Clicadas

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Off the record

Não é uma das minhas tentativas de misturar poesia com meus desabafos. Pelo menos não conscientemente. É puramente desabafo.

Tem um filósofo, não lembro qual agora, meu professor de filosofia que me perdoe, que diz que tudo o que olhamos já vemos com olhos humanos. Com isso ele dizia (com palavras muito mais adequadas) que nunca vemos nada plenamente, vemos o que nossa condição de humanos com todas as suas conseqüências nos mostra.

Então, acho que isso explica certas cegueiras. Explica também o meu olhar implicante sobre certas coisas.

Se tenho raiva? Sim. Muita. Não nego. Também já não me importo. Perdão, mas não tens mais a importância que tinha algum tempo atrás. É uma mudança prevista e inevitável. E não pense que não dói admitir. Passei muito e esgotei pensamentos pra chegar até aqui.

É difícil ser apaixonada por uma idéia. Leia bem, por uma idéia. Algo que não existe. Talvez essa minha tese explique muita coisa.

Minha paz está longe daqui.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu

Escrevo pra me expor.

Nasci nua e assim permaneci.

Se não me despir, explodo.

Quero jogar fora aqui todo o meu pessimismo.

Tudo em que eu não acredito.

Tudo o que eu já acreditei e quero deixar pra trás.

Se eu pudesse, trocava de alma.

Não sei mais lidar com essa aqui.

Será que dá pra mudar?

-

Não sei lidar com eu não sei o que fazer.

Sinto-me fraca, mas saber e ter consciência disso dói, mãe.

Mãe, eu quero ser que nem você.

Eu quero conseguir ignorar tudo o que já foi importante pra mim.

Não dá mais certo. Não funciona mais.

Eu não acredito mais.

Odeio mudanças.

Mas também odeio rotina.

Quero mudar e quero permanecer. Por que tantos paradoxos?

Se eu pudesse escolher, seria no máximo uma... metáfora, talvez.

Uma forma implícita de comparação.

Não sei.

-

Quando foi que eu me perdi de mim?

Quando foi que eu perdi o controle?

Tudo isso é realmente tão forte assim?

Ou eu estou enfraquecendo com o tempo?

Não deveria ser ao contrário? E aquela história de aprender com as experiências?

Só comigo que não dá certo?

Sinto frio e tremo.

Tenho medo de ficar sozinha. Não aceito e brigo.

Mas quem sou eu pra ir contra isso?

O mundo é mais forte que eu.

Eu não consigo aceitar.

Sempre tive uma dificuldade desagradável de ver onde estou errada.

Eu não quero falar sobre isso, mas eu quero que todos saibam sobre isso.

Quero me expor. Apesar do frio, quero estar nua.

Não sei porque. Sempre fui assim.

-

É meu, e eu não vou desistir.

Isso se eu conseguir evitar.

Por que tem que ser tão difícil gostar?

Me desculpa. Eu não sei o que fazer. Não é culpa minha.

Sempre fui assim.

Não sei mais o que fazer por mim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

As tuas lágrimas salgadas

Hoje, sentados no nosso sofá da sala, senti o gosto das tuas lágrimas, por mim derramadas. Não, não chore; não é culpa sua. [i]Não é você, sou eu.[/i] É coisa de momento. Minha antiga eu irá voltar por você. E desculpe-me, meu querido, mas foi lindo te ver chorar... vi na água que saía dos seus olhos o seu sentimento por mim, e o meu por ti nelas refletido. Sequei seu rosto com os meus lábios. No seu desabafo encontrei a nossa paz há algum tempo esquecida. Peço perdão pelos últimos dias. Vai passar. Enquanto isso, espera por mim, meu querido, eu vou voltar. Você continua sendo e jamais deixará de ser aos meus olhos aquele belo pelo qual me exaltei naquele dia de março. Espera-me, meu querido, eu vou voltar. Não chore por mim, deixa que, se necessário, eu choro por ti.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ano de vestibular

