Então, hoje o Diogo fez uma lista de coisas que eu tenho que fazer. A propósito, se você já viu meu blog a essa altura, você deve me achar mais viadinho ainda.
1 - Parar de pedir desculpas
2 - Não ser viadinho (parar com o mimimi)
3 - Não se importar
4 - Levar na prática as morais da Disney
5 - Se divertir mais - muito mais
"É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz a uma nova estrela." Nietzsche
Clicadas
quinta-feira, 22 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
A propósito,
vale um post o quote da minha mais nova paixão acadêmica: meu bom velhinho fofo professor de História da Ilustração, Guilherme Pereira. Hoje, ao falar como sempre e como também não poderia deixar de ser nesse curso, do século XVIII e seus intelectuais, seus debates, discussões etc e blábláblá, ele disse:
"Curioso que o brasileiro não sabe discutir. Assim que alguém diz algo com o qual ele não concorda, ele desqualifica a outra pessoa, diz que o outro não sabe do que tá falando, e encerra o debate ali."
Tudo bem que eu acredito que isso acontece em todo lugar, e na historiografia é assim também. Se eu quiser criticar algum historiador anterior a mim, é "só" pesquisar a vida dele e escrever um texto bom e convincente o bastante defendendo que o que ele disse não "vale" porque de algum jeito ele estava confinado à visão de História do seu momento/espaço/whatever e que pra se fazer uma História melhor tem que levar isso, aquilo e aquilo outro em conta e tchabum, eu tenho uma crítica minimamente respeitável e se pá, desqualifiquei o outro cara pro debate que ele fazia.
Ok, nem tanto assim, mas deu pra pegar o espírito da coisa.
"Curioso que o brasileiro não sabe discutir. Assim que alguém diz algo com o qual ele não concorda, ele desqualifica a outra pessoa, diz que o outro não sabe do que tá falando, e encerra o debate ali."
Tudo bem que eu acredito que isso acontece em todo lugar, e na historiografia é assim também. Se eu quiser criticar algum historiador anterior a mim, é "só" pesquisar a vida dele e escrever um texto bom e convincente o bastante defendendo que o que ele disse não "vale" porque de algum jeito ele estava confinado à visão de História do seu momento/espaço/whatever e que pra se fazer uma História melhor tem que levar isso, aquilo e aquilo outro em conta e tchabum, eu tenho uma crítica minimamente respeitável e se pá, desqualifiquei o outro cara pro debate que ele fazia.
Ok, nem tanto assim, mas deu pra pegar o espírito da coisa.
2 anos
Hoje é dia 19 de março.
Há 2 anos, numa sexta-feira, num tempo vago, uma semana depois de um passeio ao Riocentro para uma exposição de cursos do SENAI, eu fiz algo absurdo que até hoje eu não faço idéia (essa semana um amigo da faculdade corrigiu o meu acento em "idéia"; bem, eu me recuso a mudar o meu jeito de escrever) de onde eu tirei coragem: beijei um garoto da minha sala sem nenhum aviso prévio.
No dia 12 de abril começamos a namorar meio que sem querer, só porque a idéia parecia boa e já era isso que estávamos fazendo mesmo. Eu tinha 16 anos então e como alguém dessa idade no ensino médio, uma cabeça vazia mas que se achava bem alimentada.
Hoje, 2 anos depois desse beijo inusitado, eu e o Eliseu Ferreira permanecemos juntos.
Agora, por que escrever sobre isso?
- Porque eu acho que estava mais do que na hora de eu oficializar pra mim o que eu penso e que só converso com o Eliseu ou com um amigo da faculdade: estou feliz e sem dúvidas. Parece que se eu falar isso alto, ou seja, escrever num blog mesmo que ninguém leia, parece que é mais sério. Sem falar naquele papo de que discutir "traumas" ou situações intensas passadas nos ajuda a organizar como nos sentimos sobre isso; eu concordo com esse papo.
[Esse parágrafo me fez pensar nessa música: http://www.youtube.com/watch?v=KZK6kVagCuI]
Eu sempre gostei de romances, cresci com comédias românticas.
As pessoas mais próximas a mim sempre foram feministas, o maior exemplo disso é a minha mãe, um dos seres mais independentes que eu conheço, e de quem eu dependo tanto que me dá até medo. Portanto era impossível que eu não fosse feminista também.
Pois bem, falo de feminismo porque muitas vezes isso nos leva (nós mulheres) a, quando pensar em relacionamentos, colocar obstáculos DEMAIS até chegar ao ápice (ou algo tido como tal) do relacionamento. Aqui quero citar e/ou desenvolver alguns pontos sobre o assunto:
- Eu estava comentando com esse amigo, Diogo, enquanto tomávamos café antes das nossas aulas, sobre um texto que li no facebook ontem. Sob o título "Os homens", aparentemente escrito por uma mulher para outras mulheres, entre várias coisas, dizia por exemplo: "- Não continue (a relação) porque você acha que "ela vai melhorar". Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores."; "- Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar, faça um escândalo."; "- Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você... Mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.". E por aí vai. A opinião do Diogo é que o problema disso é medo. Eu e Eliseu concordamos.
Para ser mais categórica... os determinismos do texto, as afirmações que não dão espaço à outras possibilidades, perigosíssimas generalizações, são óbvias. Mas para eu realmente dizer o que eu quero: como, Deus, como, uma garota pode se permitir amar, amar de fato, amar loucamente e sem restrições, de fato se entregar a alguém e dar a esse alguém a chance de se entregar totalmente também, se ela parar pra pensar e produzir todos esses empecilhos? Esse texto que mostra uma "doutrina" que eu associo ao feminismo por preguiça de pensar mais, atrapalha as mulheres muito mais do que ajuda (quando você tem um bom namorado; eu não sei como é ter um cafajeste; se eu tivesse tido um cafajeste, esse texto talvez jamais fosse escrito e eu concordaria com a autora)
Durante o texto, ele passa a idéia de que você tem que passar por vários estágios de ficar "um passo atrás da linha de perigo" (palavras minhas) até realmente se entregar, até realmente ser de um homem. Isso me leva ao segundo ponto.
- Eu penso nisso até quando eu estou naqueles momentos melosos com meu namorado e falamos coisas do tipo "nós vamos ser muito felizes". Temos que parar de pensar em termos de finalidades, parar de pensar em "vamos". Não podemos levar a vida fazendo as coisas só pelo que elas irão nos fornecer ao final delas. Por exemplo, eu quero trabalhar num emprego bom o bastante para me dar a chance de viajar com conforto. Talvez engenharia (muito provavelmente, na verdade) tenha uma probabilidade muito maior de me dar isso do que História. Mas eu provavelmente seria infeliz a cada momento que eu olhasse uma equação, um desenho, qualquer coisa. Já em História, eu fico com cara de apaixonada lendo os textos (infelizmente não todos, mas nada é perfeito). Então, como eu não posso pensar nas coisas só em termos de finalidade, eu faço História porque eu posso ser feliz no final, e sou feliz durante. É o bom e velho Carpe Diem. Aproveite o dia. Ele é a única coisa certa afinal de contas. Deixar de se divertir hoje porque você quer fazer isso amanhã não é sábio; não aos meus olhos, pelo menos, obviamente. Então: acredito que não seja sábio colocar tantos obstáculos na frente dos relacionamentos, porque se você faz isso, pode perder chances de ser feliz ou de no mínimo se divertir muito mais; e, na pior das hipóteses, não perceber que chegou o tal momento onde já se provou tudo que esperava (no exemplo, que o rapaz merece a entrega total da garota).
Tudo isso foi só para articular em forma de texto, porque assim eu também articulo melhor o meu pensamento, como eu penso agora, as minhas atuais crenças. E pra dizer que eu aprendi o que eu acho que eu precisava pra poder ser feliz no meu namoro.
