Clicadas

sábado, 25 de dezembro de 2010

Porque é uma hipocrisia saudável

FELIZ NATAL, GALERA LINDA!



15 de novembro, dia da primeira prova da UFRJ. Estou num ônibus com a Natália e num ônibus a nossa frente eu vejo um anúncio de promoção de cartão de crédito, e num canto do anúncio, tem escrito: "Stop and shop"; "pare e compre". Isso me deixou realmente preocupada. Um pouco mais antigamente (pelo o que eu lembro de quando eu era criança, pelo menos) as coisas eram mais escondidas, mais "disfarçadas". Tudo bem, não significa que não existisse, mas pelo menos não era tão incentivado, sabe? E não parecia tão normal, e provavelmente não era tão absurdo quanto hoje em dia. Como a religião era mais forte* ainda havia algum cuidado em não mudar o sentido do Natal. Hoje em dia não. Tá tudo escancarado. Seja esse anúncio que eu falei, seja outro anúncio de um shopping em que as pessoas falam DESCARADAMENTE "eu amo o Natal porque eu posso ganhar uma BMW", seja comercial de cartão de crédito que chegou ao CÚMULO de cantarem "pagar com dinheiro, que cosa tristê". Se fuder, porra! Eu pago com dinheiro a merda que eu quiser porque não vou me deixar levar e ficar devendo pra uma porcaria de cartão de crédito. Olha, eu não sou uma pessoa com família enorme e feliz que come horrores. Eu como pouquíssimo e passo o natal só com o meu pai e com a minha mãe, que não são tão animados. Eu só fico rindo com a minha mãe falando de coisas aleatórias e me cortando quebrando nozes. Ou seja, eu não tenho o melhor natal do mundo, então não tenho grandes motivos pra adorar esse feriado. Também não sou religiosa, aliás tô meio perigosamente longe disso, pra defender a comemoração do nascimento do menino Jesus (que nem foi hoje pelo que parece né, mas enfim), e etc etc. O que importa é: tem falsidade? Tem. Tem hipocrisia? Tem sim, muita. Mas por acaso isso não existe o ano todo? O que que custa se doar a um feriado pra tentar ficar bem com a família, mesmo com quem a gente não gosta? O que que custa parar de ser implicante e problemático? Não vejo tanta graça em ter orgulho e gostar de ser do contra se chamando de Grinch. Natal é legal. É uma hipocrisia (que não é universal) SAUDÁVEL.

* Eu tenho pensado muito sobre o que eu conceituava como "ruim". Exemplo: ditadura. Só o nome me dá nojo. Mas, se eu pensar em Cuba (levando em conta que eu sei POUQUÍSSIMO de Cuba, tá? Só o que a minha professora de História linda e socialista de carteirinha falou), o que o Fidel tem lá é uma ditadura, mas o sistema de saúde e o de educação funcionam. Isso é ótimo. A cultura é censurada, mas né, tem saúde e educação.
Outro exemplo é que, isso eu tô meio que chutando porque nunca analisei um exemplo a fundo mas imagino que seja assim, uma cidade por exemplo onde a religião é forte: existe moralidade e um monte de coisa CHATA e que me ENOJA; porééém, deve ter um natal fodão. Porque a mesma moralidade que pode vir a ser um inferninho, obriga as famílias a se unirem e serem boas (independente dos porquês de o serem). E isso é legal.

Enfim, estou só tentando fazer uma reflexão mal organizada e no calor do momento pra dizer que nada é de todo ruim. E que se pararmos pra avaliar o nosso tempo como está agora, a sociedade se tornando cada vez mais de um consumismo violento, qualquer coisa que pregue união entre pessoas (mesmo que já não tanto como antes) deve ser valorizada e se possível fortalecida. Afinal, por mais que eu ame comprar e ganhar presentes, são as pessoas que me fazem felizes. Eu não ia conseguir viver afogada nos meus livros e nos meus dvds, mas sem a minha mãe, meu pai...

2 comentários:

  1. Renata, vc traduziu tudo o que eu penso nesse post singelo. Bancar o Grinch pode até ser legal de vez em quando, pra fingir que vc não se rende ao "consumismo natalino"...mas consumistas todos nós somos e o ano inteiro. Não é do nada que as pessoas ficam surtadas, elas são surtadas o ano inteiro só que no Natal isso fica mais forte.
    Eu gosto mto de passar o Natal com os meus pais e meu irmão...fortalece o laço que nos une.
    P.S: Tbm odeio o comercial da Visa.

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  2. Me encaixo no sou consumista mas gosto de toda esse hipocrisia. Afinal, de todas que vivemos o ano todo esse é a menor.

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