork) que trabalha mais do que deveria, devido ao seu problema de vista que a está levando a cegueira, para pagar uma cirurgia para o seu filho que tem o mesmo problema que ela. Nesse contexto há um vizinho, o dono da sua casa alugada, dependente da esposa e que faz tudo por ela; um apaixonado, uma amiga fiel, etc e tal. E, principalmente: a personagem principal é apaixonada por musicais.
Pois bem, só que em se tratando de Lars Von Trier, as coisas ficam mais interessantes. O filme é feito (não totalmente, mas na minha opinião nem tão longe assim) dentro do que exige o Dogma 95 (Dogma 95 é uma doutrina que diz que os filmes não devem ter pós-produção, as cenas devem ser gravadas na ordem cronológica da história do filme porque não deve ter edição, trilha sonora tem que estar dentro da cena, iluminação o mesmo... Ao todo são 10 deveres desse modo de se fazer cinema, que visa a valorização do enredo, e não do visual, por assim dizer). É isso que o torna interessante. Filmes que não focam tanto seu lado visual, ao contrário, direcionam esse foco para os personagens, ganham a minha simpatia. Os focos no rosto do personagem sem qualquer tipo de "nhém nhém nhém", aquela coisa crua, que exige que o ator e sua arte sejam a única coisa a ganhar o telespectador, são muito bons.
A atriz, uma cantora islandesa, Bjork, me impressionou. Ficou muito bem com o estilo do filme. Não foi à toa que ganhou vários prêmios. Ela atuou de verdade: em algumas cenas ela me lembrou minha mãe, com a sua naturalidade, sorrisos sinceros, tristezas sinceras.
O que eu gosto nos filmes do senhor Trier são as pequenas (no caso deste filme) críticas dele. No caso deste, embora em menor intensidade do que em Dogville (que é crítica pura em si só) por exemplo, há um pouco de crítica a hipocrisia humana. Usual.
O filme é bem feito, tem uma atuação que chama atenção... e para pôr a cereja em cima do bolo, as músicas que Bjork compôs para o filme. Lindas. E ficaram tão belas nas cenas em que ela canta e dança... Nem vou comentar da cena final. Incrível.
No geral, tecnicamente, é um filme muito bom, diferente e interessante. É bom ver esse tipo de filme sempre que possível, pra fugir das coisas que nos são forçadas garganta adentro atualmente. Só é bom ressaltar que a história não é tão diferente, só o modo como é feito. Mas já é um grande começo.


Nota: 8,0

2 comentários:

  1. Só assisti Dogville...mas com certeza vou procurar Dançando no Escuro!

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  2. Não lhe perdoarei por ter assistido Lars sem mim.

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