O meu namoro não é perfeito. É cheio de defeitos. Eu e ele brigamos umas 5 vezes por semana. Umas duas vezes um pouco mais sérias. Falamos umas besteiras, e até terminamos de vez enquando. Ele me dá nos nervos como nenhuma outra pessoa na face da terra dá. Confesso que quando ele me irrita fico planejando não falar com ele o dia seguinte inteiro, só por vingança.
Mas o que eu aprendi é que em vez de achar que tudo isso prova que meu relacionamento é defeituoso, que eu não o amo, que eu estaria melhor com outra pessoa, que meu namoro é o único assim e o pior... eu aprendi que isso é normal. Faz parte. Ele é quem eu quero que fique do meu lado, mais perto do que ninguém jamais esteve, pela minha vida inteira. Parece-me muito justo que o meu relacionamento com ele seja então o mais complicado, o que merece mais cuidado. Nós tentamos ser um só e por mais que fôssemos o mais parecido possível, ainda não seríamos parecidos o bastante.
O que importa é que afinal de contas eu amo as nossas brigas, porque eu amo fazer as pazes. Porque eu amo ouvir você, amor, me pedir desculpa com aquela voz doce de quem se sente culpado por ter chateado a sua garota, mesmo que a gente tenha que falar muita besteira até eu ouvir essa minha voz favorita.
Eu aprendi, acredito agora, que garotas são assim complicadas que nem eu mesmo. Eu não sou mais complicada que ninguém. Eu sou mulher. Eu quero muita atenção, eu quero me sentir uma rainha, eu quero ser tratada com a maior quantidade suportável de carinho no universo. (Outra coisa típica da educação feminina ultimamente: somos mais ensinadas que temos que receber carinho, adoração e etc do que dar isso) Eu quero presentes, eu quero ser levada pra sair. Às vezes eu faço você se sentir mal por querer demais. Mas isso passa, e a gente sabe o que fica. Afinal eu vou estar sempre do seu lado assistindo alguma série bizarra deitada num colchão da sua casa, e me queimando fazendo pipoca doce sem saber direito.
Nós fizemos coisas um ao outro que achávamos que jamais seríamos capazes de fazer com alguém no mundo. Coisas ruins, e coisas boas. Esse aniversário de 2 anos juntos, e nós dois mais felizes do que jamais estivemos, muito mais felizes do que até o mítico início de namoro, é a maior prova do que viemos lutando até agora: de que nós nos amamos. Eu não preciso dizer o que eu acho do amor agora. Ele tá entranhado em cada linha aqui. É amor que me fez escrever isso.
Obrigada, meu amor, pelas coisas boas, mas principalmente pelas ruins.
Muse - Invincible
http://www.youtube.com/watch?v=D_5V8We3hgg
Renata Aquino, 19/03/2012, 23:05h.
Há 2 anos, numa sexta-feira, num tempo vago, uma semana depois de um passeio ao Riocentro para uma exposição de cursos do SENAI, eu fiz algo absurdo que até hoje eu não faço idéia (essa semana um amigo da faculdade corrigiu o meu acento em "idéia"; bem, eu me recuso a mudar o meu jeito de escrever) de onde eu tirei coragem: beijei um garoto da minha sala sem nenhum aviso prévio.
No dia 12 de abril começamos a namorar meio que sem querer, só porque a idéia parecia boa e já era isso que estávamos fazendo mesmo. Eu tinha 16 anos então e como alguém dessa idade no ensino médio, uma cabeça vazia mas que se achava bem alimentada.
Hoje, 2 anos depois desse beijo inusitado, eu e o Eliseu Ferreira permanecemos juntos.
Agora, por que escrever sobre isso?
- Porque eu acho que estava mais do que na hora de eu oficializar pra mim o que eu penso e que só converso com o Eliseu ou com um amigo da faculdade: estou feliz e sem dúvidas. Parece que se eu falar isso alto, ou seja, escrever num blog mesmo que ninguém leia, parece que é mais sério. Sem falar naquele papo de que discutir "traumas" ou situações intensas passadas nos ajuda a organizar como nos sentimos sobre isso; eu concordo com esse papo.
[Esse parágrafo me fez pensar nessa música: http://www.youtube.com/watch?v=KZK6kVagCuI]
Eu sempre gostei de romances, cresci com comédias românticas.
As pessoas mais próximas a mim sempre foram feministas, o maior exemplo disso é a minha mãe, um dos seres mais independentes que eu conheço, e de quem eu dependo tanto que me dá até medo. Portanto era impossível que eu não fosse feminista também.
Pois bem, falo de feminismo porque muitas vezes isso nos leva (nós mulheres) a, quando pensar em relacionamentos, colocar obstáculos DEMAIS até chegar ao ápice (ou algo tido como tal) do relacionamento. Aqui quero citar e/ou desenvolver alguns pontos sobre o assunto:
- Eu estava comentando com esse amigo, Diogo, enquanto tomávamos café antes das nossas aulas, sobre um texto que li no facebook ontem. Sob o título "Os homens", aparentemente escrito por uma mulher para outras mulheres, entre várias coisas, dizia por exemplo: "- Não continue (a relação) porque você acha que "ela vai melhorar". Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores."; "- Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar, faça um escândalo."; "- Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você... Mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.". E por aí vai. A opinião do Diogo é que o problema disso é medo. Eu e Eliseu concordamos.
Para ser mais categórica... os determinismos do texto, as afirmações que não dão espaço à outras possibilidades, perigosíssimas generalizações, são óbvias. Mas para eu realmente dizer o que eu quero: como, Deus, como, uma garota pode se permitir amar, amar de fato, amar loucamente e sem restrições, de fato se entregar a alguém e dar a esse alguém a chance de se entregar totalmente também, se ela parar pra pensar e produzir todos esses empecilhos? Esse texto que mostra uma "doutrina" que eu associo ao feminismo por preguiça de pensar mais, atrapalha as mulheres muito mais do que ajuda (quando você tem um bom namorado; eu não sei como é ter um cafajeste; se eu tivesse tido um cafajeste, esse texto talvez jamais fosse escrito e eu concordaria com a autora)
Durante o texto, ele passa a idéia de que você tem que passar por vários estágios de ficar "um passo atrás da linha de perigo" (palavras minhas) até realmente se entregar, até realmente ser de um homem. Isso me leva ao segundo ponto.
- Eu penso nisso até quando eu estou naqueles momentos melosos com meu namorado e falamos coisas do tipo "nós vamos ser muito felizes". Temos que parar de pensar em termos de finalidades, parar de pensar em "vamos". Não podemos levar a vida fazendo as coisas só pelo que elas irão nos fornecer ao final delas. Por exemplo, eu quero trabalhar num emprego bom o bastante para me dar a chance de viajar com conforto. Talvez engenharia (muito provavelmente, na verdade) tenha uma probabilidade muito maior de me dar isso do que História. Mas eu provavelmente seria infeliz a cada momento que eu olhasse uma equação, um desenho, qualquer coisa. Já em História, eu fico com cara de apaixonada lendo os textos (infelizmente não todos, mas nada é perfeito). Então, como eu não posso pensar nas coisas só em termos de finalidade, eu faço História porque eu posso ser feliz no final, e sou feliz durante. É o bom e velho Carpe Diem. Aproveite o dia. Ele é a única coisa certa afinal de contas. Deixar de se divertir hoje porque você quer fazer isso amanhã não é sábio; não aos meus olhos, pelo menos, obviamente. Então: acredito que não seja sábio colocar tantos obstáculos na frente dos relacionamentos, porque se você faz isso, pode perder chances de ser feliz ou de no mínimo se divertir muito mais; e, na pior das hipóteses, não perceber que chegou o tal momento onde já se provou tudo que esperava (no exemplo, que o rapaz merece a entrega total da garota).