Você é estudiosa, você vai passar, eu tenho certeza. Não estudei hoje. Tô cansada. Quero dormir. Será? Vai pro curso amanhã? Tenho que ir, né, é dia de geografia. Tô com fome. Você conseguiu? Não, eu até sei um pouco do que a questão falava, mas não conseguia formular uma resposta. Estaria ferrada se caísse uma questão dessa na prova. Puta que pariu, nunca ouvi falar disso. Quem é esse cara? Que corrente político-filosófico-econômica é essa? O professor vai dar 3 tempos. Que merda. Quero ir pra casa. Preciso estudar matemática. Não entendo o que ele fala. Matéria inútil. Será que eu vou passar? Vai sim. Você consegue. Mas eu não estou estudando o bastante, eu deveria estudar mais. Você já estuda muito. Não, não estudo não. Estuda sim. Só eu que sei. Mas eu tenho que estudar mais... vestibular é difícil... e se eu não passar? Tudo bem, ano que vem você aproveita, se foca nisso. Não. Eu quero passar esse ano. Será que eu tô deixando de aproveitar meu último ano no 2° grau? Tô angustiada. Amor, desculpa, eu tô chata. Não, eu não sei bem essa matéria, eu até tive ano passado, mas o professor não era lá essas coisas. Eu achei que nesse exame eu ia conseguir aumentar minha nota, fiquei decepcionada. Descansa, você tá precisando. Não sossego enquanto não entender isso aqui. Tenho que estudar para a escola, tá foda. Tá difícil. Não dá. Eu vivo chorando. Surtei semana passada. O que que houve? Tô cansada. Tô estressada. Tô angustiada. Preciso relaxar. Quero aprender a tocar violão. Vamos em algum museu. Vamos ver o pôr do sol no Arpoador sábado. Mas eu deveria ficar estudando. Só um dia. Tá (mas quando eu chegar eu ainda vou tentar fazer aquela questão). Pegou a prova de 2009? Peguei. Vou tentar fazer. A de 2010 foi horrível. E se a 2011 for pior? Ano que vem vai ser pior. A tendência é piorar. Esse é o nosso ano, nós temos que passar agora. E se? Eu quero descansar. Parar de ir às aulas não adianta, a pressão é dentro da minha cabeça, eu estou contra mim. Será que eu tô tendo um início de depressão? Ih, relaxa, você tem que controlar sua mente, cara. E você acha que dá? Se eu conseguisse não estaria assim. Amor, você pode me ver hoje? Tô precisando de alguém. Não tô a fim de ir dormir agora, não consigo. Meus músculos não relaxam, estão sempre contraídos. Eu tô estudando pouco. Eu tenho que estudar mais. Eu tenho que passar. É o meu futuro. E se eu não conseguir? Vamos no cinema? Não dá, hoje eu tenho História. E amanhã? Geografia... é específica... Mas vamos tentar fazer algo no fim de semana, tô precisando. Beleza, vamos sim. Saudades, faz tempo que não saímos juntas, gata. Talvez nem tenha sido tão legal. Não dá pra pensar em outra coisa. Passa, vestibular, passa. Acaba. Divulguem-se logo os resultados. Se é pra chorar, que seja o quanto antes. Se for pra ser feliz, pelo amor de Deus, que seja já! Meu Pai, tá difícil de aguentar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Epifânia

O que fazer, agora que usei todas as palavras perigosas? Aquelas-que-não-devem-ser-ditas? Já disse que você é tudo pra mim. O é. Já disse que é para sempre. É. Por que não deveria? Por que o bom senso diz que não? Não me importo. A verdade não é, é nada. É momentânea. Meus fatos são os que agora lhe declaro. Meu coração não mente quando contigo. Acredito em tudo que falo. Você é o que eu quero, o que procurava. O certo me encontrou quando eu inclinava-me ao errado. Só sei que te amo... que te quero... que é eterno. Danem-se as palavras perigosas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Suposição

Tenho mania de reparar em pequenices e principalmente, pensar e supôr coisas sobre estas.

Hoje, por volta de 13h, estava em um ônibus. Houve um momento em que eu vi um carteiro. Estava sol e a roupa dele parecia quente por ser um tecido pesado, então eu esperava que ele estivesse de mau humor. Ao olhar para o seu rosto, não era isso que parecia. Ele estava sorrindo para algo que não estava ao alcance da minha visão. Imaginei porque ele estaria rindo. Vi envelopes nas mãos dele e parei para pensar no que os carteiros fazem hoje em dia: praticamente, só entregam contas. Como boa saudosista, pensei... há alguns anos, antes da internet e o e-mail se popularizarem, deveria ser até agradável ser carteiro. Imaginei-me entregando cartas de amor. Imaginei tocar uma campainha de uma casa amarela e simples, uma garota sair, perceber quem eu era e ficar animada ao sonhar com uma carta deveras desejada. A menina receberia o envelope bem cuidado, talvez até com um perfume. Sorrindo, me agradeceria.

Uma profissão esperançosa.


segunda-feira, 23 de agosto de 2010

À arte Romântica

Descobri que me identifico imensamente com o protagonista de 500 Dias com Ela. Tive uma educação de filmes de romance dos mais variados, mas para confessar a triste verdade, na maioria aqueles bem idealizados. O amor sempre vencia todas as barreiras. Em alguns, dos mais dramáticos, o casal se conhecia ao acaso (e isso depois era tido como destino para ficar mais belo na estória), se apaixonava simplesmente por compartilhar alguns gostos e opiniões, por causa de alguns momentos juntos... Eu protesto contra vocês, filmes enganadores. Eu protesto contra vocês, filmes enganadores, que se assistidos cedo demais, são capazes de uma pessoa ter uma visão idealizada de meio mundo, piorando todas as crises amorosas que ela virá a ter. Em contraponto, quero bater palmas aos realistas. Que eu me lembre agora, bato palmas de pé para Amantes.

Amor não é fogo que arde sem se ver. Amor não é conhecer de repente e amar logo, como por uma armadilha do destino, só porque é bonito dizer que é assim. Não é encontrar uma pessoa que seja igual a você, porque nem sempre é. Amor NÃO é brigar sempre e achar algum motivo para isso que combine com as idealizações. Quando se ama alguém, não se sente mal. Quem disse que para se chegar ao amor deve-se enfrentar obstáculos aparentemente intransponíveis? Pode ser, mas não é regra.

Amor deve ser algo natural. Acontece. Amar, me parece até agora, algo fácil. Você simplesmente ama e se deixa levar por isso. Pena que isso não fique tão bem como outras coisas em rolos de filmes e folhas de livros.

Quero esquecer que a arte Romântica produzida por amores impossíveis e idealizados é a mais linda.