Clicadas

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Relembrando

Ano passado eu me apaixonei por essa poesia. Lembrei dela hoje, fui reler, e me apaixonei novamente, dessa vez me identificando mais do que na última vez.



Cordel de mim pra mim num tempo distante


Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes…
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?

Perguntaria como anda a vida.
“Mal”, diria ele a mim;
“Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?”
Diria então: “Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim”

Ele então rebateria seco:
“Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei.”
“Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei.”

Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
“Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido.”

“Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior.”
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.

“Entenda isso”, desolado, eu diria,
“para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.

Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar.”

Então me diria: “Estranho desconhecido…
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde…
Vai, me diz logo qual teu nome!”
“Meu nome, amigo, é Daniel.”



Daniel Carvalho, meu professor de História. Em: http://dacarpe.wordpress.com/2010/07/20/cordel-de-mim-pra-mim-num-tempo-distante

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