Tudo isso foi só para articular em forma de texto, porque assim eu também articulo melhor o meu pensamento, como eu penso agora, as minhas atuais crenças. E pra dizer que eu aprendi o que eu acho que eu precisava pra poder ser feliz no meu namoro.
O meu namoro não é perfeito. É cheio de defeitos. Eu e ele brigamos umas 5 vezes por semana. Umas duas vezes um pouco mais sérias. Falamos umas besteiras, e até terminamos de vez enquando. Ele me dá nos nervos como nenhuma outra pessoa na face da terra dá. Confesso que quando ele me irrita fico planejando não falar com ele o dia seguinte inteiro, só por vingança.
Mas o que eu aprendi é que em vez de achar que tudo isso prova que meu relacionamento é defeituoso, que eu não o amo, que eu estaria melhor com outra pessoa, que meu namoro é o único assim e o pior... eu aprendi que isso é normal. Faz parte. Ele é quem eu quero que fique do meu lado, mais perto do que ninguém jamais esteve, pela minha vida inteira. Parece-me muito justo que o meu relacionamento com ele seja então o mais complicado, o que merece mais cuidado. Nós tentamos ser um só e por mais que fôssemos o mais parecido possível, ainda não seríamos parecidos o bastante.
O que importa é que afinal de contas eu amo as nossas brigas, porque eu amo fazer as pazes. Porque eu amo ouvir você, amor, me pedir desculpa com aquela voz doce de quem se sente culpado por ter chateado a sua garota, mesmo que a gente tenha que falar muita besteira até eu ouvir essa minha voz favorita.
Eu aprendi, acredito agora, que garotas são assim complicadas que nem eu mesmo. Eu não sou mais complicada que ninguém. Eu sou mulher. Eu quero muita atenção, eu quero me sentir uma rainha, eu quero ser tratada com a maior quantidade suportável de carinho no universo. (Outra coisa típica da educação feminina ultimamente: somos mais ensinadas que temos que receber carinho, adoração e etc do que dar isso) Eu quero presentes, eu quero ser levada pra sair. Às vezes eu faço você se sentir mal por querer demais. Mas isso passa, e a gente sabe o que fica. Afinal eu vou estar sempre do seu lado assistindo alguma série bizarra deitada num colchão da sua casa, e me queimando fazendo pipoca doce sem saber direito.
Nós fizemos coisas um ao outro que achávamos que jamais seríamos capazes de fazer com alguém no mundo. Coisas ruins, e coisas boas. Esse aniversário de 2 anos juntos, e nós dois mais felizes do que jamais estivemos, muito mais felizes do que até o mítico início de namoro, é a maior prova do que viemos lutando até agora: de que nós nos amamos. Eu não preciso dizer o que eu acho do amor agora. Ele tá entranhado em cada linha aqui. É amor que me fez escrever isso.
Obrigada, meu amor, pelas coisas boas, mas principalmente pelas ruins.
Muse - Invincible
http://www.youtube.com/watch?v=D_5V8We3hgg
Renata Aquino, 19/03/2012, 23:05h.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Friday night
Como eu queria que fosse a minha sexta-feira à noite (entenda-se aqui como a partir das 21h): pizzaria com namorado e amigos nerds falando sobre jogos que eu nunca joguei e besteiras absurdas, fazendo misturas com os restos de refrigerante da mesa. Queria me divertir de um jeito adolescente enquanto parece que eu posso, enquanto a faculdade não me mata...
Ligação
Ontem à noite, 15/03, liguei para o meu namorado:
- Oi, amor!
- Oi, amor!
- Tudo bem? Tá fazendo o que?
- Tudo, tô aqui na frente de casa.
- Ah, tá...
- O que foi?
- Nada, tô ligando só por ligar mesmo...
- Você tá procrastinando, não tá?
- Hein? O que é isso?
- É quando você não faz algo que você deveria estar fazendo. Você deveria estar estudando.
- Mas amor...
- Nada, vai estudar.
- Oi, amor!
- Oi, amor!
- Tudo bem? Tá fazendo o que?
- Tudo, tô aqui na frente de casa.
- Ah, tá...
- O que foi?
- Nada, tô ligando só por ligar mesmo...
- Você tá procrastinando, não tá?
- Hein? O que é isso?
- É quando você não faz algo que você deveria estar fazendo. Você deveria estar estudando.
- Mas amor...
- Nada, vai estudar.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Harry Potter O Fim de uma Era [Tributo]
Hoje eu vi esse vídeo que o Oclumência postou no facebook (abaixo).
Eu não vejo esses vídeos de tributo, vídeo de retrospectiva, trailer, ou qualquer coisa. Eu não consigo rever nada da série. Eu vi os dois últimos filmes no cinema, comprei os dois dvds que vieram com o documentário Quando Harry deixou Hogwarts, e não vi nada. Não consigo. É doloroso demais rever algo que acabou. Eu sou melancólica, gosto de ver filmes que me deixam melancólica porque geralmente é um sentimento que eu até aprecio... mas com Harry Potter é pesado demais. Eu me sinto extremamente orgulhosa por ter sido dessa geração, mas me sinto pesada demais pelos bons tempos de ansiosidade dos filmes, e etc. O interessante é que em poucos momentos eu fui o tipo de fã de entrar em site todo dia, acompanhar fielmente lançamento de fotos e trailers. Eu acompanhava mas nem tanto assim. Mas mesmo assim, mesmo não parecendo tão "presa" à série, eu sou presa à estória. Sempre serei. E não sei quando vou conseguir rever os filmes.
Por acaso, fui assistir esse tributo hoje, apesar de não ter esse costume. Chorei e agora estou aqui precisando colocar pra fora...
http://www.youtube.com/watch?v=CgWiF_ae-D4
Eu não vejo esses vídeos de tributo, vídeo de retrospectiva, trailer, ou qualquer coisa. Eu não consigo rever nada da série. Eu vi os dois últimos filmes no cinema, comprei os dois dvds que vieram com o documentário Quando Harry deixou Hogwarts, e não vi nada. Não consigo. É doloroso demais rever algo que acabou. Eu sou melancólica, gosto de ver filmes que me deixam melancólica porque geralmente é um sentimento que eu até aprecio... mas com Harry Potter é pesado demais. Eu me sinto extremamente orgulhosa por ter sido dessa geração, mas me sinto pesada demais pelos bons tempos de ansiosidade dos filmes, e etc. O interessante é que em poucos momentos eu fui o tipo de fã de entrar em site todo dia, acompanhar fielmente lançamento de fotos e trailers. Eu acompanhava mas nem tanto assim. Mas mesmo assim, mesmo não parecendo tão "presa" à série, eu sou presa à estória. Sempre serei. E não sei quando vou conseguir rever os filmes.
Por acaso, fui assistir esse tributo hoje, apesar de não ter esse costume. Chorei e agora estou aqui precisando colocar pra fora...
http://www.youtube.com/watch?v=CgWiF_ae-D4
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 15 de novembro de 2011
"Tô assim porque o dia foi chato"
Quando você estiver sozinho
Quando a gente tirar o dia para os amigos
e para a mãe
Você faz o que eu mando, bebê:
pensa em mim enquanto eu penso em você.
Porque eu vou te ver em toda parede
E em tudo que eu provar.
Eu vou te ver nos dvds
e sentir seu cheiro no ar.
Quando você estiver pra baixo,
pega uma roupa sua e procura o meu cheiro.
Você vai encontrar.
E vai lembrar dos meus cochichos
e dos nossos sorrisos.
E vai saber, e vai sentir,
que eu tô logo, logo ali.
Não fica assim, meu bem
Um dia é da caça outro é do caçador.
Aguenta firme hoje,
Que amanhã de manhã a gente morre de amor.
Quando a gente tirar o dia para os amigos
e para a mãe
Você faz o que eu mando, bebê:
pensa em mim enquanto eu penso em você.
Porque eu vou te ver em toda parede
E em tudo que eu provar.
Eu vou te ver nos dvds
e sentir seu cheiro no ar.
Quando você estiver pra baixo,
pega uma roupa sua e procura o meu cheiro.
Você vai encontrar.
E vai lembrar dos meus cochichos
e dos nossos sorrisos.
E vai saber, e vai sentir,
que eu tô logo, logo ali.
Não fica assim, meu bem
Um dia é da caça outro é do caçador.
Aguenta firme hoje,
Que amanhã de manhã a gente morre de amor.
Relembrando
Ano passado eu me apaixonei por essa poesia. Lembrei dela hoje, fui reler, e me apaixonei novamente, dessa vez me identificando mais do que na última vez.
Cordel de mim pra mim num tempo distante
Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes…
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?
Perguntaria como anda a vida.
“Mal”, diria ele a mim;
“Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?”
Diria então: “Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim”
Ele então rebateria seco:
“Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei.”
“Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei.”
Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
“Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido.”
“Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior.”
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.
“Entenda isso”, desolado, eu diria,
“para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.
Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar.”
Então me diria: “Estranho desconhecido…
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde…
Vai, me diz logo qual teu nome!”
“Meu nome, amigo, é Daniel.”
Daniel Carvalho, meu professor de História. Em: http://dacarpe.wordpress.com/2010/07/20/cordel-de-mim-pra-mim-num-tempo-distante
Cordel de mim pra mim num tempo distante
Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes…
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?
Perguntaria como anda a vida.
“Mal”, diria ele a mim;
“Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?”
Diria então: “Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim”
Ele então rebateria seco:
“Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei.”
“Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei.”
Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
“Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido.”
“Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior.”
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.
“Entenda isso”, desolado, eu diria,
“para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.
Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar.”
Então me diria: “Estranho desconhecido…
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde…
Vai, me diz logo qual teu nome!”
“Meu nome, amigo, é Daniel.”
Daniel Carvalho, meu professor de História. Em: http://dacarpe.wordpress.com/2010/07/20/cordel-de-mim-pra-mim-num-tempo-distante
Meus textos de incentivo à Bia (comentários via facebook)
Beatriz Monteiro
Quero largar a faculdade de História, é.
Beatriz Monteiro Não vejo uso prático para o que estou aprendendo lá. Basicamente, vou usar o que aprendo lá pra ensinar para os outros, já que as chances de eu ser professora são de uns 90% :( Quero algo mais 'concreto', e que vá me estabilizar no futuro. Não sinto que História vá me proporcionar isso.
Renata Aquino As músicas que você ouve e adora, por exemplo, têm uso prático? O máximo é você se identificar especialmente com algumas delas e/ou ir no show da banda que as canta, o que, nesse caso, você só vai ver elas sendo feita ao vivo, e... ? Quando a gente ama uma coisa, na maioria das vezes, não é pelo seu uso prático, porque ele não existe. Mesmo quem faz faculdade de engenharia, por exemplo, ele não acorda e faz o café da manhã projetando um prédio, não sai com a família e projeta um carro... Nossa ciência tem uso prático pra nós como seres humanos, assim como a arte (música, cinema, literatura). Se você lê livros e não se pergunta porque os continua lendo, não faça isso com História. :/
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Renata Aquino Mas isso pode acontecer em qualquer faculdade, gata. :/ Eu vejo meu namorado, estudante de Física (que pra nós tem um uso prático bem mais claro que o nosso) ter várias das mesmas dúvidas que nós temos: salário no futuro, emprego, uso prático. Sei lá, acho que toda ciência em alguma escala não tem um uso prático claro. Qualquer dia dar-me-ei ao trabalho de procurar a grade de uma graduação em engenharia só pra começar a pensar se mesmo eles, que parece que aos olhos de todo mundo usarão a faculdade para algo, estudam só coisas que terão aplicação.
Beatriz Monteiro O pior é que eu vejo bastante uso prático pra engenharia (não tanto em física, visto que vejo muita gente formada em física dando aula em ensino médio), e, mesmo que eu não queira, estou comparando qualquer faculdade a uma de veterinária. Parece que esta tem 100% de uso prático :(
(...)
Renata Aquino Sabe, no fim, meu principal argumento é: nenhuma universidade vai te deixar plenamente satisfeita, então, por que não escolher a que você ama e lutar por ela, lutar por algo que você acredita?
Beatriz Monteiro Por medo de ganhar mal no futuro. Medo dos alunos não reconhecerem meu trabalho, visto que ano passado o que mais me deixava puta era o fato de mais da metade da minha turma não se importar com as aulas de História que tinhamos. Medo de ficar 5 anos na faculdade e quando terminar pensar "putz, não estou preparada para um bom concurso, "enrolei" boa parte da faculdade"
(...)
Beatriz Monteiro não é nem muito porque estamos estudando forçadas. Eu lembro que último semestre, eu estudava feliz pras provas do Martin e do Grynszpan. Até mesmo gostava dos textos do Alexandre (que eu lia, é claro). Os textos que temos que ler agora não me dão a minima alegria. Acho que nessa crise eu perdi até o conhecimento sobre como se realizar uma leitura acadêmica. rs
Renata Aquino É só o seu momento, Bia. No primeiro semestre eu estava tão mal ou pior que você; por que você acha que me inscrevi no enem? Eu cheguei a pensar em Direito, e eu não suporto Direito. Você por algum motivo muito bizarro gostou das matérias do primeiro semestre então ele pra você foi tranquilo, e é agora no segundo que a sua crise te alcançou.
Beatriz Monteiro Você ainda pensa em direito as vezes, e eu realmente não entendo isso. Acho que você pensa isso de mim sobre veterinária rs
Beatriz Monteiro E se essa crise passar, tenho medo dela voltar lá pro 3º, 4º ano.
Renata Aquino E nunca vai sumir. Se você fizer veterinária, vai imaginar como teria sido em História (porque mesmo que você faça História depois, não vai ser a mesma coisa, você não vai ser a mesma Bia), se você teria conseguido, em que teria se especializado. É parte da vida e vai te seguir onde você vá.
Beatriz Monteiro Tem como fazer graduação em História e pós em Veterinária não?
----------------------------------------------------------------------------------------
Depois disso tudo, mandei esse vídeo para a Bia ver. Acho que "endurece" meus argumentos!
http://www.youtube.com/watch?v=HcChwiCGKAo
Quero largar a faculdade de História, é.
Beatriz Monteiro Não vejo uso prático para o que estou aprendendo lá. Basicamente, vou usar o que aprendo lá pra ensinar para os outros, já que as chances de eu ser professora são de uns 90% :( Quero algo mais 'concreto', e que vá me estabilizar no futuro. Não sinto que História vá me proporcionar isso.
Renata Aquino As músicas que você ouve e adora, por exemplo, têm uso prático? O máximo é você se identificar especialmente com algumas delas e/ou ir no show da banda que as canta, o que, nesse caso, você só vai ver elas sendo feita ao vivo, e... ? Quando a gente ama uma coisa, na maioria das vezes, não é pelo seu uso prático, porque ele não existe. Mesmo quem faz faculdade de engenharia, por exemplo, ele não acorda e faz o café da manhã projetando um prédio, não sai com a família e projeta um carro... Nossa ciência tem uso prático pra nós como seres humanos, assim como a arte (música, cinema, literatura). Se você lê livros e não se pergunta porque os continua lendo, não faça isso com História. :/
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Beatriz Monteiro Mas é aquilo que te falei, parece que um engenheiro irá usar o que aprendeu para produzir algo "sólido". Ainda amo História, e muito. Não sei se estou decepcionada por estar indo mal, ou por achar que no futuro não ganharei bem, não sei. Como conversamos, de fato, é lindo andar por um lugar e saber a História dele, ver um filme e pensar "ei, não foi bem assim!"; dá uma sensação boa. Mas tô com medo, Rê. Medo de não tentar outra coisa agora e a faculdade não melhorar pra mim, não me motivar mais. ):
Renata Aquino Mas isso pode acontecer em qualquer faculdade, gata. :/ Eu vejo meu namorado, estudante de Física (que pra nós tem um uso prático bem mais claro que o nosso) ter várias das mesmas dúvidas que nós temos: salário no futuro, emprego, uso prático. Sei lá, acho que toda ciência em alguma escala não tem um uso prático claro. Qualquer dia dar-me-ei ao trabalho de procurar a grade de uma graduação em engenharia só pra começar a pensar se mesmo eles, que parece que aos olhos de todo mundo usarão a faculdade para algo, estudam só coisas que terão aplicação.
Beatriz Monteiro O pior é que eu vejo bastante uso prático pra engenharia (não tanto em física, visto que vejo muita gente formada em física dando aula em ensino médio), e, mesmo que eu não queira, estou comparando qualquer faculdade a uma de veterinária. Parece que esta tem 100% de uso prático :(
(...)
Renata Aquino Sabe, no fim, meu principal argumento é: nenhuma universidade vai te deixar plenamente satisfeita, então, por que não escolher a que você ama e lutar por ela, lutar por algo que você acredita?
Beatriz Monteiro Por medo de ganhar mal no futuro. Medo dos alunos não reconhecerem meu trabalho, visto que ano passado o que mais me deixava puta era o fato de mais da metade da minha turma não se importar com as aulas de História que tinhamos. Medo de ficar 5 anos na faculdade e quando terminar pensar "putz, não estou preparada para um bom concurso, "enrolei" boa parte da faculdade"
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Beatriz Monteiro não é nem muito porque estamos estudando forçadas. Eu lembro que último semestre, eu estudava feliz pras provas do Martin e do Grynszpan. Até mesmo gostava dos textos do Alexandre (que eu lia, é claro). Os textos que temos que ler agora não me dão a minima alegria. Acho que nessa crise eu perdi até o conhecimento sobre como se realizar uma leitura acadêmica. rs
Renata Aquino É só o seu momento, Bia. No primeiro semestre eu estava tão mal ou pior que você; por que você acha que me inscrevi no enem? Eu cheguei a pensar em Direito, e eu não suporto Direito. Você por algum motivo muito bizarro gostou das matérias do primeiro semestre então ele pra você foi tranquilo, e é agora no segundo que a sua crise te alcançou.
Beatriz Monteiro Você ainda pensa em direito as vezes, e eu realmente não entendo isso. Acho que você pensa isso de mim sobre veterinária rs
Beatriz Monteiro E se essa crise passar, tenho medo dela voltar lá pro 3º, 4º ano.
Renata Aquino E nunca vai sumir. Se você fizer veterinária, vai imaginar como teria sido em História (porque mesmo que você faça História depois, não vai ser a mesma coisa, você não vai ser a mesma Bia), se você teria conseguido, em que teria se especializado. É parte da vida e vai te seguir onde você vá.
Beatriz Monteiro Tem como fazer graduação em História e pós em Veterinária não?
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Depois disso tudo, mandei esse vídeo para a Bia ver. Acho que "endurece" meus argumentos!
http://www.youtube.com/watch?v=HcChwiCGKAo
História
Uma das coisas que mais me foram úteis esse ano que eu estudei na faculdade foi a teoria da História, por assim dizer. Como ela surgiu, qual era sua função... o que foi pensado e feito dela no decorrer dos tempos. Minhas matérias mais legais foram Introdução aos Estudos Históricos e Teoria, Métodos e Historiografia, com o mestre Grynszpan.
Desde o primeiro semestre que eu e meu namorado ficávamos discutindo qual era a matéria mais importante. Ainda bem que foi por pouco tempo; não demoramos a chegar no óbvio: as duas matérias têm as suas devidas importâncias, cada uma no seu canto. Então começamos a discutir sobre outra questão epistemológica, aparentemente a mesma de antes, mas só aparentemente: qual é a importância delas? Bem, durante um tempo ele ganhou as discussões, claro... é muito fácil dizer qual é a importância da Física. Se eu estou digitando num notebook e vou publicar isso na internet, é porque um monte de nerds viciados em rpg e sem vida social (brincadeira, amorzinhoou não) fizeram isso*. Ponto. Mas e História?
Bem, História.
Hm.
Pensemos logo o óbvio para o nosso capitalismo sanguessuga do século XXI: não serve pra nada. Não me ajuda a extrair petróleo. Não me ensina a erguer um prédio ou uma ponte. Mas isso não é bem meu foco agora. Daqui a pouco farei um post com alguns comentários no facebook de uma amiga da faculdade que é parte agora do meu objetivo de vida: fazê-la desistir de desistir de História.
O que eu quero falar aqui é sobre como minha matéria linda e fofa expandiu minha mente. (Pelo menos é assim que eu gosto de ver. Não quero ser contrariada.) Estudar todas aquelas matérias aparentemente inúteis (coisas que não eram, mas minha revolta com o assunto fica para outro post) que me fizeram tão bem. Como, por exemplo: ainda não suporto funk e tenho certas reservas com quem gosta, mas não consigo mais não olhar (ouvir) um funk e não parar pra refletir como ele reflete o meio de alguém. Culpa da antropologia (falar de Antropologia me lembra meu professor alemão falando culturra, Malinowski dizendo: "imagine-se o leitor sozinho numa praia deserta" e o cheiro da sala 303, onde levei meu trote). Com as coisas que eu li em Sociologia, fico assistindo Clube da Luta** e tentando aplicar teorias, e isso é divertido. Foi isso que me atraiu em História no ensino médio: entender a humanidade. Com essas matérias (História, Sociologia e Antropologia) eu me sinto, prepotentemente, olhando as pessoas de cima, e tentando entender o que diabos estão fazendo e porque.
Não sei.
Nunca saberei. O melhor professor que eu tive me disse que ele quis fazer História por isso, para entender. E me disse em seguida que no primeiro semestre descobriu que nunca entenderia.
Mas isso é belo. Eu gosto.
Isso começou a me lembrar minha última aula de TMH.
As aulas de TMH são as melhores.
Outro dia eu, @RafaelOBraganca e Filipe fomos para as barcas discutindo como aplicar os conceitos de Foucalt para a reforma Passos no Rio para o trabalho de Geohistória na parte territorialização e desterritorialização.
Sério.
Mesmo.
Acabou que pensei numa coisa e falei outra: isso aconteceu depois de uma aula de Geohistória, não de TMH. Agora sim vou falar de TMH:
Grynszpan começou a falar sobre Hayden White e seu "Meta-História". Ele escreve nos anos 70. História está passando por uma crise existencial, por assim dizer... "Fazemos ciência ou somos 'só' um gênero?" Ele analisa o discurso dos historiadores do século XIX. Não no sentido de se eles analisam """"""""corretamente""""""""", ou com muita fonte, etc. Ele faz uma análise mais filosófica de o que era a História. Enfim, só comentando mesmo... Depois de mais uma aula eu posso escrever melhor. Risos.
Agora, finalmente, o que eu amo sobre estudar História:
Entender o que eu posso fazer e o que vem disso. Eu sou produto do meu tempo, do meu meio, das minhas relações. Como meu professor alemão vivia dizendo, socialmente construída. Logo, eu sou de agora e de nenhum outro momento ou lugar. Eu sou uma garota nascida e criada no Rio de Janeiro, com 18 anos, nascida pouco tempo depois do fim do mundo bipolar. Eu não consigo não ser isso. Isso vale ao inverso: eu nunca serei, entenderei completamente, verei as coisas e etc, do mesmo modo que alguém baiano, de 40 anos. Sou carioca, adolescente-adulta, criada lendo literatura infanto-juvenil do tipo Monteiro Lobato, Sir Conan Doyle e Harry Potter, e que agora faz faculdade de História. Mas mesmo assim, se tivesse alguém com essas mesmas características, eu não entenderia a pessoa. Isso pode ser triste, mas eu acho mais belo do que triste. E sabe porque? Porque isso me pôs no meu lugar. Eu sou uma observadora, no máximo admiradora. Eu persigo algo que nunca vou alcançar. Nunca vou sentir de coração o que foi 1648.
Eu não consigo saber o que outras pessoas sentem, por mais próximas que sejam. É impossível. E não me cabe julgar, não me cabe descobrir essas pessoas. Quer dizer, é isso que eu faço, mas eu não posso fazer isso com a presunção de estar certa. Nem aquelas pessoas, aquelas sociedades, saberiam se definir. Por que diabos devo eu, então, afirmar que elas tinham um modo de produção asiático?!
Como se percebe, não gosto de certas afirmações. Claro que depende de como ela é feita. Mas no geral não gosto.
Então, eu simplesmente observo. E venho escrever um texto.
E sabe o que é lindo? Estou falando dos meus textos da faculdade mas isto é perfeitamente aplicável à vida.
É por isso que eu amo a minha faculdade.
* Depois vou escrever sobre as duas melhores coisas que eu fiz para o meu namorado, e para mim: ir na exibição de Obrigado por Fumar da Casa da Ciência da UFRJ e assistir Clube da Luta.
** Minha mãe vai me dar o livro que deu base ao filme! AEAEAE! Não tem edição brasileira, então vou comprar em inglês, mas não me importo de ler com um dicionário do lado. O discurso do Tyler Durden merece meu esforço.
Desde o primeiro semestre que eu e meu namorado ficávamos discutindo qual era a matéria mais importante. Ainda bem que foi por pouco tempo; não demoramos a chegar no óbvio: as duas matérias têm as suas devidas importâncias, cada uma no seu canto. Então começamos a discutir sobre outra questão epistemológica, aparentemente a mesma de antes, mas só aparentemente: qual é a importância delas? Bem, durante um tempo ele ganhou as discussões, claro... é muito fácil dizer qual é a importância da Física. Se eu estou digitando num notebook e vou publicar isso na internet, é porque um monte de nerds viciados em rpg e sem vida social (brincadeira, amorzinho
Bem, História.
Hm.
Pensemos logo o óbvio para o nosso capitalismo sanguessuga do século XXI: não serve pra nada. Não me ajuda a extrair petróleo. Não me ensina a erguer um prédio ou uma ponte. Mas isso não é bem meu foco agora. Daqui a pouco farei um post com alguns comentários no facebook de uma amiga da faculdade que é parte agora do meu objetivo de vida: fazê-la desistir de desistir de História.
O que eu quero falar aqui é sobre como minha matéria linda e fofa expandiu minha mente. (Pelo menos é assim que eu gosto de ver. Não quero ser contrariada.) Estudar todas aquelas matérias aparentemente inúteis (coisas que não eram, mas minha revolta com o assunto fica para outro post) que me fizeram tão bem. Como, por exemplo: ainda não suporto funk e tenho certas reservas com quem gosta, mas não consigo mais não olhar (ouvir) um funk e não parar pra refletir como ele reflete o meio de alguém. Culpa da antropologia (falar de Antropologia me lembra meu professor alemão falando culturra, Malinowski dizendo: "imagine-se o leitor sozinho numa praia deserta" e o cheiro da sala 303, onde levei meu trote). Com as coisas que eu li em Sociologia, fico assistindo Clube da Luta** e tentando aplicar teorias, e isso é divertido. Foi isso que me atraiu em História no ensino médio: entender a humanidade. Com essas matérias (História, Sociologia e Antropologia) eu me sinto, prepotentemente, olhando as pessoas de cima, e tentando entender o que diabos estão fazendo e porque.
Não sei.
Nunca saberei. O melhor professor que eu tive me disse que ele quis fazer História por isso, para entender. E me disse em seguida que no primeiro semestre descobriu que nunca entenderia.
Mas isso é belo. Eu gosto.
Isso começou a me lembrar minha última aula de TMH.
As aulas de TMH são as melhores.
Outro dia eu, @RafaelOBraganca e Filipe fomos para as barcas discutindo como aplicar os conceitos de Foucalt para a reforma Passos no Rio para o trabalho de Geohistória na parte territorialização e desterritorialização.
Sério.
Mesmo.
Acabou que pensei numa coisa e falei outra: isso aconteceu depois de uma aula de Geohistória, não de TMH. Agora sim vou falar de TMH:
Grynszpan começou a falar sobre Hayden White e seu "Meta-História". Ele escreve nos anos 70. História está passando por uma crise existencial, por assim dizer... "Fazemos ciência ou somos 'só' um gênero?" Ele analisa o discurso dos historiadores do século XIX. Não no sentido de se eles analisam """"""""corretamente""""""""", ou com muita fonte, etc. Ele faz uma análise mais filosófica de o que era a História. Enfim, só comentando mesmo... Depois de mais uma aula eu posso escrever melhor. Risos.
Agora, finalmente, o que eu amo sobre estudar História:
Entender o que eu posso fazer e o que vem disso. Eu sou produto do meu tempo, do meu meio, das minhas relações. Como meu professor alemão vivia dizendo, socialmente construída. Logo, eu sou de agora e de nenhum outro momento ou lugar. Eu sou uma garota nascida e criada no Rio de Janeiro, com 18 anos, nascida pouco tempo depois do fim do mundo bipolar. Eu não consigo não ser isso. Isso vale ao inverso: eu nunca serei, entenderei completamente, verei as coisas e etc, do mesmo modo que alguém baiano, de 40 anos. Sou carioca, adolescente-adulta, criada lendo literatura infanto-juvenil do tipo Monteiro Lobato, Sir Conan Doyle e Harry Potter, e que agora faz faculdade de História. Mas mesmo assim, se tivesse alguém com essas mesmas características, eu não entenderia a pessoa. Isso pode ser triste, mas eu acho mais belo do que triste. E sabe porque? Porque isso me pôs no meu lugar. Eu sou uma observadora, no máximo admiradora. Eu persigo algo que nunca vou alcançar. Nunca vou sentir de coração o que foi 1648.
Eu não consigo saber o que outras pessoas sentem, por mais próximas que sejam. É impossível. E não me cabe julgar, não me cabe descobrir essas pessoas. Quer dizer, é isso que eu faço, mas eu não posso fazer isso com a presunção de estar certa. Nem aquelas pessoas, aquelas sociedades, saberiam se definir. Por que diabos devo eu, então, afirmar que elas tinham um modo de produção asiático?!
Como se percebe, não gosto de certas afirmações. Claro que depende de como ela é feita. Mas no geral não gosto.
Então, eu simplesmente observo. E venho escrever um texto.
E sabe o que é lindo? Estou falando dos meus textos da faculdade mas isto é perfeitamente aplicável à vida.
É por isso que eu amo a minha faculdade.
* Depois vou escrever sobre as duas melhores coisas que eu fiz para o meu namorado, e para mim: ir na exibição de Obrigado por Fumar da Casa da Ciência da UFRJ e assistir Clube da Luta.
** Minha mãe vai me dar o livro que deu base ao filme! AEAEAE! Não tem edição brasileira, então vou comprar em inglês, mas não me importo de ler com um dicionário do lado. O discurso do Tyler Durden merece meu esforço.
sábado, 22 de outubro de 2011
Pronto,
fim de semestre, fim da paz. Surtar pensando no monte de páginas pra ler, nas próximas provas, nas próximas notas, e nos trabalhos. Fim de semestre.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
"Rebobine, Por Favor", idéia de passado e poder da arte
"Be Kind, Rewind" é um filme dirigido por Michael Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças), de 2009. É sobre dois amigos que após um deles conseguir apagar o conteúdo de todas as VHS da locadora onde o outro trabalha, vão refazer os filmes eles mesmos. A gente vê então dois caras vestidos de alumínio, usando coisas natalinas e uma biblioteca pública para refilmar Ghostbusters. O filme já valeria a pena só por isso, por ressuscitar o tema do filme clássico. Mas aí a gente ainda vê Robocop, Conduzindo Miss Daisy, 2001: Uma Odisséia no Espaço... é louco e divertido. E não que precisasse de confirmação (por causa do trabalho incrível em Eternal Sunshine), mas fica mais claro ainda o talento de Michael Gondry e sua criatividade com cenários.
Porém, o que me levou a escrever não foi exatamente a qualidade do filme. Duas cenas do filme me fizeram pensar: em 1h e 20min de filme, uma personagem (a Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary...) diz "Nosso passado nos pertence. Podemos mudá-lo se quisermos." e mais para o final do filme quando ao exibir o resultado final, a história do Fats Waller, a felicidade das pessoas.
Nós, historiadores, decidimos o que vai ser tratado como história. No século XIX só era relevante o que fosse documentação oficial, proveniente do governo, exército, etc. No século XIX, após o pensamento romântico alemão que valorizava cultura popular e as particularidades de cada povo, vêm os Annales, a idéia de fonte se torna muito mais abrangente. Hoje em dia se me der na telha eu posso usar como fonte aquelas corações marcados nas árvores do Jardim Botânico. Não sei porque escrevi isso. Só achei curioso essa fala porque na minha aula de Geohistória de hoje (com o Rogério Haesbaert, é legal dizer que sou aluna dele porque o cara é fodão e conhecido mundialmente na área de geografia humana, sinto orgulho) o professor estava discutindo conceitos de lugar, e uma das características na visão mais conservadora de lugar era a memória espacial. Enfim, falei demais. Vou direto ao ponto: como muitas vezes, esse texto foi escrito em parte porque meu objetivo na vida é dar ao meu namorado um argumento irrefutável da importância da História (pode parecer fútil*, mas eu sinto que se eu conseguir isso, conseguirei convencer todos os alunos que eu tiver na vida e a minha faculdade terá mais sentido), e nos últimos dias tenho conversado com ele que História é algo que todo ser humano gosta, ama. História é vida, vida é História. Todo mundo, sempre, gosta/gostou/gostará de História/histórias/estórias. Cada civilização, pessoa, tempo, ao seu modo. Se se parar pra pensar, cada tipo de arte é um modo de contar uma história; o que me leva à segunda coisa que me interessou no filme.
Quando as pessoas que frequentavam a locadora e participavam do filme o assistiram, todas estavam emocionadas, com lágrimas nos olhos. Era uma história da qual eles haviam participado (aqui o modo de se contar algo é pelo cinema) da produção e da filmagem. É lindo. Eles mudam sua história, usam-na ao seu bel prazer (isso aqui só entende bem quem viu o filme), e se põem como parte dela (o que de fato são mesmo). Eles são os historiadores. Todo mundo é um historiador. O que eu pensei: no poder da arte. No fim do filme aparentemente a cidade inteira está tocada pelo filme, rindo, unida em volta dele. Eu sou preconceituosa e quando falo em literatura, por exemplo, há livros que eu não aceito sob esse título; mas, pensando bem, até uma borboleta voando perto dos olhos, é arte, a partir do momento que isso me toca de qualquer modo, seja pela beleza do movimento, pelo seu vazio, seja por qualquer sentimento que me cause. E o mais interessante, que causa em todos, em grande ou pequena escala, mas que causa.
*Um pouco fútil, sim, mas vários colegas de faculdade passam por isso; então, está mais pra algo normal.
Porém, o que me levou a escrever não foi exatamente a qualidade do filme. Duas cenas do filme me fizeram pensar: em 1h e 20min de filme, uma personagem (a Mia Farrow, de O Bebê de Rosemary...) diz "Nosso passado nos pertence. Podemos mudá-lo se quisermos." e mais para o final do filme quando ao exibir o resultado final, a história do Fats Waller, a felicidade das pessoas.
Nós, historiadores, decidimos o que vai ser tratado como história. No século XIX só era relevante o que fosse documentação oficial, proveniente do governo, exército, etc. No século XIX, após o pensamento romântico alemão que valorizava cultura popular e as particularidades de cada povo, vêm os Annales, a idéia de fonte se torna muito mais abrangente. Hoje em dia se me der na telha eu posso usar como fonte aquelas corações marcados nas árvores do Jardim Botânico. Não sei porque escrevi isso. Só achei curioso essa fala porque na minha aula de Geohistória de hoje (com o Rogério Haesbaert, é legal dizer que sou aluna dele porque o cara é fodão e conhecido mundialmente na área de geografia humana, sinto orgulho) o professor estava discutindo conceitos de lugar, e uma das características na visão mais conservadora de lugar era a memória espacial. Enfim, falei demais. Vou direto ao ponto: como muitas vezes, esse texto foi escrito em parte porque meu objetivo na vida é dar ao meu namorado um argumento irrefutável da importância da História (pode parecer fútil*, mas eu sinto que se eu conseguir isso, conseguirei convencer todos os alunos que eu tiver na vida e a minha faculdade terá mais sentido), e nos últimos dias tenho conversado com ele que História é algo que todo ser humano gosta, ama. História é vida, vida é História. Todo mundo, sempre, gosta/gostou/gostará de História/histórias/estórias. Cada civilização, pessoa, tempo, ao seu modo. Se se parar pra pensar, cada tipo de arte é um modo de contar uma história; o que me leva à segunda coisa que me interessou no filme.
Quando as pessoas que frequentavam a locadora e participavam do filme o assistiram, todas estavam emocionadas, com lágrimas nos olhos. Era uma história da qual eles haviam participado (aqui o modo de se contar algo é pelo cinema) da produção e da filmagem. É lindo. Eles mudam sua história, usam-na ao seu bel prazer (isso aqui só entende bem quem viu o filme), e se põem como parte dela (o que de fato são mesmo). Eles são os historiadores. Todo mundo é um historiador. O que eu pensei: no poder da arte. No fim do filme aparentemente a cidade inteira está tocada pelo filme, rindo, unida em volta dele. Eu sou preconceituosa e quando falo em literatura, por exemplo, há livros que eu não aceito sob esse título; mas, pensando bem, até uma borboleta voando perto dos olhos, é arte, a partir do momento que isso me toca de qualquer modo, seja pela beleza do movimento, pelo seu vazio, seja por qualquer sentimento que me cause. E o mais interessante, que causa em todos, em grande ou pequena escala, mas que causa.
*Um pouco fútil, sim, mas vários colegas de faculdade passam por isso; então, está mais pra algo normal.
sábado, 17 de setembro de 2011
Aprovada
As coisas mudaram de verdade agora. Eu não me sinto mais como antigamente. Não sinto como se nada me afligisse, pelo menos não as coisas de antigamente. Não me sinto mais como se estivesse à beira de explodir. Eu sei um pouco mais sobre como eu sou e aprendi um pouco mais sobre como lidar comigo mesma. Sinto-me capaz de acertar agora. Eu me sinto mal sobre tudo que aconteceu, sobre o que eu fiz e sobre o que eu não fiz, mas não estou me torturando agora; eu tive as minhas lições, e agora acho que o que aconteceu iria acontecer de qualquer jeito, era algo fora da minha alçada. Parece que tudo vai começar de novo, estou no zero. Eu me sinto maior, me sinto mais capaz. Sinto como se tivesse cometido todos os erros que poderia, então não tenho mais pesos nos ombros. As coisas ainda estão um pouco nebulosas, parece que "meu território" ainda está delimitando suas fronteiras, mas vai melhorar. Eu tenho fé agora. Depois de afastar tanto, e pensar em tanta coisa, em sentir tanta coisa, eu sinto falta de muita coisa que não volta mais; mas aprendi a cuidar de uma coisa que eu quero pra sempre, e dessa vez eu não tenho dúvidas. É por isso que eu gosto tanto de One and Only da Adele: "God only knows why it's taken me so long to let my doubts go,
you're the only one that I want". E é tão bom ter certeza de algo sem ficar imaginando se isso é alguma mania de conforto ou coisa do tipo. Neste exato momento eu me sinto como se tivesse feito a prova final de algo que eu estava penando pra aprender. E guess what, eu passei!
you're the only one that I want". E é tão bom ter certeza de algo sem ficar imaginando se isso é alguma mania de conforto ou coisa do tipo. Neste exato momento eu me sinto como se tivesse feito a prova final de algo que eu estava penando pra aprender. E guess what, eu passei!
domingo, 1 de maio de 2011
Inconstante
Ninguém pode me conhecer. Ninguém pode saber quem eu sou. Acredito que não exista nada em mim que seja para sempre. E isso me assusta. Parece que ninguém pode confiar em mim, nem eu mesma.
Esses dias tenho pensado em quando eu começar a ficar muito amiga de alguém, fazer uma espécie de aviso antes. Vou dizer que iniciarei a nossa amizade dizendo que odeio festas, e algum tempo depois estarei procurando chances de ir numa boate. Acho que isso talvez fosse justo. Seria pelo menos uma tentativa de avisar o que viria pela frente.
Ignorando a corrente de pensa'mentos que jorram a cada palavra que eu escrevo, ignorando o jorro de aflições e angústias que as minhas próprias frases me causam, tentarei voltar ao início do texto: ninguém É algo. Quer dizer, eu acho. Sei (acho que sei) que eu não sou. Agora eu gosto de vermelho, mas quando eu acordar vou procurar uma blusa verde. O que me fez escrever esse texto foi a seguinte frase que li na bio do twitter de um amigo: "Procure a verdade do meu coração em meu olhar, não em minhas palavras". Eu, quanto a mim, acho que não confiaria nem no meu olhar. Quer dizer, até confiaria... com as suas devidas precauções. Eu não acredito, sinto, vejo, toco qualquer coisa do mesmo jeito pra frente. É tudo efêmero, momentâneo. Neste momento, vejamos: estou tendo uma crise que normalmente não teria e que me leva a ter medo de que certas coisas se repitam; estou sentido algo bem diferente do que sentia em relação a uma certa coisa algum tempo antes. E coisas assim.
Se bem que há esperança: se alguém me oferecesse chocolate neste momento, eu aceitaria. E acho difícil imaginar alguma situação onde eu recusasse.
E como tudo é efêmero, e como minha mãe é um anjo de pessoa e me deu chocolate, e como chocolate libera serotonina que me faz me sentir bem, e como eu só escrevo quando eu estou "mal", o que eu pensava no começo e durante o texto sumiu e ele acaba aqui.
Esses dias tenho pensado em quando eu começar a ficar muito amiga de alguém, fazer uma espécie de aviso antes. Vou dizer que iniciarei a nossa amizade dizendo que odeio festas, e algum tempo depois estarei procurando chances de ir numa boate. Acho que isso talvez fosse justo. Seria pelo menos uma tentativa de avisar o que viria pela frente.
Ignorando a corrente de pensa'mentos que jorram a cada palavra que eu escrevo, ignorando o jorro de aflições e angústias que as minhas próprias frases me causam, tentarei voltar ao início do texto: ninguém É algo. Quer dizer, eu acho. Sei (acho que sei) que eu não sou. Agora eu gosto de vermelho, mas quando eu acordar vou procurar uma blusa verde. O que me fez escrever esse texto foi a seguinte frase que li na bio do twitter de um amigo: "Procure a verdade do meu coração em meu olhar, não em minhas palavras". Eu, quanto a mim, acho que não confiaria nem no meu olhar. Quer dizer, até confiaria... com as suas devidas precauções. Eu não acredito, sinto, vejo, toco qualquer coisa do mesmo jeito pra frente. É tudo efêmero, momentâneo. Neste momento, vejamos: estou tendo uma crise que normalmente não teria e que me leva a ter medo de que certas coisas se repitam; estou sentido algo bem diferente do que sentia em relação a uma certa coisa algum tempo antes. E coisas assim.
Se bem que há esperança: se alguém me oferecesse chocolate neste momento, eu aceitaria. E acho difícil imaginar alguma situação onde eu recusasse.
E como tudo é efêmero, e como minha mãe é um anjo de pessoa e me deu chocolate, e como chocolate libera serotonina que me faz me sentir bem, e como eu só escrevo quando eu estou "mal", o que eu pensava no começo e durante o texto sumiu e ele acaba aqui.
domingo, 17 de abril de 2011
Descobertas de Ariadne: Amizade
Descobertas de Ariadne: Amizade: "Prédio de concreto Como testemunha da nossa amizade Um livro que causa discussão Sentados na arena Discutindo uma solução Risadas no ônib..."
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O Retorno
Olha quem voltou.
Eu voltando a escrever: mau sinal.
Mas hein... estou na faculdade. Sou universitária. Futura historiadora.
Sim, eu deveria estar mais animada, não fosse meu atual momento de fossa. Tem alguma coisa errada e eu não sei o que é. Estou escrevendo para achar o erro que eu espero que meu inconsciente ponha nessas entrelinhas.
Quando eu estou deprimida tenho impulsos de ir fazer Letras. Só consigo pensar em literatura. Aí eu fico irritada, com medo de estar no curso errado, blablabla. Não aguento mais ouvir falar em Durkheim ou no surgimento das ciências sociais. Tô com vontade de ler Jane Austen, ou O Morro dos Ventos Uivantes... mas tenho bíblias pra ler. Blé.
Tem algo realmente errado. Eu me sinto sozinha. Sinto como se estivesse chegando um tufão. Vou entrar em algum momento de crise ou algo assim. Não sei bem porque eu acho isso.
Sabe, uma das únicas coisas dos últimos tempos que eu posso dizer com certeza: bocas têm pensamento próprio.
Eu voltando a escrever: mau sinal.
Mas hein... estou na faculdade. Sou universitária. Futura historiadora.
Sim, eu deveria estar mais animada, não fosse meu atual momento de fossa. Tem alguma coisa errada e eu não sei o que é. Estou escrevendo para achar o erro que eu espero que meu inconsciente ponha nessas entrelinhas.
Quando eu estou deprimida tenho impulsos de ir fazer Letras. Só consigo pensar em literatura. Aí eu fico irritada, com medo de estar no curso errado, blablabla. Não aguento mais ouvir falar em Durkheim ou no surgimento das ciências sociais. Tô com vontade de ler Jane Austen, ou O Morro dos Ventos Uivantes... mas tenho bíblias pra ler. Blé.
Tem algo realmente errado. Eu me sinto sozinha. Sinto como se estivesse chegando um tufão. Vou entrar em algum momento de crise ou algo assim. Não sei bem porque eu acho isso.
Sabe, uma das únicas coisas dos últimos tempos que eu posso dizer com certeza: bocas têm pensamento próprio.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
História 2011
Eu tenho tido uns dias realmente difíceis pra escolher entre UERJ e UFF. Passei nas duas mas preferia ter passado só em uma. Basicamente, para mim, neste momento: UFF = perigos, UERJ = segurança. Eu preciso de segurança, preciso estar sempre em bases sólidas... mas nunca quis a uerj. Passei por uma odisséia de enfrentar medos e paranóias, aceitar que tem coisas que não vou poder controlar, me jogar numa situação em que eu talvez perca um ano e etc... estou arriscando. Isso é muito novo pra mim e qualquer coisa que não pareça boa que eu ouço me dá mais medo. Bem, enfim, é legal mudar um pouco, só pra variar. Não vou poder controlar tudo na minha vida, né? Acho que nem disse claramente, mas eu escolhi a UFF. :)
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
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